Fátima Quintas lança sua autobiografia 'Tempos Partidos'

Lançamento do livro de Fátima Quintas, nesta segunda-feira, na Academia Pernambucana de Letras, será acompanhado de recital, exposição de pinturas e apresentações musicais

Na publicação, autora traça com sensibilidade perfis familiaresNa publicação, autora traça com sensibilidade perfis familiares - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

"A lembrança existe, e é um ponto de vista. Enxergo a verdade entre aspas. Para mim, a memória passa pela ficção e não traz um compromisso total com o realismo. Quando a gente relembra, também reinventa, atenua passagens doloridas e dá outras cores ao que viveu. É claro que partimos de um momento real, que remete a pessoas, fatos e acontecimentos que efetivamente aconteceram. Mas escrevi com a liberdade e a reinvenção exigidas pela literatura", conta a escritora e antropóloga Fátima Quintas, que apresenta oficialmente nesta segunda-feira (9) sua autobiografia "Tempos Partidos", às 18h, na Academia Pernambucana de Letras (APL).

O lançamento de "Tempos Partidos" vai acontecer paralelamente a uma programação cultural em homenagem a Fátima Quintas. Haverá um recital de textos da autora, realizado pelo ator Adriano Cabral; uma exposição de pinturas a óleo de vários artistas, incluindo duas telas que retratam a escritora e seu pai, Amaro Quintas; a apresentação da música "Recife das Pontes", da escritora Myriam Brindeiro; além da performance da Orquestra Sinfônica de Feira Nova, formada por 55 crianças do Agreste pernambucano.

Com esta obra, Fátima completa 50 livros lançados em uma longa carreira como professora, pesquisadora e escritora. O livro não dá conta de toda a vida de Fátima; ela se volta para sua infância e juventude, traçando com sensibilidade os perfis de familiares como o pai, Amaro Quintas, a mãe, Edith Queiroz de Andrade, e os irmãos, Mardônio e Elisa. "Sou tempos, não reluto em recordar por recordar, pelo simples regozijo de viver de novo fatos antigos, quantas vezes for necessário", escreve Fátima logo no início da obra.

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Como pano de fundo, ela retrata o Recife da época, com personagens saborosos como o acendedor de lampiões, o peixeiro, a lavadeira. Fala dos passeios familiares aos domingos, em que o pai, historiador, mostrava às crianças a memória do Recife, contextualizando no tempo e espaço os locais da ocupação holandesa, da Batalha dos Guararapes, da Revolução de 1817...

Ela permite que o leitor vislumbre o desenvolver de uma menina tímida, retraída, mas atenta ao mundo que a cerca."Necessitei imaginar-me outra pessoa para sobreviver a mim mesma. Eu me transformava em alegre, ousada, corajosa, destemida", aponta. Fátima começou a escrever precocemente, por volta dos sete anos, e se enamorou para sempre pela língua portuguesa.

"Colecionei palavras como quem coleciona selos. Enchi cadernos com palavras por mim consideradas belas, sobretudo lúdicas. Ainda guardo esses cadernos e neles encontro palavras doces, amigas, sonoras: açucena, celestial, vestal, lusco-fusco, esmerilar, valquírias, acídia, bucólico, sumiço, luzir, celebrar", descreve.

Diário imaginário

"Tempos Partidos" aborda a vida profissional de Fátima, que assumiu uma vaga na Fundação Joaquim Nabuco no momento em que seu pai foi cassado e perseguido politicamente, após o golpe militar de 1964, e posteriormente fez pós-graduação em Portugal. O livro também tem sua cota de romance, registrando os primeiros amores da menina em crescimento e sua transformação em mulher após um noivado desfeito e a viuvez.

Como recurso literário, a escritora criou um "baú de feitiços", uma espécie de diário imaginário onde procura se exprimir de forma mais explícita, na primeira pessoa. Com uma luxuosa edição em capa dura, a obra teve a ilustração frontal escolhida pela autora, que se identificou com a imagem de uma mulher de costas, mirando um espelho, feita pela pintora impressionista francesa Berthe Morisot. "Me identifiquei com a mulher, apesar de eu não ser loura. Vejo que ela tem um certo medo em se mostrar. A vida é assim, tem seus refúgios", confessa.

Serviço:

Lançamento do livro "Tempos Partidos (Memórias)" (Editora Bagaço, 334 págs, R$ 50)
Academia Pernambucana de Letras (Av. Rui Barbosa, 159, Graças)
Nesta segunda-feira (9), a partir das 18h
Entrada gratuita
Após o lançamento, o livro estará à venda nas livrarias da Jaqueira e Imperatriz
Informações: (81) 3268-2211

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