Festival Sesi Bonecos do Mundo mostra a amplitude de dar vida a seres inanimados

Idealizado por Lina Rosa Vieira, o Festival Sesi Bonecos do Mundo completa 15 anos percorrendo os estados brasileiros com a participação de artistas nacionais e internacionais

Lina Rosa Vieira, idealizadora do Sesi Bonecos do MundoLina Rosa Vieira, idealizadora do Sesi Bonecos do Mundo - Foto: Beto Figueirôa//Divulgação

Lina Rosa Vieira é uma idealizadora. E o festival Sesi Bonecos do Mundo é, provavelmente, uma das maiores de suas concretudes como disseminadora da arte. Logo no início da conversa com a Folha de Pernambuco, ela esboça o quanto de alma empenha em fazer seu papel, especialmente quando a arte é democratizada para multidões - como é o caso do projeto, criado por ela em 2003 e visto por mais de 2,3 milhões de pessoas. 

E no decorrer dos seus 15 anos de percurso pelos estados brasileiros, recebendo a participação de artistas de várias partes do mundo, o propósito dos espetáculos foi alcançado: reunir gente. De todas as raças, gêneros, idades e classes sociais, e com um encantamento simétrico. “O projeto foi pensado para levar pessoas a outras dimensões, pegá-las de surpresa mesmo, incluí-las e dar liberdade à imaginação que cada uma delas tem”, contou Lina.

E foi percorrendo em espaços, literalmente ocupando vários deles, principalmente os públicos, que o Sesi Bonecos do Mundo começou a contar a sua história e a ouvir outras tantas, democratizando a arte, com representações culturais tradicionais e contemporâneas, do Brasil e do mundo e, dessa forma, cumprindo o papel de dar acesso a quem pouco ou nunca o tem. Através de shows musicais, exposições itinerantes, espetáculos teatrais, desfiles de bonecos, ocupações em espaços marginalizados pela sociedade.

Leia também:
Livro com obra de Derlon traz olhar profundo sobre a cultura popular
Prêmio Pernalonga de Teatro divulga vencedores
As facetas de Elza Soares em musical no Teatro Guararapes


Que o diga um ‘tal de um moço’, que se apresentou à Lina Rosa sem saber que era ela a idealizadora daquele tanto de colorido que preenchia o Parque 13 de Maio, em dezembro de 2017 - a última vez que os bonecos do Sesi vieram ao Recife. Vestindo ‘trajes de gala’, um morador de rua se ofereceu para lavar o seu carro e, questionado sobre o porquê daquela ‘roupa de festa’, reforçou o quanto a missão de ressignificar espaços, estava sendo (tão bem) cumprida.

“Me surpreendeu o quanto ele estava arrumado, elegante. Quando perguntei para onde ele ia, ouvi: ‘estou vestido assim, porque vou ao teatro’”, descreveu ela, emocionada.

Livro de arte

Como uma das etapas dessa catarse proporcionada pelo teatro de bonecos, está a produção de um livro de arte que conta um pouco dos mais de 88 mil quilômetros rodados dos espetáculos do Sesi Bonecos do Mundo. Em pouco mais de cem páginas de ilustrações, fotografias e depoimentos, a representatividade do projeto é ressaltada e harmonizada pelos diálogos entre os textos e as imagens .

“O livro foi pensado, desde a capa até o seu fechamento, focando em multidão, em gente. Porque é a isso que nos propomos quando levamos o teatro para as ruas”, ressalta Lina, que abre os primeiros ‘dizeres’ da obra sob o título “Elocubrações e Perambulações”.

 Nas primeiras linhas, a idealizadora e diretora, faz um paralelo entre a bailarina da caixinha de música, presa a engrenagens, e o movimento libertário das cordas de um marionetista, e questiona: “Se em vez de rodar na caixinha, ela pudesse girar por todo o Brasil?”.

Sesi Bonecos leva multidão ao Dragão do Mar, em Fortaleza

Sesi Bonecos leva multidão ao Dragão do Mar, em Fortaleza - Crédito: Beto Figueirôa/Divulgação



E eis que mais um capítulo da legítima caravana da democratização do acesso à cultura para toda a gente’ saiu do campo das ideias (de Lina) e levou o teatro de animação a palcos e chãos, deixou que fosse tocado por crianças e adultos. Abriu sorrisos, emocionou com lágrimas, brincou e mamulengou. “O livro não foi feito com a intenção de prestar contas.

O intercâmbio intercultural de linguagens precisa seguir adiante e a aproximação entre imagem e texto fez isso no decorrer das páginas”, explicou Lina Rosa que, com a mesma alma fervorosa lá de trás, nas suas décadas de projetos culturais, assegurou que permanecerá, em 2019, resistindo e insistindo em levar às pessoas expressões da arte por meio dos mamulengos, o nosso Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, título concedido em 2015, pelo Iphan (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), os ventríloquos, palhaços e marionetes, entre outras tantas fantoches que ganham vida por meio de mestres, atores e manipuladores do Sesi Teatro de Bonecos do Brasil (e do mundo). "Continuaremos na estrada no próximo ano", garantiu Lina.

 

Veja também

Disputa por obra de Legião Urbana empata no STJ
Música

Disputa por obra de Legião Urbana empata no STJ

Valorant e League of Legends saem do ar nesta terça-feira (22)
QUEDA

Valorant e League of Legends saem do ar nesta terça-feira (22)