Espaço cultural, no Recife Antigo, expõe o quanto o frevo é parte da identidade cultural do pernambu

Gestor cultural Ricardo Piquet esteve também envolvido na implantação de alguns dos mais importantes espaços culturais do País

Para o gestor cultural  Ricardo Piquet - à frente do Paço do Frevo -, é preciso despertar a sensação de pertencimento nos visitantes do espaço culturalPara o gestor cultural Ricardo Piquet - à frente do Paço do Frevo -, é preciso despertar a sensação de pertencimento nos visitantes do espaço cultural - Foto: Arthur Mota

Diretor do Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG), à frente do Paço do Frevo, o gestor cultural Ricardo Piquet esteve também envolvido na implantação de alguns dos mais importantes espaços culturais do País, como o Museu do Amanhã, o Museu do Futebol e o Museu da Língua Portuguesa. Responsável, ainda na década de 1990, pela revitalização do Recife Antigo, Piquet fala sobre os novos formatos de museus que já se espalharam: “são espaços experimentais feitos por pessoas para pessoas, que buscam valorizá-las. É importante que o usuário conheça, se envolva com o tema e saia em busca de novas experimentações”.

Por que experimental
Há museus de primeira geração que se ocupam de falar sobre objetos, sobre seus significados e históricos. Depois começaram a digitalizar os museus, a colocar informações que se pudesse interagir com as peças expostas. A terceira é uma geração de museu é de experimentação onde não é preciso ter necessariamente objetos para que se conte a história. É como no Museu da Língua Portuguesa (localizado em São Paulo, que está sendo reconstruído depois de um incêndio ocorrido em 2015) que conta a história da língua desde o século 9. Tudo é contado para que as pessoas saiam dali interessadas em discutir, em aprofundar o assunto. No Museu do Futebol, você não vai para ver troféus, mas para ver a história do Brasil através do esporte, que é parte importante da nossa cultura. O Paço do Frevo é a mesma coisa. O maior propósito é oferecer a experiência para as pessoas, para que, além da informação, ela tenha a vivência com o ritmo.

Como pensar a interação
O processo cognitivo de compreensão da mensagem, quanto mais complexo, melhor. Oferece o visual, o tátil, o sonoro, o gestual, a interação completa e há várias formas de se sair com a mensagem. Trabalhamos com alguns balizadores que ajudam a pensar no usuário do museu. Em primeiro lugar, é preciso oferecer um convite para viajar naquele mundo, de acordo com o tema. No Paço do Frevo, ao entrar, você vê fotografia, linha do tempo, depois chega em um grande palco, que é o último andar, com fotos, nomes, música, discos, dança. Com o conjunto de informações, você precisa ler, ouvir, interagir. Por fim, provocar a sensação de pertencimento nos usuários, que deixe claro que o frevo é parte da nossa identidade cultural. Partindo desses balizadores, você vai discutir como melhor contar essa história. Tudo tem um porquê: as provocações, o recatado centro de documentação, o bar com um café temático, a sala de música e de dança. Isso tudo faz parte do programa, que é um conjunto de ações e de pensamentos de diversos profissionais para poder entregar esse ambiente. Temos uma área na matriz do IDG (Instituto de Desenvolvimento e Gestão), que é uma diretoria de desenvolvimento de públicos, para avaliar se as pessoas que vieram aqui se perceberam, se foram tocadas dentro do propósito inicial. Se não foram, nós temos que ajustar. Se foram, cumprimos com nosso papel. Isso é feito a cada exposição temporária, a cada movimento que a gente possa fazer como um movimento de avaliação.

Espaço para todos
Os museus de primeira geração sempre terão espaço, porque as peças são únicas, que não se repetem, históricas. São oportunidades de se conhecer aquele objeto e saber que ele existe. Mas certamente, com a tecnologia mais acessível, esses museus vão poder agregar uma digitalização, tornando um objeto, como uma coroa no Museu Imperial: ter agregado um filme que vai explicar onde ela foi usada, em que circunstâncias, como era feita, como era o ambiente naquela época, contando melhor a história que simplesmente mostrando a peça. É fundamental que os museus melhorem o que eu chamo de “contação de história”.

Espaços culturais no País
O equívoco começa na percepção do valor da Cultura, que sempre passa para o fim da lista de prioridades quando o recurso aperta. Na verdade, um evento cultural pode melhorar o ambiente, pode facilitar uma negociação, melhorar a vida da pessoa: trata-se de educação, quando você dá a informação; e da saúde, quando você melhora a alma. Um bom exemplo disso foi o evento de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Até ali todo mundo estava apavorado com o terrorismo, dizendo que tudo ia dar errado, que o dinheiro tinha sido jogado fora. Depois daquela abertura, houve uma enxurrada de pedidos de passagem, de hospedagem, de tíquete. Então foi aquele evento cultural que mudou o astral dos jogos. Agora, se você não vê isso dessa forma, vai considerar o acaso. Cultura é uma atividade econômica com um significado além de todas as outras atividades, porque você mexe com sentimentos, com as pessoas, com valores, com lembranças. É um ativo forte no Brasil, especialmente em Pernambuco.

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