Fábula despretensiosa

Matt Damon é o protagonista de “A Grande Muralha”, que mostra uma batalha épica entre humanos e monstros na Muralha da China

Longa- metragem coloca  personagens em guerra contra criaturas  diabólicasLonga- metragem coloca personagens em guerra contra criaturas diabólicas - Foto: Universal Pictures/Divulgação

Logo no início de “A Grande Muralha”, aventura que está em cartaz nos cinemas do País, o espectador é apresentado a um breve resumo da história da construção milenar chinesa. Mas quem espera um retrato fiel, ou ao menos com algum grau de coerência com a realidade, vai se desapontar. Na produção protagonizada por Matt Damon, a muralha serve para defender o Império de uma ameaça muito mais sombria do que as tribos vizinhas. São de criaturas diabólicas conhecidas como Tao Tei, que a cada 60 anos saem das montanhas para tentar destruir os vilarejos. O filme é dirigido por Yimou Zhang (“Herói”, “O Clã das Adagas Voadoras”). 
Damon estrela o filme ao lado do chileno Pedro Pascal (“Game of Thrones”). Eles interpretam, respectivamente, William e Tovar, dois mercenários em busca de pólvora, material até então raro, e que faria grande diferença nas guerras do Ocidente. É durante a caçada que eles são capturados pelo exército chinês da Muralha. Lá, os dois acabam tendo que se unir contra a ameaça Tao Tei.
Já de cara, um dos pontos certeiros do filme é a química entre Damon e o canastrão Pascal. Enquanto um deseja lutar pela causa nobre dos chineses, o outro passa o filme inteiro pensando em como roubar a pólvora e dar o fora dali, o que acaba gerando momentos cômicos que servem como respiro para a trama. Uma vez na Muralha, descobrimos que existe uma espécie de “tropa de elite” liderada pela Comandante Lin (Jing Tian), que se prepara há anos para combater a ameaça.
As cenas de batalha são valorizadas se vistas em uma sa­la IMAX, em grande parte de­vido a sequências vertigino­sas que envolvem saltos pela Mu­ralha. Mas como é de se espe­rar em um blockbuster, não há uma gota de sangue, mes­mo com personagens sendo destroçados ao meio pelos Tao Tei. Os próprios monstros, inclusive, não parecem tão ameaçadores e morrem com tremenda facilidade.
Antes mesmo da estreia, o filme gerou polêmica por trazer um ator ocidental como protagonista. E de fato, em alguns momentos, o roteiro leva a crer que a presença de William (Damon) na batalha seria o “diferencial” que levaria à vitória. Para equilibrar, o filme acerta na escolha do elenco composto majoritariamente por atores asiáticos. As únicas exceções sendo Damon, Pascal e Willem Dafoe, em uma participação divertida, mas dispensável. Além de não haver o “whitewashing” (quando personagens de diferentes etnias são interpretados por ocidentais brancos), os personagens asiáticos conversam entre si em mandarim, tendência que já havia sido bem explorada em “Assassin’s Creed” (2016).
O roteiro foge de grandes aprofundamentos nos personagens, mas compensa com passagens de ação divertidas e tecnicamente impecáveis. Uma fábula despretensiosa, mas que ao menos vale o ingresso pela diversão.

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