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Elogiado no meio cênico, espetáculo 'Preto' abre o Festival Recife do Teatro Nacional

Montagem aborda as diferenças, entre elas o racismo, na sociedade brasileira. Encenação será no Teatro de Santa Isabel, neste domingo (18) e segunda-feira (19)

Peça 'Preto', que abre o Festival Recife do Teatro NacionalPeça 'Preto', que abre o Festival Recife do Teatro Nacional - Foto: Nana Moraes/Divulgação

A abertura da 20ª edição do Festival Recife do Teatro Nacional fica por conta de "Preto", elogiado espetáculo da Companhia Brasileira de Teatro, do Paraná. Com as atrizes Renata Sorrah e Grace Passô no elenco, a peça leva ao palco as tensões existentes dentro da convivência com as diferenças (não apenas relacionadas à cor) na sociedade brasileira. As sessões serão realizadas neste domingo (18) e na segunda-feira (19), às 20h, no Teatro de Santa Isabel.

Dirigida por Marcio Abreu, a montagem é fruto do Projeto Brasil, desenvolvida pela companhia desde o final de 2012. Além de Renata e Grace, também estão em cena Cássia Damasceno, Felipe Soares, Nadja Naira e Rodrigo Bolzan. "O projeto foi pensado com a proposta de se deixar afetar por uma percepção atenta de País e responder artisticamente a isso. Desde o início da pesquisa, já pensava em 'Preto' enquanto título e desdobramento futuro", divide o encenador.

O processo de construção da obra foi coletivo e ocorreu durante residências realizadas em diferentes lugares, dentro e fora do Brasil. "A gente ensaiava a peça, mostrava o processo para o público, e discutia com ele. Dessa forma, o olhar e as reflexões dos outros foram sendo incorporadas ao longo da criação", conta Grace Passô. Ao lado de Marcio e Nadja Naira, ela assina a dramaturgia do espetáculo, que já foi apresentado em cidades da Alemanha e da França.

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O ponto de partida da peça é a fala de uma mulher negra dentro de uma conferência. A partir de então, a montagem se desenrola em uma narrativa que não é linear, por meio de imagens diversas, sem fidelidade ao realismo. O racismo é um dos temas tratados ao longo disso, mas não é o único.

Peça 'Preto', que abre o Festival Recife do Teatro Nacional

Peça 'Preto', que abre o Festival Recife do Teatro Nacional - Crédito: Nana Moraes//Divulgação


"De alguma forma, esse coletivo acampou em torno de questões que refletem a existência negra. Como não é um discurso de ideias escancarado, mas sim um convite ao espectador ler de uma forma muito aberta determinadas situações, a encenação é passível de leituras muito diferentes também", argumenta Grace.

   50 anos de carreira

Para Renata Sorrah, que celebra seus 50 anos de carreira com esse trabalho, a tônica da peça é a necessidade de se estabelecer diálogos. "Eu acho que nós estamos em um momento em que é muito importante ouvir o outro. Você não pode negar o outro pra se afirmar. E o teatro é esse lugar do diálogo, o meu lugar de fala. Precisamos desenvolver novos caminhos juntos", declara a atriz.

Programação

O Festival Recife do Teatro Nacional segue com programação até o dia 25 de novembro. Promovido pela Prefeitura do Recife, o evento leva 12 espetáculos, entre nacionais e locais, para os teatros de Santa Isabel, Hermilo Borba Filho, Apolo, Luiz Mendonça e Barreto Júnior. Esta edição homenageia o ator e médico Reinaldo de Oliveira, de 88 anos, integrante do Teatro de Amadores de Pernambuco. Os ingressos custam R$ 10 e R$ 15 (meia-entrada).

Ao longo da próxima semana, serão encenados espetáculos sobre diferentes assuntos, como preconceito, ditadura e fake news. As produções de outros estados, inéditas no Recife, são: "Woyzesck - Zé Ninguém", do Teatro Terceira Margem e Artistas Independentes e "Teatro La Independencia", do Oco Teatro Laboratório, ambos da Bahia; "O que só passarinho entende", da Cia Cobaia Cênica, de Santa Catarina; "LTDA.", do Coletivo Ponto Zero, do Rio de Janeiro; e "A gaiola", da também carioca Camaleão Produções Culturais e LTDA.

Já a lista de peças pernambucanas inclui: "Ligações perigosas", do Teatro de Fronteira; "Próxima", da atriz Cira Ramos; "Em nome do desejo", da Galharufas Produções; "Espera o outono, Alice", do Amaré Grupo de Teatro; e "Pro(Fé)Ta - O bispo do povo", do Coletivo Grão Comum.

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