Festival de teatro inicia maratona de apresentações com a peça "A Merda"

No monólogo, é função da intérprete prender a atenção da plateia com um texto até então inédito em português

AmaroAmaro - Foto: Rafa Medeiros

A atriz Christiane Tricerri, 50 anos, fica impressionada que a nudez ainda cause tanto furor para o público em território nacional. Para ela, que participa do Teatro do Ornitorrinco há três décadas e já estampou seu corpo nu em festivais na Europa e Estados Unidos, em montagens como "Sonho de Uma Noite de Verão", ficar sem roupa num palco é algo super natural.

"É incrível, principalmente no Brasil, que é o País da bunda, mas não é do peito, nem da nudez frontal. Isso demonstra como ainda somos preconceituosos", argumenta a também diretora do solo "A Merda" (La Merda), espetáculo escolhido para abrir a maratona de espetáculos Festival de Teatro do Agreste (Feteag), em sua 35ª edição, nesta quinta-feira (6), às 20h, no Teatro de Santa Isabel. Uma nova sessão será realizada amanhã, no mesmo horário, no Teatro Rui Limeira Rosal, no Sesc Caruaru.

No monólogo, em que fica nua por quase uma hora, cabe à intérprete prender a atenção da plateia com um texto até então inédito em português. A peça original, escrita pelo premiado autor italiano Cristian Ceresoli, faz uma critica à ditatura da beleza, através de uma personagem que quer ficar famosa a qualquer preço, e também à necessidade de se melhorar as relações humanas.

Segundo a atriz, o fluxo ininterrupto de pensamentos que chega à cena é como "um soco no estômago, algo contemporâneo e inovador. "Está muito tênue a linha entre vítima e algoz. É preciso resistirpara existir. Se não estabelecermos novas relações humanas e voltar o olhar para nós mesmos e ao próximo, não haverá outra forma de habitar, de viver", ressalta Christiane.

Christiane afirma gostar da "pincelada teatral" presente no cinema pernambucano, em que atuou em longas como "Sangue Azul", de Lírio Ferreira, e se apresenta pela primeira vez em Pernambuco e volta à São Paulo, levando o monólogo ao Itaú Cultural. Como diretora, está envolvida na produção de "Isso Não É Um Sacrifício", de Fernando Bonassi.

A experiência de ficar quase uma hora segurando a plateia, nua e com um texto tão intenso, é um "tour de force", constata a artista. "É como num show de rock, pois o texto vai tocando nossas cordas corporais e vocais, dividido em três partituras musicais. Até alcançá-lo, é um trabalho árduo, mas um extremo prazer fazê-lo", garante.

Contemporâneo

Ao celebrar seus 35 anos de existência, o Feteag contará com uma grade que inclui 12 espetáculos profissionais, quatro peças estudantis e uma roda de diálogo, sendo 21 sessões em Caruaru e mais quatro no Recife. Essa temporada também marca dos 54 anos do TEA (Teatro Experimental de Arte), coordenado por Argemiro Pascoal, já falecido, e Arary Marrocos, os pais de Fábio Pascoal, diretor da Feteag. Entre os destaques, "Conversas com meu pai", de Janaina Leite, do paulista Grupo XIX de Teatro, "Pupik - Fuga em 2", dueto cênico com Naomi Silman, do Lume Teatro, e a israelense Yael Karavan e ainda o Teatro da Vertigem, com "Kafka na estrada - Um projeto de viagem". O evento tem incentivo do Funcultura Estadual.

Serviço
Espetáculo "A Merda" (La Merda)
Onde: Teatro de Santa Isabel (Praça da República, s/n, Santo Antônio)
Quando: Nesta quinta-feira (6), às 20h
Quanto: Gratuito
Informações: (81) 3355-3323

Confira a programação completa do Feteag 

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