Entrevista: Carol Levy lança DVD com clipes do projeto 'Contarolando'

Artista Carol Levy, que faz trabalho de música e contação de histórias para crianças, lança novo trabalho neste domingo, no Poço da Panela

Carol Levy, cantora e contadora de histórias Carol Levy, cantora e contadora de histórias  - Foto: Andrea Leal Fotografia/Divulgação

Carol Levy sempre foi inquieta e tentou direcionar suas energias para o caminho da criatividade, desde a infância. Depois de adulta, seguiu pelo caminho da Publicidade, mas sentia falta de algo mais para sua vida e carreira, fazendo, aos poucos, da contação de histórias e da música para crianças uma trama que acabou por lhe inundar de novas possibilidades.

Em busca de conquistar fãs em todo o Brasil, a artista lança o DVD do projeto "Contarolando", em evento neste domingo (14), das 15h às 18h, no Quintal Como Antigamente, no Poço da Panela, Zona Norte do Recife (avenida Dr. Seixas, 48).

A entrada está sujeita à lotação do espaço, que tem capacidade para 100 pessoas. No trabalho, ela reuniu 18 músicas, que caíram no gosto da meninada e da família, a exemplo de "Frutas pra passear" e "Bicho do dente", além de "Lobo Legal". No dia do evento, das 9h às 11h, no local, serão distribuídas pulseirinhas, de cores diferentes, divididas em quatro grupos.

O Grupo X vai curtir a festa das 15h às 15h40, o Grupo Y das 15h40 às 16h20, o Grupo W das 16h20 às 17h, o Grupo Z das 17h às 17h40 e o Grupo XX, das 17h40 às 18h20. O novo DVD já está em pré-venda, pelo site da artista. E, no dia do evento, irá custar R$ 35.

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Na semana passada, Carol Levy esteve em São Paulo, e teve um encontro com Hélio Ziskind, famoso compositor de músicas infantil e das trilhas de "Castelo Rá Tim Bum" e "Cocoricó"; ela também fez participação especial no programa "Quintal da Cultura". Para nos contar um pouco sobre a trajetória e tratar de temas como a sua opinião sobre a infância de hoje, diante de tantas telas e redes sociais, Carol Levy respondeu a algumas perguntas, em entrevista para a Folha de Pernambuco.

Quando você teve a certeza de que gostaria de fazer um trabalho voltado ao público infantil?

Minha certeza de trabalhar com criança se deu quando eu me encantei pela literatura infantil. Antes, eu sempre soube que queria ser cantora e sempre cantei quando criança, fiz vários cursos, inclusive fiz canto livre no Conservatório [Pernambucano de Música], já tive banda também, mas eu não me achava, não achava a forma de me comunicar através do canto. Daí, quando eu resolvi contar histórias, eu não pensei primeiramente em contar histórias para crianças, eu só queria contá-las. Mas, quando eu fui fazer algumas buscas, vi que só me interessava pela literatura infantil. Antes disso, o primeiro livro que encontrei quando cheguei na livraria para fazer a pesquisa foi o livro de Chico Buarque, "Chapeuzinho Amarelo", isso também por causa da ilustração feita por Ziraldo.

A obra estava solta em cima de uma mesa, a ilustração me chamou a atenção e eu resolvi ler. Quando eu li, fiquei encantada com a forma de trabalhar o medo com as crianças, trabalhar todos os personagens que assustam, de minimizar de alguma forma como você combate e enfrenta os medos. Eu percebi que por trás da literatura infantil boa, tem muitos ensinamentos e auxílios para as crianças. Depois disso, eu parti para o segundo desafio: descobrir se eu tinha jeito para trabalhar com crianças. Eu realmente achava que não tinha, mas a minha certeza veio daí, eu tive a plena convicção do que eu queria.

Como foi planejado o novo DVD? O que ele representa dentro de sua trajetória artística? São quantos anos de estrada já?

O DVD "Contarolando" é uma forma de manter vivo o programa, na verdade, o conteúdo especial que foi feito nessas duas temporadas do programa. Ele foi exibido todos os sábados na Globo. A primeira temporada durou mais ou menos três meses e a segunda, mais ou menos dois meses e meio. Foram duas temporadas de sucesso de audiência e a gente ficou com esse conteúdo guardado. O musical estava guardado, as histórias ainda estão, quem sabe a gente não faz alguma coisa com elas? Mas, de inicio, nós resolvemos iniciar através das músicas, transformar isso em um produto para que as crianças possam acessar e os pais possam fornecer esse conteúdo para as crianças porque, para mim, tudo o que a gente faz para uma criança tem de ser de uma forma cuidadosa e pensando em como elas vão receber.



Assim, nossas músicas, além de terem um papel educativo, onde eu sempre busco temáticas ricas para as crianças, musicalmente são um produto também muito bem feito. A gente tem bastante cuidado porque, primeiro, a gente acredita nisso, independentemente do conteúdo ser para criança, em um trabalho bem feito e de qualidade e também porque tem estrutura melódica e harmônicas ricas. Do mesmo jeito que eu sou uma contadora de histórias, e ajudo a formar um leitor, eu sou uma cantora que busco formar um conteúdo musical e cultural de qualidade para essas crianças. Então, para mim, é de extrema alegria ter esse conteúdo musical disponível para mais crianças através do DVD.

Sobre sua passagem recente por São Paulo, o que pode render do encontro com Hélio Ziskind, famoso compositor de músicas infantil e das trilhas de "Castelo Rá Tim Bum" e "Cocoricó"?

Essa ida para São Paulo, para mim, foi a mais proveitosa diante de todas as vezes que já fui, não sei se é porque aqui é uma fã falando, mas não é só isso... Eu tenho tido grandes encontro de grande importância em São Paulo. Hélio Ziskind, para mim, é uma enorme referência nessa área infantil. Digo infantil, porque ele tem um foco muito grande nessa área, mas ele é um músico espetacular e um compositor muito bom. Como eu o conheci através de seu trabalho para o público infantil, ele é minha maior referência. Ele foi muito gentil e generoso.

Eu tenho uma amizade muito grande com Beth, que é a editora do "Quintal da Cultura" e nos apresentou. Ela fez essa ponte e quis nos apresentar. Eu já tinha falado dele para ela. Quando nós conversamos e trocamos ideias, percebemos que temos muitas vontades e pontos em comum. Eu não posso dizer muito mais do que isso. Essas são coisas que acontecem de maneira muito orgânica e verdadeira. O que eu posso dizer é que foi uma visita bacana, proveitosa e especialíssima para mim. Nós iremos voltar a nos falar, trocar ideias, e quem sabe pode sair mais alguma coisa daí.

E o que te serve de fonte de inspiração?

Para mim, a grande referência de música infantil é Hélio Ziskind, a Palavra Cantada também e um grupo que tem muita coisa genial, Bia Bedran é uma grande contadora de histórias, que sabe muito bem usar a dinâmica das histórias a favor dela e as músicas também. Eva Furnari é uma grande escritora, ela tem muito senso do humor, Ana Maria Machado nem se fala, Ruth Rocha, Clarice Lispector também traz um conteúdo infantil muito rico e eu me diverti lendo a forma tão erudita e burilada com que ela faz o texto. São muitas referências, tem muita gente boa, graças a Deus.

Você consegue impor o limite para o uso de tela num mundo hiperconectado a seus filhos?

Sim, eu dou limite aos meus filhos. Olívia vai fazer dois anos e dois meses. Só agora é que eu comecei a deixar ela assistir à televisão. Eu não ligo, nem deixo ligarem a TV para ela, mas, às vezes, eu mostro. Acho que mostrei o desenho do Pocoyo para ela três vezes apenas. Assim, eu realmente sou contra crianças pequenas assistirem à televisão. Existem inúmeros estudos científicos mostrando que não se deve apresentar as telas para as crianças antes dos 2 anos. Assim como as telas, tudo em excesso é ruim. Mas eu percebi muito claramente, com a experiência da minha filha mais nova, que a não apresentação das telas, a transformou em uma leitora assídua. Muito mais do que Bento, por exemplo.

Ele consumiu muito mais telas (quando eu digo telas, me refiro a televisão e não iPad, celular - pois eu acho muito ruim) desde bebê, por volta dos 9 meses. Eu não colocaria hoje ele assim em frente à televisão, porque eu acho que não é legal. A criança fica muito presa, hipnotizada, parada, enquanto deveria estar no chão, fazendo montagens, empilhando caixinhas, metendo a mão na terra e através dos estímulos sensoriais desenvolver o cérebro, e não através da televisão, que não é um estímulo ideal. Não, eu não sou a favor de crianças até os dois anos em frente às telas.

Carol Levy, cantora e contadora de histórias

Carol Levy, cantora e contadora de histórias - Crédito: Andrea Leal Fotografia/Divulgação



Minha filha sabe realmente os livros pelo nome e pede para lê-los. Minha filha é uma leitora e isso é impagável. Bento gosta, mas não tem essa vontade que Olívia tem. Eu acredito que com a tela fica difícil de disputar, isso não quer dizer, por exemplo, que porque uma criança acessa as telas, ela não vai querer ler livros, até porque você é quem oportuniza. Só a oportunidade que você está dando ao seu filho de sentar com um livro na mão, ele vai achar mais legal do que ficar de frente para a TV. Isso porque a partilha e a troca de afetos nesse momento é especial. Acho que até para crianças maiores também, devemos escolher ao que eles estão assistindo. Meu filho não assiste a tudo porque eu não deixo ele assistir a todos os programas infantis que tem. Não deixo a Netflix livre para ele. Lá em casa, não tem canal aberto nem fechado, porque a gente também não quer que ele assista desenfreadamente. Isso é questão de controle. Todas crianças precisam de limites e regras, e cada pai vai ter o bom senso de estabelecer isso.

São eles (seus filhos) sua maior fonte de inspiração?

As crianças são uma das maiores inspirações, mas não são a única. Quando eu fiz o trabalho, eu não tinha filhos. Lancei o primeiro DVD e Bento tinha 8 meses. Hoje meus filhos são uma grande inspiração, a partir deles... principalmente com Bento que é o mais velho e temos mais tempo brincando com ele do que com a Olívia, muitas músicas já surgiram com eles, através das brincadeiras. "Ventilador de Teto" e "Frutas para Passear", por exemplo, surgiram em uma brincadeira com Bento. As crianças são uma fonte de inspiração, os estudos, as leituras sobre o assunto são fontes de inspiração, muito mais que os meus filhos. Ter crianças ao redor e meus filhos por perto é excelente, porque eles acabam servindo como teste, através das brincadeiras que surgem e podem se tornar conteúdo para outras crianças.

Hoje mesmo eu estava dando café da manhã para a Olívia quando surgiu o trecho de uma música, eu sai correndo e gravei. E isso acontece muito. Eu diria que a minha maior fonte de inspiração são os estudos. Eu estou fazendo uma pós agora em educação infantil e eu sempre tive isso muito comigo: inventa de fazer alguma coisa, então vai se inteirar sobre o assunto, vai estudar, não faz de qualquer jeito não. Enfim, você está escolhendo viver e fazer aquilo. Com as crianças e com o retorno muito positivo das famílias, mostrando que o trabalho muito de forma intuitiva cooperou com alguma situação familiar daquelas crianças, me acendeu algumas luzes de que eu posso fazer muito mais. A cada coisa que eu leio eu percebo como cada vez mais a gente pode se embasar para desenvolver o conteúdo.

Como foi a participação especial no programa infantil "Quintal da Cultura"?

Estar no "Quintal" é sempre um grande prazer. O programa é incrível. Eu sei o que há por trás dos bastidores, pois tenho proximidade ao pessoal que participa. A gente vê e sabe como é especial e a qualidade do programa. Todos são muito fofos, desde o elenco aos bastidores, toda a produção, o pessoal da maquiagem. É sempre muito legal. Essa é a minha quarta ou quinta participação no "Quintal" e daí vai sair um vídeo no YouTube deles. Quanto a esse, eu não quando vai sair. E também vai ter o programa mesmo, que é um episódio de uma história que eu contei. A duração do programa é o tempo da história. Foi muito legal. Eu fiz questão de não falar para Beth nem para os meninos qual era o tema da história para não estragar a surpresa. Eu queria que eles recebessem a história ali e reagissem de forma inédita. É uma história que tem realmente muita interação com o ouvinte, por isso eu não queria que eles soubessem, e realmente foi muito bonito e bacana verem eles se surpreendendo com o desenrolar da história. Assim que eu souber quando vai para o ar, eu aviso.

Como surgiu sua relação com a contação de histórias?

Eu primeiro me interessei em trabalhar com a voz e usar a narrativa oral para aumentar o meu leque de possibilidades para trabalhar com ela, porque eu sempre tive a certeza de querer trabalhar com a voz. Dublagem, vozes caricatas, locação, músicas... tudo isso eu já fazia e quando me veio essa ideia de contar história, eu fiquei muito animada com a possibilidade de trabalhar ainda mais a voz. Na hora que eu fui buscar esse conteúdo, aconteceu essa história de "Chapeuzinho Amarelo". Depois, veio a segunda surpresa de que o conteúdo deveria ser infantil, já que eu fui me encantando com as histórias e as formas delicadas e inteligentes de muitos escritores e autores trabalharem alguma questão importante da infância. Empolgadíssima com o trabalho que eu tinha pesquisado, vi como era importante, muito mais do que formar um leitor, auxiliar na organização emocional que a criança pode precisar.

Ás vezes, as crianças não têm aquela inteligência emocional para passar por aquelas coisas, ou até pelo dia a dia, para saber lidar com o bullying que sofrem na escola, ou a dificuldade que ela tem com a chegada de um irmãozinho, a separação dos pais ou mesmo a perda de um ente querido. Tudo isso é tratado nas histórias e servem como um auxílio para resolver essas questões pessoais, se identificar com um personagem. É difícil, muitas vezes, a criança olhar para si, então, nas histórias, elas olham para os personagens e veem que no final deu tudo certo e eles obtiveram uma superação, as ajuda de qualquer forma. As histórias apresentam possibilidades e isso é reconfortante.

Carol Levy, cantora e contadora de histórias

Carol Levy, cantora e contadora de histórias - Crédito: Andrea Leal Fotografia/Divulgação



E como surgiu a parceria musical com teu marido Carlinhos Borges, que tb é diretor musical dos teus espetáculos?

Minha parceria com Carlinhos surgiu antes mesmo deste trabalho. Ele já era meu parceiro musical antes desse projeto com as crianças, porque antes de trabalhar com o público infantil, eu trabalhei no estúdio e eu agradeço essa oportunidade. Foi graças a esses dois anos de estrada no estúdio que eu consegui amadurecer a minha voz e as minhas possibilidades, meu potencial de trabalho com a voz. Lá, eu comecei a fazer locuções, depois dublar, fazer voz caricata, depois coro e muitos jingles publicitários. Isso me deu muita experiência e segurança, entender como eu posso utilizar a minha voz como instrumento, porque eu tinha de explorá-la de diversas formas. Em jingle publicitário mesmo, ele exige isso de você.

Você precisa ter muita versatilidade, a depender da necessidade do cliente, a peça musical ou aquele tipo de trabalho. Então, a experiência profissional que eu tive antes, com Carlinhos na produtora Onomatopeia foi muito importante. Quando resolvi contar histórias eu, de primeira, não pensei em envolver a música. Eu fiquei mergulhada em estudar a literatura infantojuvenil e fazer uma seleção de conteúdo e repertório de histórias. Só que quando eu fui me apresentar para o público, que não eram as criancas do prédio, pela primeira vez, eu escolhi a história de "Chapeuzinho Amarelo" e me deu um estalo na mente. Carlinhos faz trilha sonora para comerciais, ele é um produtor comercial, e seu instrumento base é o teclado.. assim, eu pensei em fazer essa trilha. Quando eu comecei a contar e ensaiar em voz alta e sozinha, eu senti a necessidade de ter uma melodia por trás. Eu fiquei com esse desejo muito grande de ter a música junto.

Quando ele trilhou "Chapeuzinho Amarelo" e a gente fez a música no final ficou ótimo. O que eu acho bacana na união da trilha da música com a história é que tem trechos do livro escrito que não funcionam muito bem na linguagem oral, tem livro que não funciona contado, porque ele foi feito para ser livro mesmo. Existem outros livros que funcionam para ser contados, mas há um trechinho que quando você vai contar e fica estranho, ou você adapta, ou, no meu caso, eu faço música. Esse foi o final de "Chapeuzinho Amarelo", eu quis transformar em uma música. Quando eu pedi para Carlinhos fazer a trilha e a gente viu o resultado. Nossa! A gente viu o salto que a história teve, de como foi rico. A partir daí nunca a gente se largou. Eu fiquei feliz da vida e ele também ficou feliz com o resultado e gostou de fazer. O bom também é que o que acontece ao vivo com Carlinhos, ele é extremamente sensível, e faz a trilha de acordo com o público. Se ele vê que as crianças são mais desenroladas e menos medrosas, ele carrega na trilha, às vezes, em um momento de tensão, ele tensiona a trilha... quando estamos nos apresentando para um público mais infantil, de 0 - 3 anos, ele suaviza mais a trilha. Tudo acontece de uma maneira muito orgânica, por isso, nenhum apresentação é igual a outra. Isso é muito divertido. Ele é meu diretor musical, não artístico como um todo.

Além dos principais sucessos, como "Ventilador de teto", quais tuas outras apostas no repertório?

Eu acho que essa é a pergunta mais difícil, porque arte é algo muito particular e a gente nunca sabe como as pessoas recebem as coisas. A gente cria uma música muito mais no nosso desejo de expor alguma coisa ou expressar alguma coisa, o que isso vai acontecer a partir do outro, foge do nosso controle. O que eu posso dizer é através do retorno com as músicas no programa. "As Carolas" são muito queridas, são um trio musical, trigêmeas, cada uma com suas caraterísticas pessoais.

A amarela é mais tranquila, despojada; a Azul é mais atrapalhada, faz bobagem, é mais ingênua; enquanto a Vermelha é mais sensual, mulherão. Cada uma tem um timbre musical diferente, e são músicas com vozes contrapostas, sobrepostas também, e a gente aborda temáticas, de frutas, verduras, folclore, família. Eu acho que elas foram muito queridas no programa. "Pisca Pisca", "Uá Uá" é a do vagalume, as crianças gostam muito. Tem muita música bonita, eu sei que sou suspeita a falar, mas tem muita música bacana.

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