"E.T. Edu & Tatá", do Multishow, se perde em meio a trocadilhos infames e humor sem sentido
Em muitos quadros, eles apenas repetem esquemas criados no "Casseta & Planeta, Urgente!" há mais de 30 anos. E nem eram tão brilhantes assim para serem repetidos
Muitas vezes, o excesso de intimidade dá espaço para o abuso. E para a falta de parâmetro. E isso pode explicar o que sucede com “E.T. – Edu & Tatá”, que o Multishow começou a exibir na segunda quinzena de maio e também está disponível no Globoplay.
No humorístico fica visível que os dois artistas são amigos, nutrem uma admiração mútua e se divertem muito produzindo os esquetes. O problema é que essa diversão só chega aos espectadores portadores de infinita boa vontade com os dois.
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Até porque são, de fato, são dois comediantes talentosos. Mas principalmente quando separados, pois ficam limitados por elementos externos e pela necessidade de dar sentido à viagem lisérgica que gostam de embarcar. Tatá, revelada na MTV, tem enorme capacidade de improviso. Sterblitch, surgido no “Pânico na TV”, cria personagens e situações nonsense.
O humor de “E.T. – Edu & Tatá”, portanto, nasce exatamente da junção da juventude alienada e deslumbrada do “Comédia MTV” com os comediantes preconceituosos e protofacistas da Jovem Pan.
Em cena, os dois promovem um turbilhão de esquetes sem sentido e, na maioria das vezes, sem qualquer graça. Em muitos quadros, eles apenas repetem esquemas criados no “Casseta & Planeta, Urgente!” há mais de 30 anos. E nem eram tão brilhantes assim para serem repetidos.
É o caso das falsas propagandas e das paródias de programas da tevê. A participação constrangedora de convidados tem origem no “Lady Nigth”, protagonizado pela própria Tatá, e os clipes histriônicos, importados dos velhos quadros de “Os Trapalhões”.
É preciso insistir que são dois artistas talentosos. Mas como todos atores profundamente envolvidos com a própria profissão, não têm senso de ridículo. E nem devem ter. Senso crítico em cena, provocaria vergonha de interpretar determinada ação, o que limitaria o alcance do ator. Para dar esse parâmetro servem roteiristas e, principalmente, diretores.
Ou seja: Joana Clark, Rafael Queiroga e Patrícia Pedrosa, que dirigem o programa, é que deveriam cuidar para que os dois não perdessem a perspectiva de quem está à frente da tevê. Mas deixam os dois como bichos soltos.

