Encontro de Coco reúne grupos de cultura popular na Torre Malakoff

Grupos de coco do Recife, Olinda, Arcoverde e outras cidades do interior se apresentam de de sexta-feira (6) até domingo (8), no Bairro do Recife

Encontro Estadual de Coco acontece na Torre MalakoffEncontro Estadual de Coco acontece na Torre Malakoff - Foto: Jan Ribeiro/Secult-PE

De sexta-feira (6) até domingo (8), é dia de dançar coco no Bairro do Recife. O ritmo, que é um dos mais populares de Pernambuco e se apresenta em diversas modalidades (samba de coco, coco de praia, de trupé, de roda, de São João), vai ser celebrado na Torre Malakoff, durante o Encontro Estadual de Coco. 

As apresentações vão das 17h às 21h30 e o evento conta com o apoio da Secretaria de Cultura de Pernambuco/ Fundação de Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Secult-PE/Fundarpe), que procuraram garantir a participação de artistas de praticamente todos os estilos do coco, vindos de todas as regiões, trazendo oportunidade de se apresentar fora do período carnavalesco. Haverá 31 grupos do Recife, de Olinda, de Arcoverde e outros municípios.
"Pernambuco tem uma história respeitada por sua cultura de tradição, e existem muitas manifestações que já há algum tempo ocupam um lugar diferenciado, como o frevo e o maracatu. De uns anos para cá, o coco também vem ganhando uma maior dimensão. Ainda não estamos no patamar ideal, mas atingimos um lugar respeitável e digno. Esse encontro é um momento para podermos comemorar, juntando mestres antigos e novos", diz Adiel Luna, que se apresentará no sábado (7).
Segundo o coquista, o ritmo é a única herança afro-indígena que pode ser encontrada em todas as regiões de Pernambuco, "da beira da praia ao alto São Francisco", e está conseguindo visibilidade fora do estado. "Estive viajando o Brasil todo através de um projeto chamado Sonora Brasil, do Sesc nacional, e conheci grupos de coco em São Paulo, em Goiás, no Pará, no Rio Grande do Sul... Hoje tem coco até na Austrália!", comemora. "Havia uma grande quantidade de mestres que estavam silenciados e estão tendo mais protagonismo", aponta ele. Diante de tudo isso, os três dias de encontro são uma chance única para prestigiar, aprender e se divertir.
Serviço
Encontro Estadual de Coco 2018
Sexta-feira (6), sábado (7) e domingo (08), a partir das 17h
Torre Malakoff (Praça do Arsenal, Bairro do Recife)
Entrada gratuita

Confira abaixo a programação:
SEXTA-FEIRA (6)
17h - Grupo de Coco Infantil Sabrina do Coco
17h30 - Grupo Cultural Indígena Fetxhá
18h - As Netas de Selma do Coco
18h30 - Coco Vermelho
19h - Coco de Praia
19h30 - Coco do Mestre Zezinho
20h - Coco do Pneu
20h30 - Coco Chinelo de Iaiá
21h - Mestre Jujuba do Coco
21h30 - Dona Del do Coco
SÁBADO (7)
17h - As Filhas do Coco
17h30 - Mestre Beto Santos e Coco Pé no Chão
18h - Coco do Mestre Juarez
18h30 - Gervásio do Coco
19h - Grupo Pedagogia do Coco
19h30 - Coco de Pontezinha
20h - Grupo Coco de Fulô
20h30 - Samba de Coco das Irmãs Lopes
21h - O Coco e a Resposta
21h30 - Adiel Luna
DOMINGO (8)
16h30 - Grupo de Coco Raízes
17h - Coco de Roda Raio de Luz
17h30 - Coco de Roda Popular de Fortaleza
18h - Coco de Seu Mané
18h30 - Coco de Roda Panela de Barro
19h - Batuque das Morenas
19h30 - Arnaldo do Coco
20h - Pacheco Cantador
20h30 - Mano de Baé
21h - Cila do Coco
21h30 - Coco do Amaro Branco


Saiba mais sobre alguns dos grupos participantes (Fonte: Secult-PE/Fundarpe):

BANDA CULTURAL INDÍGENA FETHÁ
Criada em 1990, por membros da Tribo Fulni-ô de Águas Belas-PE. Apresenta o samba de coco das tradições indígenas. É dirigida pelo mestre do pífano e compositor Matinho.

GRUPO AS NETAS DE SELMA DO COCO
Formado por Jaqueline, Poliana, Sabrina, Camila e Gabriela, o grupo surgiu em 2013, quando Dona Selma ainda era viva. Mantém na comunidade do Amaro Branco em Olinda, o Instituto Cultural Mestres de Pernambuco em homenagem a Dona Selma, a eterna rainha do Coco, onde ensinam coco, ciranda e maracatu.

GRUPO COCO DE PRAIA DE OLINDA
Nascido em 2005, surgiu com o objetivo de enriquecer o Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado de Pernambuco, mostrando as raízes culturais do litoral, sua musicalidade alegre, seu ritmo encantador e seu aspecto elegante de apresentar-se. Fez temporadas na França, Inglaterra e Itália.

COCO DO MESTRE ZEZINHO
Fundado em 2011, por Roberto Cocada, em homenagem ao seu tio Zezinho Valério, precursor do coco em Pontezinha-Cabo. Roberto Cocada foi mestre do Coco de Pontezinha e um dos ícones do folguedo na região. O grupo apresenta-se sob a direção de Jefferson Souza "Fofo", compositor, vocalista, percussionista e filho de Roberto Cocada.
ADIEL LUNA
Nascido em Tiúma, Adiel é coquista, sendo considerado hoje o único representante da renovação do coco de São João. É também violeiro, cantador e cordelista. Em 2010, ganhou o primeiro lugar do prêmio Festival Pré-Amp e a oportunidade de gravar o seu primeiro CD, intitulado “O Camará”.

COCO DO PNEU
Legado do saudoso Ivo da Janoca, que em uma de suas pescarias, recolheu na praia do Janga um pneu de avião e levou para o bairro do Amaro Branco. Ivo colocou o pneu sob uma árvore para servir de banco à turma que se reunia em volta do mesmo para beber, comer, cantar e sambar cocos. Deste fato pitoresco nasceu, em 1989, o Coco do Pneu. O pneu já nem existe mais, naquele local, apenas um desenho no muro que compõe a estrutura do salão onde o coco é organizado pelo mestre Lú, filho de Ivo da Janoca e herdeiro da brincadeira.

GRUPO DE COCO CHINELO DE IAIÁ
Sua trajetória foi iniciada há mais de 40 anos, pela saudosa mãe Vadinha. Legado que os filhos de Dona Vadinha mantêm há cerca de 15 anos, o Chinelo de Iaiá também possibilitou a origem do Ponto de Cultura Galpão do Vira, situado em Dois Unidos. O Coco Chinelo de Iaiá apresenta-se sob o comando de Laurinete Moraes.

DONA DEL DO COCO
Nascida na Zona da Mata de Pernambuco, a artista herdou dos pais e avós a arte da cultura musical. Na infância ela já cantava enquanto trabalhava. Após passar nove anos no Rio de Janeiro, nos anos 1980 ela voltou para Pernambuco onde passou a compor suas músicas.

COCO DE RODA RAIO DE LUZ
O Coco de Roda Raio de Luz, um dos representantes da Cultura do Coco ‘Amazurcado’, praticado e difundido na cidade de Lagoa de Itaenga-PE, foi criado no ano 2000, por Mestre Nieto. Goiana, Araçoiaba, Condado, Garanhuns, Tracunhaém, Recife, Olinda e Brasília-DF são algumas das localidades onde o grupo já se apresentou.

SAMBA DE COCO IRMÃS LOPES
Nomeado como Samba de Coco Irmãs Lopes no ano 2000, o grupo tem sua história com o coco iniciada em 1916 com a criação do Coco do Ivo (Lopes). Após a morte de mestre Ivo, seus irmãos criaram o Samba de Coco Raízes de Arcoverde, de onde as irmãs Lopes saíram e criaram um novo grupo. Sob o comando da mestra Severina Lopes atualmente com 82 anos de idade, o grupo conta com 16 integrantes e vem somando novas referências. Já gravou dois discos intitulados “Anda a Roda” e “Meus Canário Cantadô”.

COCO DE SEU MANÉ
Foi criado em 2006, por Mestre Ulisses, um dos 13 filhos de Seu Mané. O grupo participou de vários Festivais e Encontros de Coco realizados no Brasil, dentre eles o de Música de Raiz, em Campina Grande-PB. Tem um CD gravado, se apresenta sob o comando do Mestre Ulisses.

COCO DE RODA PANELA DE BARRO
Criado em março de 2013, por Jeilza Maria da Rocha (Mestra Jel do Coco), que desde criança participa da cultura popular pernambucana. Mestra Jel do Coco e seus familiares também integram o Maracatu Leão Misterioso de Tracunhaém e Ciranda Misteriosa deste município.

ARNALDO DO COCO
O cantor e compositor Arnaldo do Coco nasceu no Recife e criou-se no Amaro Branco, em Olinda. Compôs para Zeca do Rolete, Aurinha do Coco, Grupo A Cocada e outros artistas nordestinos. Em 2012, participou do projeto Caravana do Coco e da Ciranda na Europa. Com seu grupo ele se apresentou em Londres, Paris e Itália.

MESTRE PACHECO CANTADOR
Nascido no Recife, Pacheco integrou o grupo dinamarquês “Guerra e Paz”; e as bandas “Yes Brasil” e “Axé Brasil”. Em 1997, foi para a Alemanha, onde trabalhou com capoeira, afoxé, pagode e samba. Em 1998, voltou a Olinda e gravou o CD intitulado ”Angoleiros de Olinda”, e continuou com seus trabalhos culturais em escolas de Sitio Histórico, Ouro Preto e Peixinhos.

MESTRE MANO DE BAÉ
É um poeta, artesão e coquista da Zona da Mata Norte, que desde muito jovem demonstra com suas mãos e o pandeiro a arte de rimar. Sua luta pela divulgação e valorização da cultura popular pernambucana o fez entrar no cenário da cultura popular de raiz ao lado de outros mestres cantadores.

DONA CILA DO COCO
Com mais de 30 anos de vida artística Dona Cila começou a cantar no Coco de Umbigada do Guadalupe. Participou dos projetos Ciranda de ritmos e Sexta da Véia, no Recife e Olinda. Também participou da turnê de lançamento do CD “Cantando com os Garotos”, na Bélgica, Espanha, Croácia e Japão. Tem discos gravados.

COCO DO AMARO BRANCO
Projeto musical que envolve importantes mestres e discípulos de um coco tradicional que acontece no Amaro Branco em Olinda, há mais de 100 anos. O grupo gravou CDs e DVDs e já fez diversas temporadas em capitais e cidades brasileiras e também no exterior.

COCO DO MESTRE JUAREZ
Natural de Barreiros, Zona da Mata Sul de Pernambuco, Mestre Juarez vive em meio às rodas de coco desde menino, influenciado por seu pai, avô e tios, todos eles paraibanos e cantadores de coco. Junto com seu grupo ele apresentou-se no Festival de Inverno de Garanhuns, Alafia em Goiana, Encontros de Coco e palcos do Grande Recife.

MESTRE BETO SANTOS E COCO PÉ NO CHINELO
O Grupo Mestre Beto Santos e Coco Pé no Chinelo foi fundado pelo Mestre Coquista Beto Santos, figura bastante conhecida nas rodas de coco do Nordeste. Já participou de importantes eventos culturais realizados na região. Tem discos gravados.

MESTRE GERVÁSIO DO COCO
Nascido em Olinda-PE, Mestre Gervásio canta coco desde os dez anos de idade. Além da sua terra natal, já se apresentou em Igarassu, Cabo de Santo Agostinho e Paulista. Participou de vários Encontros de Coco realizados nas capitais e em outras cidades brasileiras.

GRUPO COCO DE PONTEZINHA
Há quase um século, no Alto Santa Rosa, na cidade do Cabo-PE, teve início a brincadeira do coco organizado por Dona Véia. A tradição foi herdada por Zezinho Varelo, Zé Grandão, Antenor e Dona Dalva que, por décadas, conduziram as sambadas. O brinquedo passa de pai para filho e hoje é motivo de orgulho para a comunidade local e suas matrizes culturais.

GRUPO “PEDAGOGIA” DO COCO
Criado em 2013, pelo historiador e Maestro Ataíde, o "Pedagogia do Coco", original de Olinda, vem com sua música preservar o patrimônio cultural imaterial.

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