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Em tom lúdico, luto e identidade de gênero na infância são temáticas no podcast "Lá na Frente"

Idealizado pelo escritor e roteirista Márcio Andrande, podcast trata com leveza assuntos delicados por meio do pequeno Pedro, personagem central das narrativas

Foto: Rodrigo Sarmento/Divulgação

Pedro mora na periferia de Olinda. Aos seis anos de idade enfrenta dilemas (impróprios?) em uma fase que deveria ser tomada por brincadeiras e encantamentos, a infância.

Mas a morte da irmã, ainda na barriga da mãe, em decorrência de um aborto espontâneo o surpreende. Ele também começa a lidar com vontades de, por exemplo, usar roupas e maquiagens para brincar de apresentadora em um imaginário talk show televisivo. 

Pedro é um personagem ficctício do “Lá na Frente”, um podcast storytelling infanto-juvenil idealizado pelo escritor e roteirista pernambucano Márcio Andrade mas, para além do devaneio que ilustra os episódios – disponibilizados nas plataformas digitais - o pequeno protagonista traz à tona um papel que se encaixa do lado de cá, no mundo real: reflexões de narrativas delicadas e por vezes esvaziadas do universo infantil. Esse é o mote do projeto em formato de minissérie radiofônica, pensado com o intuito de abordar com leveza conflitos que integram o imaginário dos pequenos. 

 

“Era relevante falar a respeito pela dificuldade de como os adultos interpelam determinados assuntos e isso fica claro em todos os episódios. A criança entende que o complicado não é ela, mas o fato de os adultos não saberem se comunicar, falar dos próprios medos. E os diálogos foram iniciados a partir dessa condução”, explica Márcio.

Com duração de 15 minutos em cada um dos cinco episódios, “Lá na Frente” - fomentado pela Lei Aldir Blanc – permeia pelo tom lúdico para passear por entre as vivências do personagem que é acolhido por diálogos e contribuem na construção de identidades dentro de todo um universo de descobertas.

Ficção + Realidades
“Quando estava escrevendo as temáticas, que foram surgindo a partir da construção dos personagens (mãe e filho), eu achava interessante, por exemplo, a pergunta central que move os episódios de como é perder uma pessoa. Apesar de ser ficcional, houve um ponto de partida real há um tempo, com uma amiga que tinha uma irmã grávida que perdeu o bebê em um aborto espontâneo. Acompanhei esse processo de sofrimento e passei a imaginar tudo isso dentro de uma escrita de reflexão que pudesse contribuir com o luto a partir do olhar de uma criança”, conta Márcio.

Assim como a percepção de morte do personagem, Pedro também não entendia de onde vinha a culpa que carregava quando usava peças de roupas da mãe. Um outro ponto abordado com leveza na narrativa: a identidade de gênero, assunto que fez parte da narrativa do próprio autor. 

“As demais coisas que passam nas histórias, embora ficcionais, integram parte de minha biografia. Assim como Pedro eu morei na periferia de Olinda e apesar de não usar roupas nem maquiagem de minha mãe, gostava de fazer cabelo com uma toalha, de brincar de apresentadoras de TV. Ambientes que vão aparecendo na história e tem muitos elementos atravessados do meu próprio universo”, complementa Márcio, que escolheu o formato para explorar uma mídia ainda pouco pensada e consumida pelos pequenos.

“Gosto de animação e me interesso por formas de comunicação com crianças. Existem poucos produtos radiofônicos para o público, e o podcast é uma possibilidade de criar um produto narrado com começo, meio e fim”.

Disponível gratuitamente no Spotify, no Deezer e no site e redes sociais da Combo Multimídia (www.combomultimidia.com), “Lá na Frente” também pode ser explorado em videocasts em Libra no canal do Youtube da produtora e, em um futuro quiçá próximo, deve se desdobrar em outros formatos.

“Levar adiante a história, depois dessa primeira versão, é uma ideia. Como um curta de animação e/ou como livro também. Explorar outras narrativas dentro deste universo, me interessa”, pontua o autor, à frente também de outros conteúdos como as revistas digitais F(r)icções e Quarta Parede.

 

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