Em nova pista: vocalista do Racionais MC’s lança seu primeiro disco solo

“Boogie Naipe”, de Mano Brown, mostra seu lado mais romântico e também dançante

Mano Brown caminha entre as referências de  Tim Maia e Marvin Gaye em seu novo projetoMano Brown caminha entre as referências de Tim Maia e Marvin Gaye em seu novo projeto - Foto: Klaus Mitteldorf/Divulgação

 

Os passos se apressam para entrar no baile black de Mano Brown, enquanto risos e buzinas se avolumam na confusão sonora da rua. Assim começa o primeiro disco solo do rapper, intitulado “Boogie Naipe”. Ao cruzar a porta da boate, a contemporaneidade encontra os anos de 1970, de onde o artista tirou a inspiração para criar o groove do disco, que revela uma personalidade mais romântica do compositor, até então mais conhecido pelas rimas de cunho social dos Racionais MC’s.

Há dez anos estudando a possibilidade de se lançar em carreira solo, o rapper entrou em estúdio há dois deles para fazer o seu resgate ao soul e à black music brasileiros e norte-americanos. O resultado transita pelas referências de Tim Maia e Marvin Gaye, mas por vezes também lembra os trabalhos mais orgânicos da dupla francesa Daft Punk. A pegada eletrônica dançante, inclusive, conta com um sample de “Lady”, do grupo Modjo, na faixa “Dance, Dance, Dance”, com vocais de Seu Jorge, que se consola pela ausência da amada na pista de dança, e rimas de Don Pixote e do próprio Brown.

As parcerias foram fundamentais para concretizar o trabalho, já que a aposta em canções exigiu a presença de vozes mais flexíveis do que a do próprio Brown, que tem vocais mais duros. Ainda assim, o rapper se arrisca na cantoria em músicas como “Mal de Amor”, onde surpreende pela escala que vai de tons mais graves aos mais agudos. Na faixa também cantam a vencedora da primeira temporada do “The Voice Brasil”, Ellen Oléria, e Lino Krizz, que assina a coprodução do álbum ao lado do próprio Brown.

Em “Foi Num Baile Black”, Brown conta com o baiano Hyldon para abrilhantar o refrão. “Tantas vezes voltei ao baile para rever, dançar outra vez com você”, diz um dos mestres do soul brasileiro na faixa. Em outros episódios, Brown também tenta conquistar a paquera em “Louis Lane”, arrepende-se do mau comportamento com a namorada em “Flor do Guetto” (com Max de Castro), promete não permitir ser usado novamente por uma antiga paixão em “Adicto” e, enfim, celebra a felicidade de um relacionamento em “Felizes/ Heart 2 Heart”.

Essa última tem a valiosa colaboração de Leon Ware, antigo parceiro de Marvin Gaye e que já trabalhou com Michael Jackson e Quincy Jones e é considerado pelo próprio Brown como o maior músico ainda vivo. As diferentes vozes dão vida a personagens que destilam as dores e prazeres do amor na pista do grande baile da “Boogie Naipe”. No entanto, mesmo à frente da temática mais sentimental, Brown não amolece no discurso direto. E como as paixões são também um movimento social, o músico já declarou que o disco solo é também uma análise mais profunda da comunidade, o que muda em relação aos Racionais é o foco: do coletivo para individual. A carreira com o quarteto de MCs, por sinal, segue firme e forte, em paralelo com o projeto solo.

SERVIÇO:
“Boogie Naipe”, de Mano Brown
Disponível para audição em plataformas de streaming como o Spotify, Deezer e YouTube.

 

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