Entrevista: Alceu Valença revela projetos futuros e fala sobre Grande Encontro

Músico se apresenta ao lado de Elba Ramalho e Geraldo Azevedo nesta sexta, no Classic Hall

Alceu, Elba e GeraldoAlceu, Elba e Geraldo - Foto: Marcos Hermes/Divulgação

Mais de 20 anos após a gravação do primeiro registro ao vivo, Alceu Valença, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo revivem a turnê "O Grande Encontro" em show que rendeu DVD ao vivo, e que passa pela segunda vez pelo Recife nesta sexta-feira (2), quando o trio sobe ao palco do Classic Hall.

A casa de shows arrecadará alimentos não-perecíveis durante a apresentação, em auxílio às vítimas das enchentes. A iniciativa, tomada em conjunto com a Secretaria de Turismo, também visa reverter parte da renda dos ingressos, vendidos a R$ 30 + 2kg de alimento, para os necessitados.

A tour marca os 20 anos de lançamento do álbum que reuniu os três artistas, e ainda Zé Ramalho, que não se apresenta no show atual, mas que será lembrado através de composições como “Frevo Mulher”. A abertura ficará por conta de Nando Cordel.

Em entrevista à Folha de Pernambuco, Alceu Valença contou sobre o reencontro do trio nos palcos, e ainda adianta detalhes de seus projetos futuros. Confira:

Entrevista >> Alceu Valença

Você deve ter acompanhado que o show do "Grande Encontro" no Recife está promovendo ação solidária às vítimas das enchentes no Estado. O que acha da importância desta iniciativa?
Ações como estas são fundamentais. Em 2010, houve uma reunião entre nós no chamado “Grande Encontro da Solidariedade”, que também se destinava às vítimas das chuvas em Pernambuco, naquele ano. O show aconteceu no Teatro Guararapes e o resultado foi muito positivo. Os alicerces de nossa arte são totalmente fundamentados no grande manancial criativo nordestino, em suas festas, suas celebrações, e, por isso mesmo, precisamos nos disponibilizar inteiramente nos momentos de dificuldade. “Tomara, meu Deus, tomara, uma nação solidária”, como digo na letra de uma das minhas canções.

Em quase um ano na estrada, esta é a segunda vez do "Grande Encontro" no Recife. O que mudou ou amadureceu no show de lá pra cá?
Estreamos o show no Rio, em setembro, gravamos um DVD no mês seguinte em São Paulo e nos apresentamos no Recife no começo de dezembro. Foi muito emocionante para nós apresentar o show no Recife. Acredito que o espetáculo agora retorna mais elaborado, com mais rodagem. Recife é a nossa casa e não há nada que me dê mais prazer do que estar no palco, principalmente quando canto para o meu povo de Pernambuco, meus irmãos, meus amigos, minha família. "O Grande Encontro" é naturalmente uma grande celebração em família.

Você também está confirmado em programações de São João pelo Interior do Rstado. Como deve ser o formato desses shows?
Tenho diversos tipos de show. Show com banda, com orquestra de câmara, show acústico, tenho shows de frevo e São João. Como nasci numa região próxima ao Sertão, cresci escutando as mesmas influências que levaram Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro a formatarem seus estilos. Meus shows sempre têm um quê de forró, de xote, de baião, de embolada, que formam a trilha sonora das festas juninas no Nordeste. Canções de minha autoria, como "Coração Bobo", "Embolada do Tempo" ou "Cavalo-de-Pau" possuem este tipo de influência, com uma sonoridade contemporânea. Também canto temas de Gonzaga e Jackson. Este ano, já estamos confirmados em Caruaru, Arcoverde, Agrestina, também em Aracaju e no Piauí.

Nesta turnê, ver composições suas interpretadas por Elba e Geraldo de certa forma muda sua visão sobre as músicas?
Nos conhecemos há cerca de 40 anos, temos uma identidade muito próxima. Foi Geraldo quem me incentivou a seguir na música, quando eu ainda hesitava entre a arte e o Direito, no início da década de 1970. É meu parceiro em “Táxi Lunar”, “Caravana”, “Talismã”, sou padrinho de sua filha, sempre fomos muito ligados. “Me Dá Um Beijo”, que está no espetáculo, foi originalmente gravada no nosso primeiro LP, “Quadraphônico”, que lançamos em dupla, em 1972. No mesmo ano, defendemos ao lado de Jackson do Pandeiro minha música “Papagaio do Futuro” no Festival Internacional da Canção. Fazemos uma homenagem a este momento na versão atual do "Grande Encontro". Já Elba é uma das melhores intérpretes femininas das minhas músicas, também amiga de muitos anos. “Ciranda da Rosa Vermelha”, que cantamos juntos no show, é um dos meus grandes sucessos em sua voz.

E da sua carreira solo, o que planeja lançar nos próximos anos?
Acabo de lançar o CD/DVD “Vivo Revivo”, que gravei ao vivo no Teatro de Santa Isabel, com meu repertório dos anos 1970. São músicas cheias de metáforas e psicodelia, redescobertas por uma nova geração de fãs. No meio do ano, canto em Boston, faço uma palestra em Harvard, onde estudei antes de me tornar artista profissional. No segundo semestre lanço um novo show, “Anjo de Fogo”, que reúne minhas muitas vertentes: frevo, forró, grandes sucessos, músicas de várias fases de minha carreira e algumas surpresas!

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