Esculturas da Cow Parade tomam as ruas do Recife e de Olinda

Conceito de arte urbana leva esculturas de vacas pintadas para fora de lugares legitimados, como museus

Raoni Assis terá a obra "O urro do boi no alto da serra" exposta no Marco ZeroRaoni Assis terá a obra "O urro do boi no alto da serra" exposta no Marco Zero - Foto: Brenda Alcântara/Folha de Pernambuco

As cidades do Recife e de Olinda acordam nesta quinta-feira (26) decoradas de vacas da Cow Parade, evento que resolveu baixar pela primeira vez no Nordeste. O rebanho de 53 peças é também chamado de obra de arte urbana, visto estarem as vaquinhas ao ar livre, fora dos muros limitadores de galerias e museus, acessíveis aos olhos de todos.

Há especialistas em artes visuais, porém, quem não concordam com a definição de arte urbana para tal evento, visto mais como estratégia de marketing e ferramenta turística do que como arte. Outras cinco vacas serão produzidas, até o fim da mostra, por meio de ações sociais em escolas públicas e de promoção institucional.

Para o artista visual Jonathas de Andrade, a Cow Parade é mais uma plataforma para uma exposição na rua do que arte urbana. "Ela faz uso de equipamentos e contextos mais espontâneos das ruas", pondera.

Artista Ana Blue e sua vaquinha

Artista Ana Blue e sua vaquinha - Crédito: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco


Projeto iniciado em 1998, em Zurique, na Suíça, onde a vaca é animal-símbolo do País, seu idealizador, o diretor artístico Walter Knapp, saiu vendendo a ideia para o mundo inteiro. Em todos os lugares por onde passa, no entanto, as vacas vendidas têm o dinheiro revertido em doação.

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Seria uma mea culpa? O fato é que a ideia do suíço deu tão certo que não demorou a surgirem variações do mesmo tema, como a Elephant Parade, que rolou em São Paulo este mês. Do jeito que vai, não tardará para que outros animais inspirem outras "parades" por aí.

Para o artista visual pernambucano Paulo Meira, eventos como esses soam estranhos. "A relação dos humanos com os bovinos é muito perversa. E ficar pintando e decorando os bichos... Acho bobo", opina. Para ele, somente uma ação que incluiu uma vaca fez algum sentido, se é que se pode falar assim em se tratando do surrealista cineasta americano David Lynch.

Em 2006, o diretor saiu com uma vaca de verdade para passear pelas ruas de Los Angeles promovendo o filme "Império dos Sonhos". Na época, Lynch disse que resolveu levar o animal consigo para fazer marketing do longa-metragem que ele mesmo estava distribuindo porque todo mundo gosta de vacas. Reza a lenda que quando uma pessoa pediu para acariciar o bovino, Lynch negou, argumentando que a garota-propaganda estava trabalhando.

De fato, os seres humanos gostam de vacas. Que o diga o artista visual Roberto Ploeg, autor da "Vacaju", uma versão em forma de cajueiro, com as patas fazendo as vezes de troncos e cajus vermelhos e amarelos, inspirados em um dos quadros de Albert Eckhout. "Durmo e acordo debaixo de um cajueiro e já criei vacas. Adoro o cheiro delas. Nada é mais satisfatório do que ver uma vaca comer e remoer", derrete-se Ploeg, para quem o evento é, sim, arte urbana.

O artista visual Raoni Assis diz que gosta da ideia de arte no meio da rua, mas confessa que não saberia classificar se é arte urbana ou não a Cow Parade. "Sei que é uma figura cheia de significados, que ocupa um espaço enorme no mundo. Não sei se é um dado certo, mas já ouvi dizer que existem mais vacas do que gente no mundo", diz o artista, cuja vaquinha poderá ser vista no Marco Zero e atende pelo nome de "O urro do boi no alto da serra".  

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