Filme "Redemoinho" traz dois pernambucanos

Dirigido por José Luiz Villamarim, ele tem na equipe principal: o ator Irandhir Santos e o roteirista George Moura

Clima de tensão entre dois amigos de infância marca reeencontro após trauma do passadoClima de tensão entre dois amigos de infância marca reeencontro após trauma do passado - Foto: Divulgação

Quando se pensa em Minas Gerais, talvez as referências que primeiro vêm à mente são a capital, Belo Horizonte, e o cenário barroco e quase folclórico de municípios como Ouro Preto e Diamantina. No filme “Redemoinho”, que entra em cartaz nos cinemas amanhã, no entanto, o cenário é a pequena Cataguases. Lá, não há espaço para cores vibrantes ou monumentos históricos.

Estreante no cinema após trabalhos respeitados na televisão, José Luiz Villamarim (que também é mineiro) transforma o pequeno município em um ambiente opressor e quase monocromático. O barulho de trens passando, máquinas de indústria e ruídos brancos em geral transmitem ao espectador a sensação de que mesmo sendo uma pequena cidadezinha interiorana, algo de muito obscuro está escondido por baixo dos panos do povo simples.
Adaptado de um conto do escritor Luiz Rufatto, “Redemoinho” gira em torno do reencontro de Luzimar (o ator pernambucano Irandhir Santos) e Gildo (Júlio Andrade). Amigos de infância, um continuou a vida no interior, enquanto o outro foi tentar a sorte na cidade grande. O que a princípio parece uma prosa amigável logo vai revelando que um grande trauma do passado ainda afeta a vida e a relação dos dois.
“É um filme em que o silêncio fala tanto, ou até mais, que a palavra. Às vezes, o não dito é mais revelar de quem eu sou do que o que eu digo”, explica o roteirista George Moura, também pernambucano, em entrevista à Folha de Pernambuco.
A tensão entre os dois protagonistas é o maior destaque do filme, amparada por atuações memoráveis de Irandhir e Júlio Andrade. Há ainda personagens paralelas como Toninha (Dira Paes), uma ex-prostituta e esposa de Luzimar e Dona Marta (Cassia Kis Magro), mãe de Gildo. “Procuro trabalhar sempre com atores que, além do domínio técnico do ofício, estão dispostos a se entregar e até enlouquecer pelo personagem”, conta o diretor José Luiz Villamarim.
O cineasta é responsável pela direção de projetos da TV Globo como “O Canto da Sereia” (2013), “Amores Roubados” (2014) e “Justiça” (2016), todos marcados pela linguagem e fotografia cinematográfica. Outra característica de Villamarim é a descentralização das tramas entre o eixo Rio-São Paulo. “Justiça”, por exemplo, era situada no Recife, enquanto “Amores” levou a aridez do Sertão à TV.
“Do ponto de vista do filme, eu gosto de tirar os atores da zona de conforto. Quando você está trabalhando em um lugar que não é a sua casa, você não tem distrações e pode se dedicar integralmente ao que está fazendo. Sem falar que o Brasil é enorme, a gente precisa mostrar isso. E todos os lugares deixam uma marca em você. É inimaginável você passar duas semanas no (edifício) Holiday e não sair marcado”, opina.
Esta é a primeira incursão de Villamarim no cinema após mais de 25 anos na TV: “Eu quis fazer cinema desde que comecei a me interessar pelo meio, ainda jovem. A questão é que eu fui desenvolvendo uma carreira na TV e é uma coisa que não para, é uma máquina de trabalho. Claro que eu gostaria de ter lançado esse filme mais cedo, mas penso que a experiência só me amadureceu. Se eu tivesse feito o filme há 12 anos, talvez não gostasse tanto do resultado. Desta vez eu pensei ‘pô, cheguei aos 50 anos, já está na hora de fazer um filme’”, revela.
Villamarim volta ao Sertão pernambucano já no segundo semestre para as gravações da minissérie “Onde Nascem os Fortes”, que deve ser exibida em 2018. Ele também não esconde o desejo de voltar a gravar no Recife o quanto antes.

Veja também

Record demite Marcos Mion após 11 anos na emissora, diz colunista
Famosos

Record demite Marcos Mion após 11 anos na emissora, diz colunista

Cinco filmes que merecem continuações
Cinema

Cinco filmes que merecem continuações