Estudos sobre a sociedade brasileira na obra de Abdias de Moura

Autor autografa hoje nova edição do livro “O Sumidouro do São Francisco”, lançado há 30 anos

Escritor e  jornalista  pernambucano ocupa a cadeira 32 da Academia Pernambucana de Letras (APL)Escritor e jornalista pernambucano ocupa a cadeira 32 da Academia Pernambucana de Letras (APL) - Foto: Leo Motta

A intenção de estudar a sociedade brasileira a partir de um trecho geográfico expressivo no País fez do livro “O Sumidouro do São Francisco” uma obra atemporal lançada há 30 anos pelo acadêmico Abdias Moura, formado em Jornalismo, Direito e Sociologia. O feito conduz o lançamento de uma quarta edição, nesta segunda-feira (13), às 16h, na Academia Pernambucana de Letras (APL), no bairro das Graças. É quando a publicação de mais de 400 páginas, editada pela carioca Tempo Brasileiro, reassume a discussão sobre a origem dos conflitos no Brasil em uma narrativa descritiva e embasada por fatos históricos.

O marco referencial do trabalho - dividido em 26 capítulos, que o leitor pode explorar de forma independente -, foi uma área situada ao norte da Cachoeira de Paulo Afonso, na margem esquerda do Rio São Francisco, ainda em Pernambuco. Por lá, Abdias Moura iniciou o processo de pesquisa de 15 dias, no final da década de 1970, com a população que mantinha seu sentido mais primitivo de viver. “Digo que é uma análise a partir do Sertão, sem ser um estudo sobre o Sertão”, adianta o escritor e também jornalista, que caiu em campo com o olhar sociológico para as formas de ocupação, cultura e tradição.

Antes mesmo de ocupar a cadeira 32 da APL, Abdias trabalhava para a Sudene como advogado. “Eles fizeram convênio com a Organização dos Estados Americanos (OEA), que pediu estudo sobre a Bacia Hidrográfica de Jatobá. Para a comissão, era preciso um sociólogo deles, uma argentina e outro daqui. Topei por ser interessante e por até então não conhecer o Sertão”, lembra ele. O grupo passou por lugares como Arcoverde, Inajá e Floresta, até chegar ao destino final. “Pedi para fazer algumas entrevistas e eu mesmo fui conversar com chefes de aldeia, presidente de sindicato e pessoas vivendo como índios”, comenta. O material com toda observação dos encontros e fatos foi sendo embasado como uma espécie de relatório completo sobre aquela população, sua origem, como chegaram lá e até um breve resumo histórico.

Foram seis anos organizando o conteúdo até a primeira edição ser lançada em 1985. “Mas foi um acaso, nunca digo que ele surgiu de propósito”, reforça. Na época, o Ministro da Educação, o baiano Eduardo Portella, agora membro da Academia Brasileira de Letras, escreveu a orelha do livro definindo a obra como multidisciplinar, em que a sociedade brasileira é vista do seu prisma, da sua vontade enraizada. “O Sumidouro do São Francisco opera, com argúcia e astúcia, o que vem a ser um método intertextual: contracena de línguas e linguagens, de culturas e de raças, diferentes cruzamentos interpretativos irrompendo ao longo da nossa história”, diz um trecho. Assim foi sendo publicado pela Tempo Brasileiro, que foge de uma linha comercial de produtos. Para o conjunto, não faltaram análises positivas do professor da pós-graduação em Educação, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Flávio Brayner, e do escritor Raimundo Carrero, que concordam no surgimento de um clássico pela forma como a realidade sociocultural é retratada.

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