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Em 'Fim de festa', Hilton Lacerda usa o pós-Carnaval como metáfora política

Com Irandhir Santos e Hermila Guedes no elenco, novo longa-metragem do diretor pernambucano ganha pré-estreia neste sábado, no Cinema São Luiz

Irandhir Santos em "Fim de festa"Irandhir Santos em "Fim de festa" - Foto: Victor Jucá/Divulgação

Não é sem propósito a estreia de "Fim de festa" ser logo na sequência do Carnaval. O novo filme do diretor e roteirista pernambucano Hilton Lacerda, que chega oficialmente às salas de cinema na próxima semana, se passa justamente nos dias seguintes à folia, quando a sensação de ressaca dita o ritmo das pessoas e das atividades cotidianas. Diretor, produtores e todo o elenco do longa-metragem estarão na sessão de pré-estreia, que ocorre neste sábado (29), às 19h, no Cinema São Luiz. Os ingressos estarão à venda por R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).

Hilton retoma a parceria firmada com o ator Irandhir Santos em "Tatuagem" (2013), seu primeiro trabalho como diretor. O ator, que atualmente vive o vilão da novela "Amor de mãe", interpreta o policial Breno, que tem suas férias interrompidas para desvendar o assassinato brutal de uma turista francesa, cometido em pleno período carnavalesco. Enquanto se dedica à investigação, o personagem vai revelando aos poucos antigos traumas que pareciam enterrados no passado.

A história conta ainda com um segundo núcleo, formado pelo filho do protagonista, Breninho (Gustavo Patriota) e seus três amigos: Penha (Amanda Beça), Ângelo (Leandro Villa) e Indira (Safira Moreira). Ainda tomados pelo clima de liberdade carnavalesca, os quatro vivem uma relação de amor livre, recortada por tensões raciais e de gênero. O elenco conta, ainda, com a participação especial de Hermila Guedes.

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O recorte temporal em que a trama se desenvolve - entre a quarta-feira de cinzas e o domingo seguinte - serve para traçar reflexões sobre o Brasil. "Essa ideia do pós-Carnaval representa bem o sentimento de um momento de alegria que havia chegado ao fim. É uma leitura bastante metafórica, a meu ver, do ponto de vista político, do que a gente vive no país hoje. Se fosse para definir, eu diria que o longa é um pouco sobre a melancolia da perda", comenta Hilton.

É impossível não traçar paralelos entre "Fim de festa" e o filme anterior do cineasta. As conexões são confirmadas por Hilton. "É uma continuação direta de 'Tatuagem', não no sentido da dramaturgia, mas sim dos contextos. Tem algumas pistas nos filmes que você vai entendendo. Não é a toa que o ator é o mesmo. Embora as pessoas achem 'Tatuagem' libertário, eu vejo ele como um filme de alerta, porque fala de um país que caminhava para determinado lugar de aparentes avanços e, de repente, entra numa marcha à ré. Isso é uma coisa que se repete esporadicamente dentro da sociologia brasileira", afirma.



Hilton volta a buscar numa história real uma inspiração para construir o enredo. Se no seu primeiro longa-metragem o icônico Vivencial serviu de referência para o diretor criar o fictício grupo Chão de Estrelas; neste novo trabalho, ele mergulhou na história da turista alemã Jennifer Kloker, morta em Pernambuco, em 2010.

"Na minha cabeça, é mais urgente entender qual é o conceito daquilo que eu quero falar, para depois impor uma moldura a ele. E, na procura dessa moldura, é que eu me debruço sobre a realidade. Vejo um crime que aconteceu, por exemplo, e tento tirar disso algumas substâncias que me interessam narrativamente e que podem engrandecer a narrativa, no sentido de dar mais instrumentos para uma reflexão", diz.

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