Fenearte: governo oferece incentivo para produção de artesãos

Artesãos podem conseguir financiamento para obter capital de giro, investindo em maquinário ou insumos para a produção das peças da Fenearte, com juros bem mais baixos que o dos bancos

Rosimar Vicente Gomes pediu o empréstimo e lucrou ao criar novo modelo de pulseiraRosimar Vicente Gomes pediu o empréstimo e lucrou ao criar novo modelo de pulseira - Foto: Brenda Alcântara / Folha de Pernambuco

Organizar a Feira Nacional de Negócios de Artesanato (Fenearte), que ocorre em julho e faz em 2018 sua 19ª edição, no Centro de Convenções de Pernambuco, é um processo que consome muitos meses. Para os artesãos, é preciso se planejar com quase um ano de antecedência.

"As inscrições são abertas a partir de outubro [de cada ano]", pontua o coordenador geral da feira, Thiago Angelus. Ele afirma que a Fenearte tem "o menor custo por metro quadrado do Brasil" quando comparada a outros eventos do gênero. Ainda assim, algumas pessoas não ousam tentar expor por medo dos altos custos de locar espaço e produzir peças para comercializar ao longo dos 12 dias de feira.

O que muitos não sabem, porém, é que é possível dividir o valor do estande (que pode ser parcelado em até nove vezes) e até mesmo conseguir financiamento para obter capital de giro, investindo em maquinário ou insumos para a produção das peças, com juros bem mais baixos que os praticados pelos bancos.

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Segundo a secretária executiva de Planejamento, Articulação e Captação da Secretaria Estadual da Micro e Pequena Empresa, Trabalho e Qualificação (Sempetq), Fernanda Dubeux, existe um fundo específico de microcrédito que é operado pela Agência de Fomento de Pernambuco (Agefepe), há cinco anos.

Nos últimos três, o foco no artesão vem sendo intensificado. "Em janeiro, quando houve a seleção e sorteio dos estandes da Fenearte, divulgamos essa possibilidade entre os contemplados", conta. É possível conseguir empréstimos de até R$ 15 mil (o valor depende da capacidade de pagamento e das necessidades do empreendedor), que devem ser pagos em doze parcelas, com juro mensal de apenas 2%, ao passo que a média nos bancos é pelo menos quatro vezes maior.

"A Agefepe começou a fazer essa ação de ligar oferecendo financiamento aos artesãos da Fenearte pelo fato de percebermos que era comum faltar produtos nos estandes nos últimos dias da feira. Havia pessoas que continuavam no espaço sem ter sequer o que vender, apenas exibindo mostruários", revela Fernanda, reforçando que esta forma de crédito está disponível para qualquer tipo de microempreendedor, ao longo de todo o ano.

Ela conta que, em 2017, foram disponibilizados mais de R$ 300 mil, sendo que os empréstimos giram em torno de R$ 3 mil. "A Agefepe é vinculada à nossa secretaria e nossa intenção é fomentar a produção e não estimular o crédito pelo crédito. Nos preocupamos em traçar políticas voltadas para os artesãos e intensificar a viabilidade desses empreendimentos. Às vezes, somas aparentemente pequenas, como R$ 1 mil, fazem toda a diferença em um negócio", aponta.

   Incentivo fundamental 

A microempresária Rosimar Vicente Gomes comercializa bijuterias finas e expõe na Fenearte há seis anos. "Tenho muito retorno não só pelas vendas, mas também por conta da divulgação. A feira é muito boa mesmo na crise, ela me sustenta pelo ano todo", afirma.

Há três anos, ela viu na oferta da Agefepe uma oportunidade de crescer, e pediu um empréstimo de R$ 4,5 mil para investir na produção de uma pulseira específica. "Aproveitei que tenho 25 anos de mercado e arrisquei. Peguei o dinheiro só para comprar material para confeccionar esse modelo", relembra.

Antes, ela pesquisou no comércio e descobriu que, pagando à vista, teria um desconto de 20% na compra dos insumos. Ela também calculou o impacto das parcelas sobre seu orçamento. "Dividi em doze vezes, então ficou suave para pagar". Com tudo certo, ela partiu para a produção. Ao final, Rosimar lucrou mais de R$ 30 mil.

   Expor gratuitamente

Produtora de sandálias artesanais de couro, Ana Falcão também participa da Fenearte desde o início, e já chegou a pegar verba com a Agefepe uma vez. "Os juros são ótimos, mas não penso em pedir de novo. Minha dificuldade é que minhas peças são autorais e pintadas à mão. Eu trabalho sozinha, e por isso minha produção é pequena. Não tenho volume para ocupar um estande só meu, nunca levo mais de cem peças e sempre fico num espaço coletivo. Geralmente, consigo expor de graça, através do Governo de Pernambuco", revela.

Segundo Thiago Angelus, os valores para ter um estande individual na Fenearte variam de R$ 3.391 (para espaços de esquina, locados por artesãos sem registro no Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro - Sicab) e R$ 2.260 (estandes de posicionamento normal, locados por artesãos com registro no Sicab).

Além do financiamento do estande e oportunidade de obter empréstimo, existe a possibilidade de conseguir gratuitamente um espaço para expor, caso a pessoa tenha carteirinha de artesão e seja selecionada. Também há descontos e até gratuidade para quem faz parte de associações ou integra os estandes das diversas prefeituras pernambucanas. Para tanto, é importante ficar atento aos editais e prazos divulgados através do site www.fenearte.pe.gov.br.

Serviço:

Agefepe (Sede Recife - Rua Dom João Costa, 20, Torreão)
Informações: (81) 3183-7450

 

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