Em vídeo dedicado a Flávio Migliaccio, Lima Duarte relembra Ditadura Militar

'Agora, quando sentimos o hálito putrefato de 64, o bafio terrível de 68, agora, 56 anos depois (...) não podemos mais', disse o ator em um dos trechos do video

Lima Duarte, atorLima Duarte, ator - Foto: Reprodução

Lima Duarte, aos 90 anos, se mantém lúcido, firme e forte ao relembrar os sombrios dias de 1964, da Ditadura Militar, do DOI-COD e da repressão à cultura. Mais precisamente a época em que ele e o saudoso Flávio Migliaccio viveram os tempos difíceis, trazidos à tona por ele em video publicado no YouTube, nesta terça-feira (5), como forma de homenagear o amigo - encontrado morto em seu sítio, no Rio de Janeiro, na última segunda-feira (4).

"Eu te entendo, Migliaccio, porque eu, como você, sou do Teatro de Arena, com Paulo José, Chico de Assis, com o (Gianfrancesco) Guarnieri. Foi lá que aprendemos com o (Augusto) Boal que era preciso, era urgente que se pusesse o brasileiro em cena", diz parte do trecho do depoimento emocionado dedicado ao amigo, que  deixou uma carta de despedida cujo teor remete à sua decepção pelo que se tornou a humanidade, mais detidamente ao desprezo a que os idosos estão "condenados" no Brasil atual.

"Me desculpem, mas não deu mais. (...) A humanidade não deu certo. A impressão que foram 85 anos jogados fora num País como este e com esse tipo de gente que acabei encontrando", dizia parte dos escritos deixados por Migliacco e corroborados por Lima Duarte, no vídeo, como uma forma de resposta aos sentimentos expostos pelo amigos antes de ter ceifado sua própria vida.

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"Agora, quando sentimos o hálito putrefato de 64, o bafio terrível de 68, agora, 56 anos depois, quando eles promovem a devastação dos velhos, não podemos mais. (...)". Ao final do vídeo, de quase cinco minutos, Lima Duarte se voltou com contundência para "Os Fuzis da Senhora Carrar", do dramaturgo Bertolt Brecht, com o seguinte trecho: "Os que lavam as mãos, o fazem numa bacia de sangue".

 Assista ao vídeo, na íntegra:


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