Feminino na cultura afro-brasileira guia bailarina pernambucana

Maria Paula Costa Rêgo, do Grupo Grial, leva ao palco solo de dança no Janeiro de Grandes Espetáculos

“Amor segundo as mulheres de Xangô” será encenado neste sábado (20h) e domingo (18h),  no Teatro Hermilo Borba Filho“Amor segundo as mulheres de Xangô” será encenado neste sábado (20h) e domingo (18h), no Teatro Hermilo Borba Filho - Foto: Iagor peres/Divulgação

 

A presença do feminino nas religiões afro-brasileiras guia a bailarina pernambucana Maria Paula Costa Rêgo em seu mais novo solo de dança. “Amor segundo as mulheres de Xangô”, que estreia dentro da programação do 23º Janeiro de Grandes Espetáculos, marca o início das comemorações pelos 20 anos do Grupo Grial, fundado pela artista em parceria com o escritor e dramaturgo Ariano Suassuna.

As primeiras sessões ocorrem no Teatro Hermilo Borba Filho, neste final de semana: sábado, às 20h; e domingo, às 18h. Mais uma vez, Maria Paula sobe ao palco dirigida por Eric Valença.

A dupla buscou na mitologia africana o sustento necessário para a construção da dramaturgia que norteia o trabalho coreográfico. Para abordar o amor e suas questões, eles se inspiraram no relacionamento entre Xangô (divindade iorubá cultuada tanto no candomblé como na umbanda) com suas três mulheres: Oxum, Obá e Iansã. Com esse novo espetáculo, o Grial dá continuidade à pesquisa iniciada em “Abô” (2014), que também girava em torno do universo dos orixás.

“Na verdade, desde ‘Terra’ (2013), a gente vem tentando adentrar nas matrizes culturais brasileiras. Só que isso ainda não tinha ocorrido de uma maneira tão profunda. Em ‘Abô‘ visitamos os terreiros e participamos das festividades, mas agora o próprio diretor faz parte de um desses terreiros. Então, o solo acaba sendo uma resposta ao sagrado que surgiu dentro dele durante esse processo”, conta a bailarina.

Tomando o mito como fonte de inspiração, a montagem extrapola o campo da fé e amplia o debate sobre a mulher e seus diferentes papéis na sociedade. As divindades incorporadas por Maria Paula em cena correspondem a diferentes arquétipos femininos. Iansã é a mulher guerreira, Oxum a mulher vaidosa e Obá a mulher apaixonada. “O ponto de partida é a história dos amores de Xangô, mas depois vão surgindo outros questionamentos de cunho político”, adianta.

Programação
Nesta quinta-feira (19), o Janeiro de Grandes Espetáculos traz ao público três atrações. Com sessão no Teatro Marco Camarotti, às 19h, “O mascate, a pé rapada e os forasteiros” utiliza a linguagem do teatro de objetos para encenar uma história sobre Recife e Olinda. Na trama, as cidades formam um casal, que ganha vida através do ator Diógenes D. Lima.

Em “Histórias bordadas em mim”, que pode ser visto no Espaço O Poste, às 20h, a atriz Agrinez Melo divide com o público suas próprias lembranças. Já para os fãs de Elis Regina, a cantora Sheyla Costa apresenta um show em homenagem à “Pimentinha”, também às 20h, no Teatro Apolo. O repertório conta ainda com outros sucessos da música brasileira e francesa.

 

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