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Exposição em Noronha faz críticas ao governo Bolsonaro

Em "Sobremarinhos - Capitanias e tiranias", fotógrafo pernambucano Gilvan Barreto une textos, colagens e fotocolagens para questionar, principalmente, a política ambiental do atual governo

Paisagem do Araguaia, da série "Postcards from Brazil", de Gilvan BarretoPaisagem do Araguaia, da série "Postcards from Brazil", de Gilvan Barreto - Foto: Gilvan Barreto/Divulgação

No segundo turno das últimas eleições presidenciais, Jair Bolsonaro (PSL) obteve 51,14% dos votos do arquipélago de Fernando de Noronha. Em um dos poucos redutos pernambucanos onde o atual presidente saiu vencedor, o fotógrafo e artista visual Gilvan Barreto acaba de entrar em cartaz com uma exposição repleta de críticas ao seu governo. Unindo textos, colagens, fotocolagens e fotografias, "Sobremarinhos - Capitanias e tiranias" pode ser vista até 18 de julho, na Sala Miguel Arraes, em Noronha, com entrada gratuita.

De acordo com o texto de apresentação, escrito pelo curador Eder Chiodetto, a mostra "fala de um País, uma terra em transe, na qual a lógica sucumbiu, o ódio se alastrou, o diálogo político foi corrompido e os salvadores da pátria se perderam entre messianismos anacrônicos e negociatas escusas".

Com obras inéditas e outras já premiadas, o artista mira em algumas das principais polêmicas envolvendo a gestão de Bolsonaro, especialmente no que diz respeito a sua política ambiental. "A exposição toca, principalmente, na questão do desmonte do meio ambiente que está em curso. Ela mostra as belezas da nossa riqueza natural e os horrores que estão escondidos atrás dessas paisagens", afirma Gilvan.

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"Tivemos o apoio do Governo de Pernambuco, através da administração da ilha. Não importa se Bolsonaro ganhou aqui. Nossa opinião é divergente, de resistência, e não vamos ceder nenhum milímetro", defende o artista, em relação à política de meio ambiente do Governo Federal, entre outras atitudes. O projeto tem incentivo do Funcultura.

Na obra "Cocorocas", Gilvan parte da multa recebida pelo presidente, em 2012, por pesca irregular em Angra dos Reis (RJ). "É um trabalho com muitas fotos e textos, interligados por linhas de pescas, mostrando uma espécie de rede". Já "Se é para olhar para trás" traz duas fotografias do ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes durante o golpe militar de 1964. Por cima das imagens, há um texto escrito pelo próprio Gilvan.

Outra obra em destaque na exposição é a série "Postcards from Brazil", vencedora do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger de 2017. O trabalho se apropria de fotografias de paisagens nacionais, utilizadas pela Embratur e outros órgãos oficias de turismo brasileiros durante o período da ditadura. Os recortes nas imagens representam as vítimas mortas ou torturadas em cada um destes locais.

As colagens de "Tigrada" mostram formas humanas misturadas com répteis, felinos, anfíbios, peixes, aves e insetos. A proposta faz menção aos oficiais de baixa patente da Ditadura Militar que usavam codinomes de animais, acusados de crimes como torturas, estupros e assassinatos de opositores ao regime.

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