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Eu Acho é Pouco: folia e engajamento político no Carnaval

O famoso bloco carnavalesco não terá o seu tradicional baile pré-Carnaval este ano, mas toda a agenda de folia da agremiação está mantida

Bloco Eu Acho É PoucoBloco Eu Acho É Pouco - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

Nas tardes do sábado de Zé Pereira e na terça-feira gorda, um mar vermelho e amarelo toma conta de Olinda. Um dragão gigante guia os milhares de foliões que não abrem mão de curtir a festa seguindo um dos mais populares blocos carnavalescos de Pernambuco. É o Grêmio Lítero Recreativo Cultural Misto Carnavalesco Eu Acho é Pouco, que, desde a sua fundação, em 1976, une diversão e engajamento político. Em 2020, o bloco mantém firme essa identidade, mesmo enfrentando dificuldades. Neste sábado (1), um arrastão promete animar o público a partir das 9h, com saída da sede da agremiação, em frente à praça Laura Nigro, no Carmo.

A organização do bloco utilizou as redes sociais, no final de janeiro, para anunciar que a sua tradicional prévia, o Baile Vermelho e Amarelo, que acontece há 38 anos, não seria realizada desta vez. Em 2019, a agremiação inovou ao promover a festa gratuitamente na Praça do Carmo, em Olinda. Segundo a produção, a autorização para utilizar o local novamente neste ano foi obtida, porém o lugar já estaria ocupado pela prefeitura, que montou um palco para o Carnaval.

Procurada pela reportagem da Folha de Pernambuco, a Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Olinda afirmou que a decisão do Eu Acho É Pouco ocorreu por escolha da própria organização do bloco e não por interferência do poder municipal. "No Carnaval do ano passado, a agremiação promoveu a sua festa na Praça do Carmo, mesmo com a existência do palco. Este ano, a opção foi por um local mais aberto", diz a nota oficial. Com ou sem baile, o bloco não pretende deixar de suprir a sede de Carnaval dos seus foliões. Além do evento de amanhã, a agremiação prepara um ensaio aberto para o dia 9 de fevereiro, comemorando Dia do Frevo, com concentração na sua sede, pela manhã.

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"Sem dúvidas, nós somos uma voz de resistência. Nos últimos dois anos, a gente falou muito nessa palavra. O que é peculiar no Eu Acho É Pouco é que nunca utilizamos subsídio público. A gente consegue colocar o bloco na rua e ser essa tal voz que está defendendo causas que muitas vezes o governo não quer defender", afirma Thiago Marinho, um dos integrantes da agremiação. Criado em plena ditadura militar, o bloco mantém vivo o tom de contestação que embalou seu surgimento.

Hoje, o bloco é organizado por uma segunda geração, composta de filhos, netos, sobrinhos, parentes e amigos dos fundadores. "Já estamos treinando os filhos da gente para que, no futuro, eles venham a assumir nossas tarefas. Aos poucos, queremos começar a sair dessa linha de frente e eles assumirem. É importante manter um olhar não apenas de tradição, mas também de renovação. Os mais jovens trazem questões da sociedade que, às vezes, nem percebemos e, por causa deles, começamos a prestar atenção", aponta.

Sem patrocínios, o bloco sai às ruas graças ao esforço de seus integrantes, que trabalham de forma voluntária. A venda de camisas, ecobags, copos e outros produtos com a marca da agremiação, além de uma campanha de financiamento coletivo já encerrada, é o que possibilitará os desfiles durante o período momesco. A identidade visual, uma das características mais marcantes do bloco, ganhou o reforço especial da cartunista Laerte. É ela quem assina a arte que estampa a camisa do bloco, com uma bruxa em vermelho e amarelo.

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