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Exposição de estamparia 'Brise' se inspira na arquitetura moderna

A figurinista Rita Azevedo e a designer gráfica Mariana Pinheiro assinam dez estampas, que poderão ser vistas no Museu do Estado

Rita Azevedo e Mariana Pinheiro assinam a exposição "Brise"Rita Azevedo e Mariana Pinheiro assinam a exposição "Brise" - Foto: Mar Fotografia/Divulgação

Cobogós, jardins, pergolados, brises soleils: esses e outros elementos da arquitetura moderna inspiraram a figurinista Rita Azevedo e a designer gráfica Mariana Pinheiro criaram dez estampas. As obras estão reunidas na exposição "Brise", que entra em cartaz no Espaço Cícero Dias, do Museu do Estado, com abertura nesta quarta-feira (22), às 19h.

As criações têm como ponto de partida o livro "Obituário Arquitetônico – Pernambuco Modernista" (2007), do arquiteto Luiz Amorim. Na publicação, o autor mapeia exemplares da arquitetura moderna que estão sumindo precocemente das edificações pernambucanas. "A gente precisava entender que tipos de transformações essas obras estão sofrendo, não só as demolições por completo, mas também as reformas desastrosas das suas fachadas e volumetrias, descaracterizando esse estilo e contribuindo para o desaparecimento do modernismo na nossa cidade", explica Rita.

Com a reflexão gerada pelo livro em mente, as artistas buscaram levar para o tecido as formas e traços típicos das construções implementadas por aqui no início do século 20, quando o movimento arquitetônico modernista foi adaptado ao clima tropical brasileiro. As estampas receberam os nomes de Brise, Cobogó, Pergolado, Natureza, Curva, Helicoidal, Norte, Agenciamento, Fachada e Humana. O material está exposto em nove colunas de tecidos em algodão de 6,5 metros de comprimento e 90 centímetros de diâmetro, penduradas no salão central do espaço.

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"A estética da arquitetura moderna sempre foi inspiração nos processos criativos, para mim, que sou figurinista, e para Mariana, como designer. Foi a primeira certeza que tivemos quando nos juntamos para discutir sobre esse novo projeto. Os elementos vazados de conforto ambiental, criados para os trópicos, se transformaram em estampas feitas em serigrafia com um frescor especial na composição das cores", aponta.

A interação é um das marcas da exposição. "Além das estampas desenvolvidas, criamos um espaço com técnicas de efeito ótico. Vamos ter duas obras modernistas com desenhos sobrepostos. Em azul, a imagem da obra original criada nas décadas de 1950 e 1960, e sobreposta a ela, em vermelho, a imagem da mesma obra transformada nos anos 2000. O visitante poderá observar através de uma janela de acrílico vermelha apenas o projeto original. É perturbador constatar a falta de cuidado e perceber que estamos perdendo prematuramente esse estilo em nossa cidade", comenta.

Aproveitando o período de férias escolares, a dupla também preparou uma atividade para que as crianças possam desenvolver suas próprias estampas, por meio de carimbos, com elementos das obras da exposição. A mostra, que tem incentivo do Funcultura, ficará em cartaz até o dia 1º de março. As visitas ocorrem de terça a sexta-feira, das 9h às 17h, e aos sábados e domingos, das 14h às 17h. A entrada custa R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada).

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