Escola Social Cobogó das Artes promove um contato íntimo com a arte

Projeto desenvolvido pela Escola Social Cobogó das Artes, em Areias, rompe as barreiras do formalismo e leva atividades culturais à comunidade

Adriano Portela, coordenador da Escola Social Cobogó das ArtesAdriano Portela, coordenador da Escola Social Cobogó das Artes - Foto: Gustavo Glória / Folha de Pernambuco

Com o objetivo de aproximar a periferia do mundo artístico, o escritor, jornalista, cineasta e diretor Adriano Portela resolveu criar a Escola Social Cobogó das Artes. O projeto, que há um ano funciona na casa que pertencia ao avô de Adriano, está localizado no bairro de Areias, no Recife, é um verdadeiro berço de iniciação artística.

O coordenador conta que sempre pensou em ter um projeto social que rompesse as barreiras da academia e levasse a arte para as pessoas que se interessassem por ela, mas que por algum motivo não tenham condições de usufruir. "No lugar de alugar a casa ou transformá-la em um comitê de algum político, a gente aproveitou o espaço para democratizar o acesso à arte, levando para quem realmente precisa", revela.

O primeiro espetáculo da Cobogó foi uma releitura de "Lisbela e o Prisioneiro", um clássico do escritor pernambucano Osman Lins. A peça foi apresentada no Teatro Apolo. "Foram três dias com casa cheia. O fato de levar a turma para um teatro de verdade deu uma empolgação a mais. Além disso, a gente via as pessoas da comunidade muito presentes, e é isso que a gente busca", destaca Adriano.

A adaptação, assinada por Adriano Portela, abordava temáticas contemporâneas, como o feminismo e o preconceito. A maioria dos personagens em cena foram mulheres. Em vez de um delegado, por exemplo, o espetáculo trazia uma delegada. Na montagem, ela ganhou o nome de Gleide Ângelo, em homenagem à delegada pernambucana.

Adriano frisa que o objetivo da Cobogó não é competir com outros grupos artísticos, mas de promover uma integração entre a comunidade e o universo artístico. "Tudo o que a gente promove na escola é gratuito. O curso de teatro é o único que a gente cobra um valor simbólico, mas é só para custear a montagem final, já que não temos um fundo para financiar os espetáculos". Ele complementa afirmando que um dos diferenciais da escola é a montagem de um espetáculo diferente para cada turma. "Estamos com duas turmas atualmente e vamos montar "A Família Addams" e "Lua de Sangue", do dramaturgo pernambucano Robson Teles.

Leia também:
Espetáculo Circo Turma da Mônica será apresentado no Teatro RioMar
Curso sobre tarô, cinema e artes visuais acontece neste sábado (25)
Arnaldo Antunes traz a palavra para as artes visuais, em exposição na Caixa Cultural

Recentemente, o espaço foi um dos palcos para o 1º Retábulo Cultural Osman Lins, evento que reunia pesquisadores do Brasil e do exterior para discutir a obra do escritor pernambucano. "Esse foi um momento importante para nós, pois os outros locais foram universidades, e a nossa escola conseguiu aproximar a comunidade da academia, rompendo a barreira da sala de aula", lembra. Além das duas turmas de teatro, que se reúnem aos sábados, uma pela manhã e a outra à tarde, a escola também oferece curso de Apreciação Musical, seminários e oficinas de circo. Nos planos da escola, também está a abertura de uma turma de Teatro Infantil, com início previsto para o dia 5 de outubro.

   Vidas transformadas

Uma das pessoas que teve a vida transformada pela Cobogó é Micael Alexandre. Agora artista, Micael, 27, é formado em Letras Português-Espanhol e atuou por muito tempo na docência. Ele conta que sempre foi apaixonado pela arte de atuar, mas que, apesar de se envolver com o teatro desde muito cedo, acabou seguindo o caminho da educação. Até que conheceu a Cobogó. "A irmã de uma amiga me avisou que a Cobogó estava abrindo turma. Eu me inscrevi, ganhei a bolsa e passei a ter um contato íntimo com a arte". A partir daí, ele atuou em diversos projetos de Portela e percebeu que, enfim, havia se encontrado. "Além de ter me inserido no universo a partir daqui, o que mais me encanta na Cobogó é o acolhimento que recebemos aqui. A Cobogó é uma verdadeira família".

Aluno da Cobogó, Micael Alexandre largou a vida de professor para seguir carreira artística

Aluno da Cobogó, Micael Alexandre largou a vida de professor para seguir carreira artística - Crédito: Gustavo Glória / Folha de Pernambuco


 

Veja também

Bárbara Evans perde um dos filhos que esperava
Gestação

Bárbara Evans perde um dos filhos que esperava

Tiago Leifert cria conta no TikTok e avisa que não vai fazer dancinhas
Famosos

Tiago Leifert cria conta no TikTok e avisa que não vai fazer dancinhas