Festival de Circo do Brasil coloca a afetividade como mote principal

Espetáculo de abertura da 12ª edição do festival começa nesta sexta-feira, no Teatro de Santa Isabel

Ex-deputado estadual Fernando LupaEx-deputado estadual Fernando Lupa - Foto: Aquivo Folha

 “Apesar”, espetáculo de abertura do 12º Festival de Circo do Brasil, tem como fio condutor a afetividade. O trabalho é assinado pelo grupo Sôlta Compagnie, formado pelo músico, bailarino, trapezista e videomaker francês Tom Prôneur e pela bailarina e trapezista brasileira Alluana Ribeiro, que são casados e vivem na região sul da França. As sessões serão realizadas no Teatro de Santa Isabel, nesta sexta e sábado, às 20h, e no próximo domingo, às 19h.

“Essa montagem surgiu de um desejo mútuo, meu e do Tom, de falarmos sobre a ideia de estarmos juntos nos dias de hoje. É um espetáculo que fala de intimidade, alianças, confiança, lealdade, mas também de fantasia e absurdo. A proposta partiu de muitas conversas entre nós dois”, revela Alluana, que é carioca e vive fora do País desde 2010. Ela e o esposo se conheceram em 2012 e, a partir de então, iniciaram uma parceria que se estende para a vida profissional.
“Nós dois atuamos em “Le petit prince”, do grupo Entr’act. Nos conhecemos, nos apaixonamos e, hoje em dia, somos casados e temos uma filhinha linda. Também foi a partir desse encontro que a gente começou a conversar sobre a vontade de criar uma companhia própria, com um trabalho autoral, para falar sobre questões que tocavam a gente”, relembra. Atualmente, a dupla prepara um novo projeto, que deve ser lançado em abril de 2017, em pleno verão europeu.
Primeiro espetáculo elaborado pela Sôlta Compagnie, “Apesar” explora a relação entre dois personagens que decidiram viver juntos, apesar de todas as dificuldades. Vivendo em um universo fantástico, o velho casal se esquece de como deve se comportar dentro da normalidade e o circo acaba se tornando seu modus operandi. Em cena, a dupla de artistas executa números de mastro pendular, acrobacias, malabares e equilibrismo. A peça estreou no ano passado, na bienal de circo de Marselha, e chega pela primeira vez ao Brasil.

Orçamento reduzido
A 12ª edição do Festival de Circo do Brasil, que ocorre desta sexta a 13 de novembro, ressalta o caráter portátil da arte circense. Em tempos de crise econômica e de cortes de patrocínios, a organização do evento resolveu apostar na capacidade que essa expressão artística tem de ser levada a todos os lugares e públicos com facilidade. “É uma edição simples, com o orçamento apertado, mas que vai do tradicional ao contemporâneo. A dificuldade financeira fez com que a gente pensasse em estratégias para cortar gastos e manter a qualidade”, afirma.
Seguindo a premissa de portabilidade, foi criado um caminhão palco-portátil, que levará atrações gratuitas em dez pontos da Região Metropolitana do Recife, incluindo Parque da Jaqueira, Praça do Arsenal e o COMPAZ Alto Santa Terezinha. Nos teatros, serão 17 apresentações, com ingressos a R$ 20 e R$ 10. Um dos destaques da programação é o Circo Zanni, que sobe ao palco do Teatro Luiz Mendonça, nos dias 12 e 13 de novembro. Referência no Brasil, o grupo circense tem como um de seus fundadores o ator Domingos Montagner, que faleceu em setembro.
Brasileiros residentes na Finlândia, os irmãos Luis e Pedro Sartori do Vale estreiam “Dois”, também nos dias 12 e 13, no Teatro de Santa Isabel. Brincando com a rivalidade e cumplicidade que há entre irmãos, a dupla mistura acrobacias com números de arco e flecha. Entre as atrações locais, a Duas Companhias comemora os 12 anos de “Caetana”, estrelado por Fabiana Pirro e Lívia Falcão. O festival conta ainda com ações formativa e exibições de filmes.

 

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