Estética punk tem nome: Vivienne Westwood

Biografia revela como a estilista britânica reinventou o conceito de moda e uniu o simples à ousadia

Prefeito Bruno Pereira (PTB) assina decreto que estabelece estado de emergência no municípioPrefeito Bruno Pereira (PTB) assina decreto que estabelece estado de emergência no município - Foto: Victor Patrício/Secom-SLM

 

Aos 73 anos, a estilista britânica Vivienne Westwood é a Coco Chanel do século 21. Ativista das causas ambientais, trabalha de bicicleta diariamente. No mundo oriental, é mais famosa do que Madonna e a rainha da Inglaterra, mas circula livremente pelas ruas londrinas como uma reles mortal - tanto que muitos conterrâneos já quase atropelaram a estilista, ao toparem com ela pelas ruas da metrópole. A tradutora da estética punk dos anos 1970 agora é sinônimo de luxo e alta-costura, sem perder a ironia.

Responsável por levar o streetwear para o tapete vermelho, graças a ela, a moda é vista como o que realmente é: não somente roupa, mas reflexo e ditame de comportamento, resgate histórico e revolução social, cultural e política. “Tenho minhas ideias porque me interesso pelo passado (...) Nós podemos aprender muito com o que aconteceu antes (...)”, declara Vivienne na biografia que leva seu nome, assinada por ela e Ian Kelly, a quem concede seu tempo, entrevistas e intimidades.

Nascida em 1941, em plena Segunda Guerra Mundial, em uma família operária de Derbyshire, Vivienne aprendeu bem antes do punk o sentido do “faça você mesmo”, e também a conhecer a fundo os tecidos. Junte-se a isso sua paixão pelas imagens da realeza e da anglicidade com toques de subversão. A inspiração sempre veio da literatura, algo que aprendeu a amar desde cedo, a partir dos contos de fada dos irmãos Grimm. Tanto que declarou que se soubesse o que realmente fazem os bibliotecários, provavelmente teria sido uma. Mas a arte venceu as letras quando Vivienne conheceu tardiamente uma galeria e desenhou pela primeira vez um croqui de moda, aos 17 anos, na aula de arte do colegial. O único ensino formal voltado para o design que teve na vida foi o curso de ourivesaria e joalheria.

Adolescente, Vivienne nunca foi rebelde, mas curtia o visual e a atitude de traquinagem que pairava no ar quando o rock’ n’ roll estava surgindo, nos anos 50. Ela via as roupas estilosas - sapatos de sola grossa, saias lápis e sutiãs cônicos - como uma ameaça ao status quo, uma atitude. Depois a estilista aderiu ao visual dos existencialistas franceses e dos beatniks de Nova York, com calças baggy e pulôveres tamanho GG, numa versão primitiva do Genderless contemporâneo.

A maternidade precoce quase tirou Vivienne de cena. Mas o homem-Midas do pop, Malcom McLaren a colocou novamente nos trilhos da criatividade. O produtor musical dividiu com a estilista a cama e a fama. Há quem ainda pense até que ele é a mente mais criativa do início da estética punk. No entanto, o livro mostra que Malcom era mais a mola propulsora, instigadora, que na hora do “vamo ver” nunca estava. Era um vigarista do rock, assim como a banda que criou, o Sex Pistols.

O talento estava mesmo nas mãos de Vivienne, que rasgou camisetas, pregou alfinetes, furou roupas e couros com cigarro, aplicou ossos de frango formando a palavra ‘rock’, e costurou a boca da rainha Elizabeth. “Criei algo novo destruindo o antigo. Isso não era moda como mercadoria, era moda como ideia”, declara Vivienne em passagem do livro. Um dos maiores ícones dessa época, vendida até hoje, é a camiseta com seios nus estampados na altura do peito. Rejeitar tabus com humor irônico é exercício constante. O que dizer de colocar em pessoas coleiras de cães? “Você coloca aquilo e está basicamente se insultando, mas também está se limpando de toda a vaidade”.

“Se você usa belas roupas, tem uma vida melhor”, diz a estilista, para quem uma roupa pode trazer confiança, autoestima, atitude, principalmente se a pessoa faz parte da base da pirâmide econômica e é invisível aos olhos da elite, assim como Vivienne poderia ter sido, não fosse o talento e a busca pelo conhecimento. A inspiração vem também de filmes como “Taxi driver” e “Laranja mecânica”.

Primeira a colocar um tênis numa passarela, foi Vivienne quem apresentou o visual “sem-teto” à grife vanguardista Comme des Garçons. É dela também a saia tubinho e a capa de chuva com várias camadas, muito copiada no Japão. “Pegamos o melhor do passado, e seus ideais para o futuro, e o fazemos dialogar como nosso presente e com nossa expectativa para o futuro. É isso que é a cultura, e o que a moda, em seu melhor, pode fazer”, resume a estilista.

 

Veja também

Artes visuais: como curadores e galeristas escolhem novos talentos no Recife
Artes Visuais

Artes visuais: como curadores e galeristas escolhem novos talentos no Recife

Após desfalcar The Voice Kids, Claudia Leitte volta como jurada em versão sênior do programa
disputa musical

Após desfalcar The Voice Kids, Claudia Leitte volta como jurada em versão sênior do programa