Filme 'Maria Madalena' traz história da fiel seguidora de Jesus Cristo
Tida como pecadora, personagem bíblica atualmente foi celebrada pelo papa como 'uma autêntica evangelizadora'
SÃO PAULO (Folhapress) - Estreia nesta quinta-feira (15) nos cinemas o filme bíblico "Maria Madalena", dirigido por Garth Davis e que mostra a vida sofrida de Maria Madalena (Rooney Mara), considerada por séculos prostituta e pecadora. O longa joga luz sobre a história da personagem, que enfrentou preconceito, e tenta afastá-la de polêmicas. Em 2016, o papa Francisco criou uma celebração para santa Maria Madalena, declarando 22 de julho o seu dia. Ela foi descrita como "um exemplo de verdadeira e autêntica evangelizadora", que anunciou "a boa notícia da ressurreição do Senhor".
O filme começa abordando a história de vida de uma das figuras mais enigmáticas da Bíblia. Maria Madalena contrariou a própria família, que queria lhe arranjar um casamento, para seguir próxima aos fiéis e a Jesus, interpretado pelo ator Joaquin Phoenix - curiosamente, o astro é o namorado dela na vida real. Na produção que chega aos cinemas, a relação entre Maria Madalena e Jesus é mostrada sempre com laços de amizade.
Cristo é sempre retratado a partir do ponto de vista da protagonista, que, na época, sofria represálias por exercer liderança e demonstrar empoderamento feminino, tido pelos homens daquele tempo como comportamento não apropriado às mulheres. Foi por isso que recebeu a alcunha de prostituta arrependida, estigma que seguiu com ela por muitos séculos.
Na história, Madalena é acusada de ter demônios, o que faz com que outros apóstolos tentem tirá-la do caminho da peregrinação. Porém, ela segue firme e, fiel, fica ao lado de Jesus no momento de sua morte. É a primeira testemunha da ressurreição.
Preconceito
Segundo historiadores e especialistas em religião, a figura de Maria Madalena, ainda nos dias de hoje, é julgada e sofre com preconceito, por conta de tudo o que sempre foi dito a respeito de sua vida. Nem mesmo a consideração do papa Francisco, em 2016, que a reconheceu como grande evangelizadora, foi capaz de melhorar sua imagem entre os católicos.
"Ela passou séculos sendo retratada como prostituta, pelo cinema e pela arte em geral. Em pinturas usavam as cores amarela e verde para simbolizar a vulgaridade dela. Então, filmes que tentam resgatar a imagem de Maria Madalena têm muita relevância no sentido de mudar a cabeça das pessoas", analisa Lidice Meyer Pinto Ribeiro, professora de antropologia do Mackenzie.
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De acordo com a pesquisadora da Sociedade Brasileira de Teologia e Ciências da Religião Wilma Steagall De Tommaso, é bom ter filmes como "Maria Madalena", que afastam a imagem de pecadora e prostituta, mostrada em outros longas. "O cinema é diversão também. Se fosse colocado tudo como está nos evangelhos, não ficaria legal. Entendo que a história deva ser romanceada, mas fico feliz que esse próximo longa fale a realidade sobre a santa", finaliza a pesquisadora.

