Espetáculo 'Grande Sertão: Veredas', dirigido por Bia Lessa, chega a Pernambuco em junho

Diretora conversa com a Folha de Pernambuco sobre o processo de criação da instalação/espetáculo. Adaptando para o teatro a trama do livro 'Grande Sertão: Veredas', a peça traz nomes como Caio Blat e Luísa Arraes no elenco.

Bia Lessa dirige "Grande Sertão: Veredas" Bia Lessa dirige "Grande Sertão: Veredas"  - Foto: Annelize Tozetto/Divulgação

Artista de múltiplas funções (cineasta, curadora, diretora de teatro e ópera), Bia Lessa conversou com a Folha de Pernambuco, por telefone, sobre seu mais novo trabalho nos palcos, "Grande Sertão: Veredas", que reúne no elenco nomes como Caio Blat, Luísa Arraes, Leonardo Miggiorin e Luíza Lemmertz (filha da atriz Julia Lemmertz). O projeto estreou na capital paulista, em setembro do ano passado, cumpriu temporada no Rio de Janeiro e passou pelo Festival de Teatro de Curitiba. Após abocanhar diversos prêmios nacionais, chega ao Recife no dia 02 de junho, em sessão única, às 21h, no Teatro Guararapes. Os ingressos já estão à venda pelo site Eventim

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Bia recebeu a importante tarefa, em 2006, de criar uma exposição para a inauguração do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo (Também assina a expografia e museografia do Paço do Frevo, museu recifense inaugurado em 2014). Ela escolheu fazer uma abordagem de "Grande Sertão: Veredas", clássico absoluto do escritor mineiro Guimarães Rosa. Foi seu primeiro contato mais profundo com o livro, que em 2016 completou 60 anos de lançamento. Desde então, sempre pensou em retornar ao universo sertanejo de Riobaldo e Diadorim, mas só se fosse para revirar possibilidades ainda não exploradas da obra. Assim, nasceu a ideia de unir teatro e artes visuais em uma instalação/espetáculo.

"A grande graça do teatro é encontrar um grande desafio. Parece com a vida. Você está sempre tentando superar a si mesmo", comenta a encenadora sobre sua decisão de voltar a dirigir um espetáculo teatral depois de "Formas breves", seu último trabalho cênico, em 2009. "Voltar para dirigir o que? Pensei que seria muito importante retornar a Guimarães nesse momento tão reacionário, quando o mundo está cada vez mais assustador. Não tinha certeza se conseguiria chegar até o fim, mas fez sentido para mim parar a minha vida por isso", afirma.

Fundamental para a literatura brasileira, "Grande Sertão: Veredas" conta a saga do jagunço Riobaldo (Caio Blat), que atravessa o sertão em busca de seu maior desafeto, Hermógenes (José Maria Rodrigues). "É uma obra formadora. Fala do bem e do mal, do caráter do ser humano. Nesse momento que vivemos, é uma questão fundamental. Estamos precisando de mais humanidade. Guimarães coloca o homem como ele é: não mais importante do que os animais, as plantas ou os minerais", diz.

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A densidade da obra fez com que Bia tivesse dificuldades para encontrar alguém que aceitasse adaptar o texto para a linguagem dramatúrgica. "Convidei várias pessoas, mas só recebi recusas. Ninguém se atrevia a mexer nisso. Me vi em uma enrascada. Mas acabou sendo bom, porque resolvi não fazer uma adaptação. Peguei trechos do livro, quase integrais, que foram sendo trabalhados ao longo dos ensaios", revela.

O processo de preparação junto aos atores durou cerca de quatro meses. Foram mais de 600 horas com o elenco, em ensaios diários. "Trabalhamos muito duro. Os atores tiveram uma preparação corporal intensa com a Anamalia Lima. Escolhi pessoas com muito domínio cênico e outras que nunca haviam pisado no palco. Essa heterogeneidade é o que me interessa. Só o que há em comum entre eles é que todos desejaram imensamente fazer parte disso, mesmo sem saber no que ia dar", assegura.

Inovações


Como cenário, Bia Lessa criou uma estrutura tubular, que lembra uma jaula. Parte do público assiste à encenação dentro da jaula instalada no palco, muito próximo dos atores. A instalação, que conta ainda com 250 bonecos de feltro em tamanho humano, criados pelo aderecista Fernando Mello da Costa, poderá ser visitada durante o dia, como numa exposição de arte. "O livro começa com um travessão e termina com o símbolo do infinito. Achei que era fundamental trazer para a versão teatral esse conceito de algo que não acaba. É o sertão metafísico, que está dentro de nós", explica.

O espectador que estiver dentro da estrutura receberá um fone de ouvido. "É como se a história tivesse sendo contada para cada um, ao pé do ouvido. As pessoas terão acesso a quatro camadas de som: os ruídos que vêm de longe, as músicas do inconsciente coletivo, a trilha sonora composta por Egberto Gismonti e as vozes dos atores", detalha. O espetáculo não é recomendado para maiores de 18 anos.
  
Serviço

Espetáculo "Grande Sertão: Veredas"
02 de junho, às 21h
Teatro Guararapes (Av. Prof. Andrade Bezerra, s/n, Salgadinho, Olinda)
R$ 200 (palco), R$ 160 e R$ 80 (plateia AA), R$ 140 e R$ 70 (plateia BC), e R$ 100 e R$ 50 (balcão)
Informações: (81) 3182-8020

 

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