Elza Soares tem trajetória contada em musical que chega a Pernambuco

Sete mulheres protagonizam o musical 'Elza', que aporta no Teatro Guararapes, em sessões neste fim de semana

Espetáculo traz músicas que retratam os vários momentos vividos pela artistaEspetáculo traz músicas que retratam os vários momentos vividos pela artista - Foto: Leo Aversa/Divulgação

Através da voz rouca e rasgada de Elza Soares ecoam os discursos de diversas mulheres. "A história dela é semelhante às de muitas brasileiras. Por isso, todas nos sentimos tão bem representadas por ela", comenta a atriz e cantora Larissa Luz, uma das sete protagonistas do musical "Elza", que homenageia a artista de 81 anos, considerada "a melhor cantora do milênio" pela BBC. Vencedor de diversos prêmios, o espetáculo desembarca em Pernambuco para duas apresentações no Teatro Guararapes, neste sábado (19), às 20h, e no domingo (20), às 18h.

Encomendada pela própria Elza à produtora Andrea Alves, da Sarau Agência, a montagem leva ao palco a trajetória de uma das maiores intérpretes da música brasileira. O texto é assinado por Vinícius Calderoni e a direção é de Duda Maia. Além de Larissa, Janamô, Júlia Tizumba, Késia Estácio, Khrystal, Laís Lacorte e Verônica Bonfim também dão vida à cantora.

"Seria muito difícil colocar tudo o que Elza representa em uma só atriz. Por isso, é significativo trabalhar com várias mulheres, não só no elenco, mas também na banda, que é toda feminina", explica a diretora da encenação, que viveu no Recife dos 3 aos 18 anos de idade.

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Sobre a seleção das protagonistas, Duda conta que partiu do significado político de Elza. "Ela é uma voz ativa que defende os direitos das mulheres. Então, fomos procurar atrizes que fossem também ativistas em seus trabalhos. As audições ocorreram no Rio de Janeiro, na mesma semana em que a Marielle foi executada. Recebemos várias mulheres negras, com diferentes tons de pele, origens, corpos e timbres, mas que representam uma só", afirma a encenadora.

Diferente das demais atrizes, que foram escolhidas por meio de testes, Larissa está envolvida com o projeto desde a sua concepção. Como já havia trabalhado em outras duas produções da Sarau ("Gonzagão - A lenda" e "Ópera do malandro"), foi convidada por Andrea Alves, que via nela certa semelhança física e vocal com a homenageada. "Não queria trazer só uma imitação, mas uma construção autoral. Busquei construir uma Elza que tivesse coisas dela e minhas também", conta.

"Interpretar a Elza é uma responsabilidade imensa, porque ela é para mim um grande ícone musical. Estar no palco contando a história de alguém que é referência nos faz querer apresentar um trabalho à altura. Ao mesmo tempo, está sendo presente, porque me fez descobrir novas coisas dentro de mim enquanto pessoa e artista. Fui transformada de diversas formas por esse desafio", complementa a cantora.

  

Além de atuar, a artista baiana também divide a direção musical da obra com Pedro Luís e Antônia Adnet. O repertório mistura diferentes fases da artista, com músicas mais recentes (como "Mulher do fim do mundo" e "Maria da Vila Matilde") e canções consagradas ("Malandro" e "Lata D'Água"). Ainda foram criadas duas letras inéditas para a peça: "Ogum", de Pedro Luís, e "Rap da Vila Vintém", de Larissa Luz.

Fugindo do formato convencional das biografias musicais, os vários momentos vividos pela homenageada não são contados de forma cronológica. Apesar de todas as tragédias pessoais que marcaram a vida dela, a peça retrata essa trajetória de forma leve e alegre. Essa foi uma exigência feita pela própria cantora.

"A primeira vez que nos encontramos, ela falou a seguinte frase: 'todo mundo diz que eu apanhei, mas ninguém nunca fala o quanto eu revidei'. Ficou muito claro o desejo de falar sobre uma mulher que tem uma história não de vítima, mas de superação", relembra a diretora.

Serviço

Musical "Elza"
Neste sábado (19), às 20h; e domingo (20), às 18h
No Teatro Guararapes (Centro de Convenções de Pernambuco)
De R$ 30 (balcão/meia-entrada) a R$ 100 (plateia especial)
Informações: (81) 3182-8020

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