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Famílias venezuelanas têm suas histórias contadas em documentário

Lançado no Cinema São Luiz, nesta segunda-feira (20), "Vindas e Vidas" é um retrato da migração venezuelana marcado por muita sensibilidade

Rodrigo Figueiredo e Noelis Quijada com as filhasRodrigo Figueiredo e Noelis Quijada com as filhas - Foto: Jose Britto/Folha de Pernambuco

Todos os dias, cerca de cinco mil pessoas deixam a Venezuela. Elas saem do país para fugir da escassez de alimentos, remédios e outros itens básicos, além do clima de tensão nas ruas e da falta de perspectiva para suas famílias. Em novembro de 2019, o Brasil era o sexto destino mais procurado pelos venezuelanos em busca de acolhimento. A partir da história de quatro famílias que saíram do país vizinho e hoje vivem em Pernambuco, o documentário “Vindas e Vidas”, lançado anteontem, no Cinema São Luiz, tenta explicar o que é ser migrante e refugiado, independentemente da nacionalidade, e quais os desafios do acolhimento e da integração dessas pessoas em seu local de destino.

Uma das histórias que compõem o documentário é a da família do brasileiro Rodrigo Figueiredo, 41. Ele chegou à Venezuela em 2006, sem planos de ficar no país, mas acabou formando uma família com Noelis Quijada, 41. Cerca de uma década depois de se conhecerem, eles decidiram vender por 2 mil dólares a casa onde moravam para atravessar a fronteira com as filhas rumo a Porto Alegre. O casal aprovou o resultado final do documentário. "A intenção é fazer que o brasileiro veja que as pessoas que chegam estão vivendo um drama. Meu caso, por exemplo, é marcante, porque mostra que sou brasileiro, fui recebido lá, mas agora voltei para o Brasil e estou sendo recebido aqui com minha família. Ou seja, qualquer ser humano pode passar por esta situação", disse Rodrigo Figueiredo.

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Com duas filhas, de 4 e 6 anos, Maira Karina Quiaro,33, e Franklin Rivas Pinto, 31, também se viram obrigados a sair da Venezuela em busca de melhores condições de vida. "Chegamos a Boa Vista, Roraima, há cerca de dois anos. Lá moramos 20 dias na rua com as meninas. Acho que foi a situação mais difícil que passamos. Ficar na rua de noite, de dia, com chuva foi complicado", lembra Maira. Apesar de estarem retomando a vida, eles não esquecem os amigos e parentes que ficaram no país de origem. "As pessoas que moram lá são super humanos para continuarem passando por todos estes problemas", avalia Franklin.

Estas duas famílias receberam o apoio da Cáritas, que é ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A secretária regional da organização, Neilda Pereira, conta que uma das maiores dificuldades dos migrantes é ter que sair do seu país em busca de algo desconhecido. "A primeira expectativas deles é ter emprego, conseguir se manter e mandar ajuda para a família que ficou na Venezuela", comenta. Ela avalia que iniciativas como o documentário ajudam a levar informação à sociedade. "Muitas vezes, há um certo preconceito simplesmente por desconhecimento do problema", disse.

Para o procurador-chefe da PRR5, Marcelo Alves, o tema da migração é atual e ocorre no mundo inteiro. "A gente quer alertar a população para essa nova leva de pessoas que estão vindo por demanda espontânea em situação de muito mais vulnerabilidade. Essas pessoas que estão nas ruas do Recife hoje fazem parte de uma etnia indígena venezuelana que estava migrando dentro do própria país porque foram desalojadas de suas terras por problemas internos", falou. Fruto de uma parceria entre o Ministério Público Federal (MPF) da 5ª região, Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e Cáritas Brasileira Regional Nordeste 2, o documentário será exibido em sessões específicas atreladas a debates e futuramente deverá ser disponibilizado nas plataformas digitais.

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