Espetáculo remonta primeiro movimento grevista após o regime militar de 1964

Tramas se desenvolvem em torno do caso central de uma mulher que, para ganhar mais dinheiro, se disfarça de homem

MPE-PE lança campanha educativa em cordelMPE-PE lança campanha educativa em cordel - Foto: Divulgação

 

Em março de 1979, os metalúrgicos do ABC paulista organizaram a primeira greve geral de uma categoria após o regime militar de 1964. Mesmo com forte repressão policial, o movimento chegou a reunir mais de 70 mil trabalhadores em assembleias realizadas no Estádio Primeiro de Maio, em São Bernardo do Campo. Esse momento histórico da luta sindical é retratado em “O pão e a pedra”, mais recente montagem da Cia. do Latão (SP), que chega ao Recife para apresentações dentro da programação do 18º Festival Recife do Teatro Nacional (FRTN). As sessões ocorrem nestas quarta (23) e quinta-feira (24), às 19h, no Teatro Hermilo Borba Filho.

A ideia original de Sérgio de Carvalho, diretor do espetáculo, era discutir a relação entre religião e política no Brasil. “Comecei a estudar o período entre os anos 1960 e 1970, quando a Teologia da Libertação ganhou força. Acabei chegando aos movimentos grevistas e a questão da religião se tornou um recorte dentro de algo maior. A peça conta várias histórias, fictícias ou inspiradas em fatos reais, que mostram os embates pessoais vividos pelos trabalhadores”, diz o encenador. Todas essas tramas se desenvolvem em torno do caso central de uma mulher que, para ganhar mais dinheiro, se disfarça de homem. Através dos demais personagens, estão representados três alas envolvidas nas manifestações: o novo sindicalismo, a Igreja progressista e o movimento estudantil.

A gestação da peça ocorreu entre março e abril deste ano, em meio ao processo de impeachment de Dilma Rousseff. A tensão política vivida naqueles dias serviu de inspiração para os artistas e alimentou repercussão em torno da obra. Apesar de não ser um personagem dentro da trama, o ex-presidente Lula é citado em algumas cenas. “O espetáculo ultrapassou os limites das páginas culturais e virou tema de debate nos cadernos de política da Imprensa paulistana. Acho que, de todos os trabalhos da companhia, esse é o que tem maior conexão com o tempo presente”, defende Sérgio.

Para conseguir reproduzir em cena um ato que ocorreu há mais de 30 anos, o grupo teatral mistura elementos realistas, documentais e fantásticos. “É uma peça muito inventiva. Lançamos mãos de muitos recursos que geram emoção no público, como música, relatos históricos e cenas dramáticas”, explica. Depois de 15 anos, a Cia. do Latão retoma a parceria com o grupo musical A Barca, com o músico Lincoln Antonio assumindo a direção musical da obra.

Encerramento

O último encontro da edição 2016 do Seminário Internacional de Crítica Teatral ocorre hoje, das 14h às 18h, no hall do Teatro Hermilo Borba Filho. A programação conta com as palestras “A arte secreta da crítica”, com a jornalista Ivana Moura; “O crítico como leitor de crítica”, com o jornalista Astier Basílio e “O exemplo de Sábato Magaldi”, com o professor de teatro Elton Bruno Siqueira. A entrada é gratuita.

 

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