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Espetáculo 'Pulsações' celebra os 100 anos de Clarice Lispector

Peça baiana, estrelada pelas atrizes Giovana Boliveira e Rebeca de Oliveira, integra a programação do 26º Janeiro de Grandes Espetáculos

Espetáculo "Pulsações" Espetáculo "Pulsações"  - Foto: Gustoyle/Divulgação

O centenário da escritora Clarice Lispector, que será celebrado em dezembro deste ano, abre espaço para uma série de homenagens. Além de reedições de livros e eventos especiais, a autora nascida na Ucrânia e radicada no Brasil é relembrada nos palcos. É o caso do espetáculo "Pulsações", que integra a programação do 26º Janeiro de Grandes Espetáculos. As sessões ocorrem no Teatro Marco Camarotti (Sesc Santo Amaro), neste sábado (25), às 20h30; e no domingo (26), às 15h e 17h.

A peça, que mistura teatro, dança, performance e poesia, é inspirada no livro "Um sopro de vida", última obra da escritora, publicada em 1978. Estrelado pelas atrizes Giovana Boliveira e Rebeca de Oliveira, o trabalho é resultado artístico-pedagógico do bacharelado em interpretação teatral cursado pela dupla na Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (UFBA). A concepção da encenação e da dramaturgia é assinada pelas duas, em parceria com o professor e diretor Érico José, pernambucano que vive há duas décadas em Salvador.

"Durante a pesquisa e a prática, chegamos ao texto de Clarice, que acabou servindo de guia", afirma Érico. O encenador explica que o espetáculo não é uma adaptação da obra da escritora. "As atrizes leram os livros e foram escolhendo as temáticas para serem trabalhados no improviso. A peça foi ganhando foram com alguns trechos do livro, mas sem necessariamente reproduzir os personagens ou o enredo. É uma criação intertextual. Foram acrescentadas outras camadas de textos, como produções delas próprias e de outros autores. Temos pedaços de 'A gaivota', de Tchekhov, e de 'Casa de bonecas', de Ibsen", adianta.

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Dividida em três quadros distintos, a montagem tem como tema transversal a feminilidade. "A cada quadro, o espectador tem uma surpresa, porque é como se fossem três espetáculos diferentes. A estética muda completamente e o recorte temático também", diz o diretor. No primeiro ato, as atrizes tratam da relação das mulheres com a arte teatral. No segundo, as questões existenciais evidenciadas por Clarice emergem. Já no último momento, a afetividade é o mote das reflexões propostas. Tudo isso é embalado pela voz da cantora Aline Lobo, que participa da apresentação com músicas originais, sob a batuta do compositor e diretor musical Luciano Salvador Bahia.

"Meu papel foi de fazer uma preparação de trabalho físico, respeitando as diferenças entre as duas atrizes, mas buscando estabelecer um equilíbrio do corpo na cena", explica Érico. A peça estreou no segundo semestre do ano passado e o Recife é a primeira cidade que a equipe visita. "Queríamos muito trazer esse trabalho para cá. Primeiramente, por ser o local onde Clarice passou boa parte da vida e, depois, por ser aqui onde comecei minha carreira artística", afirma o diretor, que está celebrando três décadas de teatro.

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