Equipe de 'Dona Flor' vem ao Recife para divulgar filme

Atores Juliana Paes e Marcelo Faria, além do diretor Pedro Vasconcelos, falam sobre a produção, que estreia em 2 de novembro

Juliana Paes, durante entrevista em hotel do RecifeJuliana Paes, durante entrevista em hotel do Recife - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

O enredo de "Dona Flor e seus dois maridos" é surpreendentemente contemporâneo porque fala da angústia feminina em exercer sua sexualidade. "Toda mulher passa por esses momentos na sociedade machista em que ainda vivemos", declarou a atriz Juliana Paes em entrevista concedida ontem à Folha de Pernambuco. Ela interpreta a protagonista de um dos livros mais famosos de baiano Jorge Amado, na mais nova versão cinematográfica, com estreia prevista para 2 de novembro.

Há, portanto, mais de Dona Flor em Juliana Paes do que de Gabriela, outra personagem de Jorge que a atriz interpretou. "A gente fica sempre pensando 'o que vão achar se eu sair com tantos caras, se eu dançar até o chão...'. Por isso Flor é universal. Acredito que poucas mulheres não se identifiquem com essa angústia", completa Juliana.




Apaixonada pelo escritor baiano desde a infância, a atriz contou que já havia lido quase toda a obra completa de Jorge Amado, o que a ajudou bastante a construir as personagens que encarnou na telona. "Meu professor favorito na escola era de Literatura e tinha predileção por Jorge. É claro que a cada vez que você lê está com outra cabeça, uma maturidade, então absorve coisas diferentes, enquanto outras passam batido e você nem percebe", confessa Juliana.

Quando foi convidada para viver Gabriela na televisão, a leitura, óbvio, não foi recreativa, mas bem mais perspicaz. Já para encarnar Dona Flor, o diretor, Pedro Vasconcelos, lhe pediu que não procurasse muitas referências; apenas o livro. "Ele queria que eu trouxesse somente o meu entendimento, fizesse a construção da minha Dona Flor. Isso facilitou bastante no sentido da liberdade de criação", revelou a atriz, que considera um deleite interpretar um personagem do escritor baiano. "É um presente, uma honra, pois ele constrói arquétipos definidos, recheados de adjetivos", completa.

Outra fonte de inspiração incontestável para Juliana foi a atriz Sônia Braga, que também viveu Gabriela e Dona Flor. "Sou fã dela muito antes de sonhar em ser atriz. Faço esses papéis com muita humildade e prestando uma homenagem a essa mulher que é uma força da natureza, assim como as personagens de Jorge Amado. E ainda hoje, nesses tempos de empoderamento feminino e de luta pelo fim da hipocrisia moral", declara.

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Para Marcelo Faria, Vadinho, seu personagem é velho conhecido do teatro, onde o interpretou durante cinco anos, nu em pelo. No filme não foi diferente: em 70% das cenas Faria está peladão. "No teatro é muito mais difícil porque é ao vivo", revela. Assim como a colega de cena, foi o livro que o ajudou a construir o personagem. "É lá que entendemos o porquê de o cara ser daquela forma".

O diretor Pedro Vasconcelos declarou que a refilmagem veio de uma vontade de fazer uma nova leitura do clássico para as novas gerações, visto que o longa anterior, de Bruno Barreto, é de 1977. Pedro destaca uma particularidade dessa obra de Jorge. "Ao contrário das outras, que exploram os lugares de Salvador, essa fala mais da alma dos seres humanos".

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