Festival Estudantil de Teatro e Dança do Recife começa uma nova edição

Mostra independente tem início nesta quarta-feira (22) e segue até o dia 2 de setembro. Nesta 16ª versão, 26 espetáculos serão exibidos

Espetáculo '3x Plínio Marcos'Espetáculo '3x Plínio Marcos' - Foto: Karen Lima/Divulgação

Nesta quarta-feira (22), às 19h, tem início o 16º Festival Estudantil de Teatro e Dança do Recife, no Teatro Apolo (rua do Apolo, 121, Bairro do Recife). O evento tem produção de Pedro Portugal e conta com a curadoria do jornalista e pesquisador em teatro infanto-juvenil Leidson Ferraz. Nesta edição, serão apresentados 26 espetáculos, entre teatro e dança.

Majoritariamente composto por estudantes do ensino básico das redes público e privada da Região Metropolitana do Recife, além dos grupos amadores e universitários, contará ainda com o espetáculo "3x Plínio Marcos", produção do Sesc Petrolina, e as coreografias "Estação da Luz em Uma Viagem Alegóric"a e "A História se Repete", do IFSP.com Teatro e Dança, de São Paulo.

Algumas mudanças foram realizadas na configuração do Festival Estudantil desde sua primeira edição. Como, por exemplo, a decisão de se tornar mostra não-competitiva. Talvez reflexo da falta de incentivo para sua realização. Quando idealizou o evento, em 2003, o produtor cultural Pedro Portugal não imaginava que mais de uma década depois os desafios seriam, ainda, tamanhos. Obstinado, se reinventou e reinventou o festival como pode.

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“Há anos não conseguimos patrocínio, apenas apoio cultural”, lembra Portugal. Para custear as despesas, as noites contam com ingresso no valor único de R$ 15, dos quais 60% são destinados aos grupos que se apresentarão.

Apesar da insatisfação, lembra com orgulho dos inúmeros artistas e grupos hoje consolidados que passaram pelo Festival, além do fomento ao mercado de produtores e técnicos. “Noventa por cento do mercado [de artes cênicas] passou pelo Festival Estudantil”, arrisca o produtor, que menciona o premiado Grupo Magiluth e o ator Marcio Fecher, que estrelou tramas na teledramaturgia como o seriado "Supermax", da Globo. Serão homenageados o jornalista e curador desta edição Leidson Ferraz e o ator, coreógrafo e bailarino, Black Escobar.

Abre o festival, o musical "O Despertar", da IX Turma de Teatro da Cênicas Cia. de Repertório, com direção de Antônio Rodrigues. A obra é uma adaptação do texto “O Despertar da Primavera”, do alemão Frank Wedekind, que trata de nuances da adolescência e do despertar da sexualidade. O texto foi convertido em musical pela Broadway e teve diversas montagens realizadas no Brasil. O 16º Festival Estudantil de Teatro e Dança do Recife segue até o dia 2 de setembro.

   Resgate e celebração

Mestre em História do Teatro do Brasil, curador e homenageado na 16ª edição do Festival Estudantil de Teatro e Dança do Recife, Leidson Ferraz, participará do 1º Seminário Nacional de Memórias Cênicas na Amazônia, em Belém do Pará. O evento ocorre entre os dias 22 e 26 de agosto e celebra os 60 anos da primeira apresentação do espetáculo "Morte e Vida Severina" nos palcos, pelo grupo Norte Teatro Escola do Pará, adaptação da obra homônima do escritor pernambucano João Cabral de Melo Neto.

Considerado marco na história do movimento de teatro amador no Brasil, a encenação aconteceu no 1º Festival Nacional de Teatro de Estudantes, realizado em 1958, no Recife. Na ocasião, o evento reuniu grupos teatrais amadores de todo o País e inspirou os demais festivais estudantis realizados a partir daí.

“O Festival foi um sucesso absoluto, teve um público enorme. Foi a primeira vez que o Brasil teve a oportunidade de ter uma produção nesse perfil, com aulas abertas, oficinas e debates. E é muito simbólico, pois o Recife daquele momento vivia uma efervescência teatral”, comenta o Leidson.

Responsável pela coleção Memórias da Cena Pernambucana, Leidson Ferraz fala da importância no resgate de narrativas e iconografia de produções que se mantiveram à margem. “A história do teatro brasileiro é muito ampla e diversificada”, explica o jornalista.

“Para além da importância do Festival, esse Seminário em Belém é muito significativo porque propõe dar evidência a uma história que foi deixada de lado. A história do teatro brasileiro ainda é muito pautada pelo eixo Rio-São Paulo”, critica.

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