Entrevista com David Schürmann, diretor do longa "Pequeno Segredo"

"É uma história forte e uma situação verdadeira"

Emedebistas estiveram presentes na inauguração da escolaEmedebistas estiveram presentes na inauguração da escola - Foto: Divulgação

 

O filme conta uma história importante de sua família; em que sentido a proximidade da situação afetou seu trabalho como diretor?

Aprendi a ter distanciamento como diretor. O espectador nunca tem a sensação de que este é um filme de uma família, e sim de pessoas. Isso é um processo que demora anos. Fiz escola de cinema na Nova Zelândia, e lá me disseram: “faça um filme sobre algo que você conhece bem”. A Academia [de Hollywood] gosta de priorizar histórias reais, pessoas que revelam algo transformador. Cheguei a me emocionar durante a filmagem. Uma das vezes foi quando o segredo foi revelado. Eu disse “corta”, olhei para trás e vi que todo mundo estava chorando. Pensei: poxa, está dando certo. É uma história forte e uma situação verdadeira. 

O filme foi a escolha nacional para a disputa do Oscar. Como recebeu essa notícia?

Foi uma surpresa. Obviamente existia favoritismo de outro filme, então fiquei surpreso e muito contente. Foi uma escolha corajosa da comissão, apostar num outro tipo de filme, com uma linguagem diferente do que vem sendo proposto. Nas primeiras 48 horas muitos críticos ficaram surpresos. Eu dizia: assistam ao filme antes de falar. No momento político do Brasil, tinha um filme favorito com uma linha política forte. Nosso filme fala sobre preconceito, bullying. O pessoal caiu em cima da Kat sem saber o que ela tinha, a vida dela foi uma batalha, então por que o filme não seria também?

Muita gente questionou a comissão do Oscar, por divulgar opiniões sobre “Aquarius” antes da seleção. Como avalia essa polêmica? Em que sentido ela afeta seu filme?

Lá fora não sabem dessa polêmica e amaram o filme. Acreditam que temos chance de ficar entre os finalistas. É um filme completamente diferente, toca o coração e tem camadas de arte altamente profundas. Aqui foi uma reação negativa só para críticos que estavam alinhados com “Aquarius”. O filme de Kleber é bom, eu estava em Cannes ao lado dele e de Sônia Braga, com lágrimas nos olhos, aplaudindo. O filme é bonito e fez carreira internacional fenomenal. A decisão do protesto em Cannes foi polêmica. Nosso filme não tem nada de polêmica. Fala de amor. Acho que se qualquer um dos outros 16 filmes fossem escolhidos iria sofrer retaliação de críticos e pequena parcela da indústria cinematográfica.

 

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