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Especial de Natal da Globo tem humor e costumes locais

Especial “Bode de Natal”, exibido hoje na Globo, mostra os costumes, vocabulário e cenário do Recife

Felipe Santa Cruz, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)Felipe Santa Cruz, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Um especial de fim de ano com o jeito e o sotaque do povo pernambucano. Essa é a proposta do telefilme “Bode de Natal”, que a Globo Nordeste exibe neste sábado (24), às 14h.

Produzida em parceria pela produtora Bateu Castelo e a Globo Filmes, a obra faz parte de uma iniciativa inédita da emissora, que preparou especiais para serem exibidos exclusivamente nas afiliadas de Pernambuco, Minas Gerais e Brasília. Todos esses projetos contam com curadoria artística de Jayme Monjardim e Cacá Diegues.

O filme exibido por aqui tem direção de Daniel Edmundson - que assina o roteiro, junto com Flavinha Marques - e André Hora. O enredo gira em torno de Mira (Clarissa Pinheiro), que trabalha como funcionária do primo Dedéco (Giordano Castro), que é dono de uma banca no Mercado Público de Casa Amarela. Com dificuldades financeiras e às vésperas do Natal, ela acaba recebendo um bode como pagamento de salário.

O animal, no entanto, é mágico e pode realizar desejos. “Essa é uma história da gente e que vai conversar com a gente. Então, está bem presente nessa produção os costumes, o vocabulário e o cotidiano do nosso povo, mas não de uma forma caricata. Navegamos pelo humor, sem deixar de tocar em temas importantes e, em alguns momentos, deixando que o fantástico entre em cena”, detalha Daniel. Toda a equipe técnica envolvida no projeto é de profissionais pernambucanos.
No total, foram 12 dias de gravações, que terminaram em outubro. A maior parte das filmagens ocorreu em Casa Amarela, na Zona Norte. “Tanto eu como a Flavinha já moramos em Casa Amarela. Por isso, há uma relação afetiva nessa escolha. Além disso, o bairro é um dos mais populares e cheios de personalidade do Recife”, diz o diretor. Outro bairro que serviu de locação foi a Encruzilhada, também na Zona Norte.

Como representante da musicalidade da periferia recifense, o brega tem forte presença no filme. A atriz paulista Débora Nascimento faz uma participação interpretando a cantora Karla Karina. Para absorver melhor a essência do gênero musical, ela se espelhou na cantora Michelle Melo. A ex-vocalista da banda Metade também atua.

Ela interpreta Raquel Fortes, uma cliente que desperta os olhares de todos no mercado público. “Foi uma experiência nova, totalmente diferente de tudo o que eu já fiz. Débora é um doce de pessoa e conseguiu criar uma personagem muito fiel à realidade”, revela. Os bailarinos que trabalham com a artista integram o elenco de apoio.

Destaque da minissérie “Justiça”, na qual interpretou um estuprador, Pedro Wagner vive o marido da protagonista. “Eu faço o Giba, um típico pai de família brasileiro, que sempre foi o provedor. Depois de sofrer um acidente, ele fica impossibilitado de trabalhar e a esposa assume a tarefa de trazer a comida para dentro de casa, enquanto ele cuida dos filhos e do lar. Com muita delicadeza, o telefilme vai quebrando com alguns estereótipos e mostrando que, hoje em dia, as famílias podem se organizar de diversas maneiras“, adianta o ator. Também estão no elenco Amanda Cavalcanti, João Neto, Arthur Canavarro e Lívia Falcão.

Relação afetiva com a Cidade

Além de trazer referências natalinas de um jeitinho pernambucano, o especial faz um recorte realista da família brasileira. De acordo com a roteirista do “Bode de Natal”, Flavinha Marques, o telefilme contempla a atual situação financeira de muitos brasileiros. “O filme tem um discurso que se aproxima da vida real das pessoas. Optamos por sair da ideia de consumo, para mostrar como a festa é celebrada por muitos, sobretudo com a crise em que o País vive”, explicou.

Segundo a autora, o filme resgata situações de sua infância e de momentos que passou com a família no bairro da Mustardinha. “Meu pai trabalhava no Interior como médico, e costumava ganhar animais de alguns clientes como forma de pagamento. Achei que a passagem dava mote para o filme que conversa com situações cotidianas e faz uma brincadeira estética com uma linguagem popular”, acrescentou.

Movida pelas lembranças e relações afetivas com o espaço urbano, Flavinha se prepara para lançar, em 2017, o livro de poesia “Cidade de amor”. “Aprovado pelo Funcultura, trará poesias inspiradas na preservação e patrimônio das cidades”, contou. Ivan Moraes Filho foi convidado para participar do livro. No próximo ano, Flavinha irá se dedicar ao longa “Dora e Mané”, que mostrará a transformação ao longo das épocas. “Recebi convites para projetos e acredito que o ano que vem será produtivo”, completou.

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