"Escrava mãe", da Record, tem altos e baixos

“Escrava Mãe”, novela na faixa das 19h30, apresenta um bom enredo, mas peca na escalação de atores

Prefeitura de Garanhuns também decretou estado de emergênciaPrefeitura de Garanhuns também decretou estado de emergência - Foto: Divulgação

 

“Escrava Mãe” é um marco na nova fase da teledramaturgia da Record. Impulsionada pela boa repercussão das tramas bíblicas, a emissora decidiu inaugurar um novo horário de novelas, desta vez às 19h30. Adiada quatro vezes – algumas pelo esticamento de “Os Dez Mandamentos”, já que inicialmente iria suceder a história de Vivian de Oliveira, outras influenciadas por produções da Globo –, a história finalmente começou no final de maio. Há seis meses no ar, o enredo de Gustavo Reiz é inspirado no prefácio de “A Escrava Isaura”, obra de Bernardo Guimarães já adaptada pela própria Record. O esmero da Casablanca – empresa que está produzindo as novelas da Record – e do texto é perceptível. “Escrava Mãe”, no entanto, sofre com problemas na escalação.

O chamado “primeiro time” da Record já não tem tantos atores experientes e capazes de “carregar” uma novela. Para piorar, a grande maioria estava envolvida em “Os Dez Mandamentos” e “A Terra Prometida”, as grandes apostas da emissora. O ar canastrão de Junno Andrade, o capitão Loreto, e a fraqueza cênica de Roger Gobeth, intérprete do Guilherme, tornam assistir ao folhetim uma tarefa que causa certa vergonha alheia. Roberta Gualda, Lidi Lisboa, Jussara Freire e Gabriela Moreyra, que defendem Tereza, Esméria, Urraca e Juliana, conseguem levantar um pouco a qualidade artística.

O texto de Gustavo Reiz foge da obviedade. Apesar de a escravidão ser um assunto sério e delicado, o autor conseguiu mesclar um ar ora intenso, ora leve, sem soar didático. Fora a memória afetiva proveniente da adaptação de “A Escrava Isaura” por Gilberto Braga em meados dos anos 1970, o folhetim reúne os maiores clássicos da teledramaturgia: vinganças e impedimentos amorosos. Mesmo que em alta, o maniqueísmo não atrapalha o andamento da história. Ivan Zettel, responsável pela direção geral, não tem só deméritos. Ainda que não tenha conseguido colocar os atores partindo do mesmo ponto, “Escrava Mãe” impressiona pelas imagens, figurinos e cenários. Com tudo isso, a novela cumpriu o que prometeu: incomodar a concorrência com dois dígitos de audiência.

 

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