Cinema nacional

Filme 'Ontem havia coisas estranhas no céu' transita entre documentário e ficção

No longa-metragem, que está na Netflix, o diretor Bruno Risas mostra o cotidiano da própria família

“Ontem havia coisas estranhas no céu” mostra o cotidiano de pessoas comuns“Ontem havia coisas estranhas no céu” mostra o cotidiano de pessoas comuns - Foto: Divulgação

Premiado na 42ª edição do festival Cinéma du Réel, na França, o filme brasileiro “Ontem havia coisas estranhas no céu” chega ao streaming. Disponível na Netflix a partir desta quinta-feira (15), a obra de Bruno Risas mistura documentário e ficção científica para mostrar o cotidiano da família do próprio diretor.

Bruno, que já trabalhou como diretor de fotografia em diversos projetos, assina seu primeiro longa-metragem. A proposta nasceu de maneira despretensiosa, a partir das primeiras filmagens realizadas pelo cineasta, em 2010. Na época, o pai havia ficado desempregado e toda a família (incluindo mãe, irmã, avó e cachorros) foi forçada a voltar a morar em uma antiga casa localizada em um bairro operário de São Paulo.

“No começo, eu não sabia que estava fazendo um filme. As primeiras imagens eu fiz quase por acaso, logo quando eles se mudaram. Quando fui revê-las é que começou o interesse em construir algo contando essa história. Decidi seguir o caminho de uma relação do cinema implicado com a vida”, explica. 

A ideia de produzir o longa foi aceita de imediato pelos parentes do diretor, mas não sem causar alguma estranheza. Bruno conta que, ao longo dos nove anos de processo, muitas vezes foi questionado pela mãe sobre o motivo de querer fazer um filme sobre pessoas que, segundo as palavras dela, eram “ninguém”.

“Acho que até hoje não tenho uma resposta de fato para dar a ele. Sei que o que me interessava muito era olhar para essas pessoas comuns. Como é que elas carregam em si um pouco do que está acontecendo no mundo inteiro? Quem elas são em meio ao fluxo histórico? Foram essas questões que me impulsionaram”, comenta.

Para alcançar as camadas pretendidas pelo diretor, o filme lida com a noção de imaginário. Na trama, a mãe acaba sendo abduzida por uma nave espacial, fato incorporado com naturalidade ao cotidiano da família. Em outros momentos da obra o documental e a encenação se entrelaçam, de modo que fica difícil classificar o que é realidade e o que é ficção. 

“A própria vida é assim. Essa noção de realidade material é muito limitada para a nossa experiência humana. Não vejo muita distinção entre ficção e realidade, na verdade. Acho que, no fundo, é tudo a mesma coisa”, defende. Produzido pela Sancho&Punta e distribuído pela Vitrine Filmes, “Ontem havia coisas estranhas no céu” estreou oficialmente em 2019, no 37º Torino Film Festival, na Itália, e já passou por diversas mostras de cinema ao redor do mundo.

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