"Enraizado" e o debate sobre a diversidade humana

O espetáculo mistura música, poesia e performance. A estreia será neste domingo (20), no espaço O Poste,

Ciel Santos, ator, músico, bailarino e compositorCiel Santos, ator, músico, bailarino e compositor - Foto: Diego Cruz/Divulgação

“Enraizados” debate a diversidade do ser humano em curta temporada no espaço O Poste. O projeto surgiu da inquietação do cantor, ator, bailarino e compositor pernambucano Ciel Santos sobre as definições do humano. “Mulher? Homem? Viado? Sapatão? Humanos. Somos humanos”, diz.

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Dividido em dois atos, o espetáculo conta com 16 músicas, sendo a maioria delas autorais e compostas exclusivamente para o projeto. O show, para maiores de 16 anos, estreia neste domingo (20) e fica em cartaz neste e nas próximas duas semanas, dias 27 de agosto e 3 de setembro, sempre às 17h. Ingressos custam R$ 30, com direito a meia-entrada. 

Entrevista // Ciel Santos

Com que tipos de resposta o público pode sair da sala depois de "Enraizados"?

Não sairá com respostas, mas com um bocado de questionamentos. A sociedade não está preparada para ser como realmente é, ainda é muito difícil ser na sua pura essência, ser na sua verdade. E há muitas pessoas sofrendo por não conseguirem ser elas mesmas.

O cartaz (do espetáculo) incomoda muita gente. Não gostam da nudez. Têm medo do corpo.

O que você acha que leva as pessoas a terem esse problema com o corpo?

O corpo remete a sexualidade, a algo que a gente “quer” que se mantenha escondido. Principalmente a sexualidade feminina. “É um corpo só para a reprodução”, “senta direito, se comporta feito mocinha”... algumas mulheres são educadas a terem medo do próprio corpo, a ter nojo, não querer se conhecer. Somos educados para ter limites o tempo todo.

Por que esse título “Enraizado”?

No espetáculo eu faço o paralelo do ciclo da planta com o meu crescimento artístico, é onde eu quero mostrar as minhas raízes, as minhas histórias. Eu mesmo já fui contra a minha natureza. Tenho uma voz andrógina, e me diziam o tempo todo “engrossa a voz, canta como homem”, e eu acreditei nisso. Hoje não mais. Eu me aceito da forma que sou.

Ter raízes dá liberdade?

Dá. As suas raízes são as suas verdades, quando você se dá bem com você, você aceita quem você é. Suas raízes são o seu suporte. Com elas fortes, você vai se construindo e daí só vai nascer flores.

E quais são suas raízes?

Eu sou do interior, filho de agricultores. Sou de Bezerros, de pais semianalfabetos, mas que me amam muito, que sempre respeitaram as minhas escolhas artísticas.

Eu sou formado em música erudita pelo Conservatório de Música Pernambucana, mas minha formação original é a cultura popular. Fui ator e bailarino do Papanguarte, de Bezerros. Então trago essa mistura e a amo.

Quais seus outros trabalhos?

Lancei um EP, em 2015. “Livre”. São oito faixas, cinco delas autorais. Todas estão disponíveis no Soundcloud e alguns hits estão no YouTube.

A direção musical é de Mauricio Cezar, que também assume o teclado e sanfona; Del Lima no baixo acústico e violão; George Rocha na percussão e Silva Barros na bateria. Você já trabalhou com eles antes?

Já vinha trabalhando com eles, há um ano, na minha carreira solo. E eles abraçaram o projeto com muito carinho.

O espetáculo tem 16 músicas, e quase todas são autorais. Quais não são? E quais são elas?

Duas das músicas são autorais, mas não são minhas. Uma é da Catarina Rosa e a outra é do Uel Borges. Duas não são autorais, uma é uma ópera, que eu não vou dizer qual é para não estragar a surpresa e a outra é “Um ponto de pomba-gira”. Ambas estão em domínio público.

As outras 14 são minhas. Eu estava escrevendo para que elas tivessem uma ligação, uma narrativa. Quando vi, tinha um espetáculo e preferi não esperar, fiz acontecer.

O espetáculo traz música, performance e textos. Dá para defini-lo? É musical, peça...

Não (risos). É um espetáculo misto, híbrido. Texto e música se completam. E tem a performance também. Mas é um espetáculo essencialmente musical. Vou tentar realizar (o espetáculo) por todo o Brasil. Três apresentações é pouco. E depois, espero lançar em CD, as músicas. 

Serviço:
"Enraizado", de Ciel Santos
Dias 20, 27 de agosto e 3 de setembro, às 17h
No espaço O Poste,  rua da Aurora, 529, Boa Vista
Ingressos: R$ 30, com direito à meia-entrada 
Informações: (81) 3032-1070

 

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