Filme 'Motorrad' traz luta infernal para sobreviver

Com direção de Vicente Amorim, longa imprime tensão crescente em trama de assassinos psicopatas, mas peca na construção dramática

Hugo (Guilherme Prates) vê os amigos serem mortos de forma violentaHugo (Guilherme Prates) vê os amigos serem mortos de forma violenta - Foto: Warner Bros./Divulgação

"Motorrad" começa de um jeito estranho: um jovem entra numa oficina abandonada, rouba o carburador de uma moto velha e é pego no flagra por um velho armado e uma jovem. É solto em seguida, nenhuma palavra é dita. Ele volta para casa e instala a peça em sua moto. Tudo em volta é cinza, entulho e poeira: uma existência formada apenas por gasolina, velocidade e asfalto.

Aos poucos, no entanto, o filme muda de ponto de vista: deixa de ser uma versão brasileira de "Mad Max" e se torna mais próximo dos filmes de terror de John Carpenter. O jovem da primeira cena se chama Hugo (Guilherme Prates). Junto ao irmão Ricardo (Emílio Dantas) e amigos motoqueiros ele sai em uma viagem para um local com verde e água, espécie de oásis considerando o mundo ao redor. É quando surge um bando de assassinos sem identidade definida que passa a perseguir os amigos.

Tudo no filme parece um tanto excêntrico e peculiar, até a primeira cabeça ser decepada. Os assassinos motoqueiros vestem preto e estão armados com facas e correntes. Nada é explicado, o bando simplesmente persegue e mata de maneiras cada vez mais violentas: corpos queimados, trucidados, sufocados. O passeio se torna uma luta infernal pela sobrevivência.

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O filme é dirigido por Vicente Amorim, que trabalhou com o roteirista L.G. Bayão e o quadrinista Danilo Beyruth. "Dois anos atrás, o produtor Tubaldini me perguntou se eu me interessaria em dirigir um filme de terror. Seria um filme de gênero, com motos, filmado na Serra da Canastra", diz Vicente.

"Desde as primeiras conversas que sabíamos que seria um filme de gênero. Não seria um drama com elementos de terror, nem um drama psicológico com terror e ação. Queria fazer como Carpenter. Isso foi nosso ponto de partida. Mas nenhum filme se sustenta só sendo a história de motoqueiros perseguido por um grupo misterioso. Então, dentro desse filme slasher [subgênero que se refere a assassinos psicopatas] tem uma segunda leitura, o amadurecimento do personagem Hugo", detalha.



O filme tem um visual interessante: a ausência de cores, a predominância por vastas regiões desabitadas, compostas apenas por objetos desgastados. "Nos ancoramos na estética de linguagem da HQ", diz Vicente. "Procuramos usar tons contrastados e uma paleta de cores saturada", detalha. A proposta de filmagem segue esse estilo, com a câmera tremendo para acompanhar as manobras do ponto de vista menos convencional possível, o que nem sempre parece a melhor solução.

Quadrilha

A cada ataque da quadrilha de sádicos o teor de violência do filme aumenta, com o som dos motores indicando a tensão crescente. "A intenção foi deixar os inimigos em aberto, como se fosse uma coisa em que cada um pudesse projetar seus medos nos vilões", explica Danilo. "Foi uma escolha temática. A gente tentou colocar mais desse terror que não é explicado", ressalta. No entanto, a ausência de uma construção dramática mais interessante dificulta a criação de elo entre espectadores e personagens.

Cotação: Regular

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