Espontaneidade em traços criativos

Entre as referências construtivistas e a intuição, Sebastião Pedrosa e Graham Snow expõem seus trabalhos no IAC a partir desta quarta

A TabacariaA Tabacaria - Foto: Reprodução/Adoro Cinema

 

Os caminhos do pernambucano Sebastião Pedrosa e do inglês Graham Snow se cruzaram, na vida e nas artes, nos anos 1980, quando Sebastião conheceu Graham, durante o mes­trado que cursou no Rei­no Unido. De lá para cá, os dois permaneceram ligados por laços de amizade e afinidades artísticas que já duram 36 anos.

Aproveitando para fugir do frio, Graham vez ou outra se hospeda na casa do brasileiro e usufrui do ateliê, onde ambos criam trabalhos com influências construtivistas e bastante intuitivos.
Os últimos são resultantes de dois anos de produção, de 2014 para cá, que desaguam na exposição “Cruzando Ma­res: a poética visual de Sebas­tião Pedrosa e Graham Show”, recebida pelo Centro Cultural Benfica, sede do Instituto de Arte Contemporânea (IAC), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a partir de amanhã, às 19h. “Houve também um cruzamento de culturas, interesses, visualidades, e arquitetura, que é um tema que ambos gos­tamos”, disse Sebastião, durante entrevista na qual o in­glês não estava presente, mas foi representado pe­lo amigo. “Ele é muito influenciado por fotografia e ci­nema, e por artistas como o pintor construtivista Ben Nicholson (1894-1982) e a ceramista Clarice Cliff (1899-1972)”, conta o pernambucano.
Tanto nas telas quanto nas versões tridimensionais, é notória a referência ao art déco na obra do inglês, em composições geométricas e lúdicas que lembram construções pop dos anos 1980, ou de jogos de montar bem lúdicos, feitos com grossos cartões de papelão cortados com a precisão de um compasso e coloridos com tons fortes. A mostra também exibe telas da década de 1980, como em “Construção em Branco”. “Às vezes ele esquece a cor e se concentra na forma”.

Em outra fase aparecem referências do barroco local, como quando Graham utiliza cartões postais da Igreja de São Pedro, fazendo colagens tridimensionais como cacos de espelhos deslocados. Já Sebastião não foi sempre intuitivo. Teve um passado ar­tístico mais matemático, ra­cional, e sempre buscou o la­do emocional que está presente na exposição do IAC. 


“Tenho feito uma arqueologia de minha subjetividade a partir de memórias e referências de quando eu era criança”, conta o artista, que se con­centra na série ‘Fractais’, fei­ta de traços triangulares que começam fragmentados e terminam em uma forma única. “A construção é espon­tânea e parte de uma ansiedade, de uma necessidade de me soltar.

Quero preencher todos os espaços, sempre começando com uma garatuja, uma escrita que revela um trauma, logo depois es­condido sob outros traços”, revela o artista, que tem em Paul Klee uma grande referência criativa. Em certo momento, as figuras triangulares também sentem necessidade de se transformar em objetos tridimensionais, como pirâmi­des e poliedros. Mas esses desenhos geométricos sempre carregam em comum a tra­ma que os preenche, ora fe­chada, ora aberta, como uma vida que se constrói a cada dia, artesanalmente, à mão livre, tal como o artista desenhou sobre a madeira.

 

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