Festival Recife do Teatro Nacional chega à sua 18ª edição

São tempos bicudos para a economia nacional e, se o evento volta a ter peso, isso se deve principalmente às articulações de Romildo Moreira

Nós - Grupo GalpãoNós - Grupo Galpão - Foto: Divulgação

O Festival Recife do Teatro Nacional che­ga bem mais robusto à sua 18ª edição, que começa a exibição de espetáculos a partir do próximo sábado (19), seguindo até o dia 27 de novembro. Com orçamento previsto em R$ 260 mil, sendo a maior parte dos recursos oriundos da própria Fundação de Cultura Cidade do Recife. São tempos bicudos para a economia nacional e, se o evento volta a ter peso, isso se deve principalmente às articulações travadas por Romildo Moreira, coordenador do evento e do setor de Artes Cênicas da Prefeitura da Capital pernambucana, com a classe artística. 

Com boa articulação e respeito obtido junto às companhias e artistas , ele conseguiu fechar a grade com montagens recentes, completas, mas vindo com custos menores. “O festival não surge do nada. É preciso representar o que a Cidade oferece de melhor. Nosso norte, este ano, é a pesquisa permanente, de grupos consolidados ou artistas independentes”, pontua Romildo.

Ele acrescenta que há casos em que o transporte do material do grupo, como cenários e figurinos, é mais oneroso que os próprios cachês. Algo que acontece com o Galpão, de Belo Horizonte, que vem com 15 pessoas da equipe, e com a “bagagem” transportada em carreta, por R$ 18 mil. “Esbarramos em várias dificuldades, como a falta de recursos de empresas particulares. Mas vamos negociando. A Cia do Latão, de São Paulo, entrou com as passagens aéreas”, argumenta o coordenador. Além das peças, a programação extra conta com oficina, seminário, leitura dramatizada e mesa redonda.

A atriz Augusta Ferraz, do Parcas Sertanejas, 40 anos de atuação nos palcos, presente na programação com “MEDEIAPonto” encenou, na coletiva de Imprensa, um recorte de “A arte de trepar”, adaptado pela intérprete a partir da obra dos italianos Franca Rame e Dario Fo. E questionou sobre porque os grupos de fora de Pernambuco assinam antes seus contratos, Romildo informou que está solicitando os documentos necessários para regularizar a participação das companhias daqui. E que, ainda assim, os contratos não são obrigatórios para os pagamentos abaixo de R$ 8 mil, que podem ser feitos por empenho. “Dá uma sensação de desvalorização, por não termos esta garantia jurídica”, alega Augusta, no que o coordenador ponderou que entende esta relação subjetiva com a arte e está em busca de vencer as burocracias da esfera pública.

Destaques locais >

“Severinos, Virgulinos e Vitalinos”
A saga de dois filhos de artistas, um palhaço e uma atriz mambembe, na nova produção da Dispersos Cia. de Teatro. Com direção de Samuel Santos e trazendo no elenco Lívia Lins (Muriquêta /Severina) e Madson de Paula (Tramboêta/ Virgulino), acompanhados de uma banda com quatro músicos.

“Vento Forte para Água e Sabão”
Novo trabalho livre para todos os públicos da Cia Fiandeiros de Teatro, cumpriu temporadas em casas como o Barreto Júnior. Direção de André Filho. O roteiro narra a história de amizade entre uma bolha de sabão chamada Bolonhesa e Arlindo, uma rajada de vento.

“O Mascate, a Pé Rapada e os Forasteiros”
Espetáculo adulto de teatro de bonecos, mostra versão crítica e satírica da história do Recife e de Olinda. Projeto é do ator Diógenes D. Lima, brincando com os símbolos e características culturais das duas cidades. Esteve em cartaz em locais como Espaço Cênicas e Teatro Hermilo.

Destaques nacionais >

“Memórias de um Cão”
Criada a partir de estudos do grupo sobre a história de “Quincas Borba”, de Machado de Assis, trata das contradições da sociedade brasileira. No elenco, da formação original do grupo, apenas Zezita Matos, 74 anos, experiente no teatro e no cinema, que fez a Piedade dos Anjos, na novela “Velho Chico”.

“NÓS”
É a 23ª montagem do Grupo Galpão, que guarda uma relação afetiva com o Festival de Teatro, por ter vindo na primeira edição e retornado pela última vez em 2013. Com texto construído a partir de provocações do diretor Márcio Abreu, traz ao palco debate sobre o atual contexto político brasileiro.

“O Pão e a Pedra”
Movimento de operários do ABC é encenado pela Cia do Latão, de São Paulo, com direção de Sérgio de Carvalho. A trama se passa em 1979. Serão 5 sessões para 90 espectadores cada. A peça tem 2 horas e 50 minutos de duração, com um intervalo.

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