Televisão

Elenco de "A Força do Querer" comenta temas tratados na novela

Trama, que volta a ser exibida na Globo, abordou assuntos como empoderamento feminino, identidade de gênero e tráfico de drogas

Silvero Pereira, Paola Oliveira e Emilio Dantas viveram personagens marcantes na tramaSilvero Pereira, Paola Oliveira e Emilio Dantas viveram personagens marcantes na trama - Foto: Divulgação/Globo

Com o fim de “Fina Estampa”, a Globo escalou outra reprise para ocupar o horário das 21h, já que episódios inéditos de “Amor de Mãe” só em 2021. A escolhida da vez é “A Força do Querer”, novela de Glória Perez, exibida originalmente em 2017. O público pode rever a trama, que aborda temas como identidade de gênero, vício em jogos e tráfico de drogas, a partir desta segunda-feira (21). 

“Nestes três últimos anos, a sociedade começou a entender e a se educar melhor sobre alguns assuntos, mas essas ainda são necessárias. É muito importante que a novela volte agora, repensando como esses discursos são interessantes para construirmos uma outra história”, observa o ator Silvero Pereira, que participou de uma coletiva de imprensa online, ao lado de outros nomes do elenco.

A travesti Elis Miranda, vivida por Silvero, era uma das responsáveis por introduzir assuntos ligados à população LBGTIQIA+ na trama. Para conseguir trabalhar como motorista, ela escondia a identidade de seu preconceituoso patrão Eurico (Humberto Martins), adotando o nome de Nonato no horário de trabalho. 

Para o ator, a abordagem feita em “A Força do Querer” influenciou as produções que vieram depois. “Tanto que você vê depois duas atrizes transsexuais, a Nanny People e a Glamour Garcia, concorrendo numa mesma categoria do prêmio Melhores do Ano. Não se construiu toda a mudança necessária, mas foi a ponta do iceberg”, defende. 

Carol Duarte, que interpretou o jovem transexual Ivan, conta que se surpreendeu com a repercussão do personagem. “Como foi a minha primeira novela, eu não tinha dimensão do que seria isso. Na rua, as pessoas chegavam ansiosas para tentar resolver o problema do Ivan. Nas redes sociais, eu recebia depoimentos de garotos trans, mães e pais. Foi lá pelo centésimo capítulo que  eu vi que aquilo era grande mesmo e que tinha uma responsabilidade imensa”, revela. 

Carol Duarte viveu a transformação de Ivana em Ivan (Foto: Reprodução/Globo)

Uma das cenas mais marcantes, para a atriz, foi a que ela precisou cortar os próprios cabelos. Por conta da carga emocional, ela afirma que não pretende rever a gravação. “Mexe muito comigo, porque é uma cena muito forte. Ela vai em lugares muito profundos da personagem. E não eram só os atores. Lembro que os câmeras tiveram que se reposicionar todos. Me marcou também pela coletividade”, relembra.

A transformação de Ivana em Ivan causou conflitos com Joyce, mãe do garoto, interpretada por Maria Fernanda Cândido. A artista conta que está curiosa para saber como o público receberá a socialite desta vez. “Quando fiz essa personagem, achei que ela seria muito criticada, mas não foi bem isso que eu observei. Foi muito difícil de fazer, porque ela tem características muito egoístas”, diz. 

O papel de Eugênio, pai de Ivan, foi vivido por Dan Stulbach. O ator acredita que,com a volta da novela, a resposta de parte dos espectadores pode ser ainda mais negativa do que foi no passado. “O nosso país piorou. Se algumas pessoas tinham antes alguma vergonha ou ressentimento de mostrar a sua intolerância, hoje em dia elas têm orgulho de exibir preconceito. Acho que a reação será ainda mais violenta, porque o lado da intolerância está de alguma maneira absolutamente mobilizado e barulhento”, argumenta.

Maria Fernanda Cândido e Dan Stulbach em cena (Foto: Divulgação/Globo)

Mulheres

O empoderamento feminino foi outro assunto tratado em “A Força do Querer”. Através de suas três protagonistas, a novela trouxe mulheres com histórias e personalidades diferentes, mas todas donas de suas próprias vontades. 

Para interpretar a policial Jeiza, que nas horas vagas competia em lutas de MMA, Paolla Oliveira passou por treinamentos de muay thai e jiu-jitsu. No entanto, para a atriz, as maiores transformações exigidas pela personagem foram internas. 

“Eu queria encontrar uma mulher que fosse diferente de mim, mas que pudesse ser uma mulher, seja lá como ela fosse. Fui juntando as características que a Glória me passou, mas o principal não foi o físico. Isso eu já mudei. O que mais ficou para mim disso foi ouvir as pessoas dizendo que não daria certo eu fazer uma lutadora”, comenta. 

A atriz lembra que, nas primeiras provas de figurino da personagem, pediu para que as roupas sugeridas fossem mudadas. “Vieram com um visual mais despojado, com capuz e tênis. Em que lugar está escrito que porque uma mulher está dentro de um contexto masculino ela teria que ser masculinizada? Eu discordei, porque acreditava que aquela mulher poderia sim ser feminina e forte”, relembra.

Bastidores

O clima de parceria entre o elenco em “A Força do Querer” é uma das coisas que Emilio Dantas (intérprete do traficante Rubinho) mais sente saudades. O ator chegou a formar uma banda com outros parceiros de elenco. 

“A gente alugava um estúdio e passava cinco horas se divertindo e celebrando o fato de estarmos juntos nesse processo. O mais bonito é que a gente sempre torcia pelas cenas do outro”, revela. 

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