Filme 'Sem Fôlego' conta história sobre o fim da infância

Em cartaz no Cinema do Museu, a produção é dirigida por Todd Haynes a partir de livro de Brian Selznick

Cena do filme "Sem fôlego", de Todd HaynesCena do filme "Sem fôlego", de Todd Haynes - Foto: Divulgação

O título original do filme "Sem Fôlego" sugere beleza e mistério nas diferentes possibilidades de interpretação: "Wonderstruck", palavra que indica um maravilhamento súbito e arrebatador.

O longa-metragem, em cartaz no Cinema do Museu (Casa Forte), cresce até chegar ao instante decisivo descrito no título, momento de reverência e clareza que afeta a forma como os personagens percebem o conceito de família, a realidade em volta, os dramas do cotidiano.

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O enredo se divide em duas linhas narrativas, separadas por 50 anos: em 1977, o garoto Ben (Oakes Fegley) acaba de perder a mãe, Elaine (Michelle Williams); em 1927, a menina Rose (Millicent Simmonds) foge do pai autoritário em busca da mãe, Lillian Mayhew (Julianne Moore), estrela do cinema mudo.

O filme é baseado em um livro de Brian Selznick, que também assina o roteiro (ele é autor do livro "A invenção de Hugo Cabret", que foi adaptado para o cinema em 2011, por Martin Scorsese).

Há uma alta voltagem de emoção na direção de Todd Haynes, que parece registrar todo esse sentimento com afeição por seus personagens. Os dois jovens precisam lidar com a perda da audição e é interessante notar como Haynes torna a palavra falada insignificante de um jeito belo e tocante. Boa parte das falas dos personagens fica sem o som, sem a tradução.

A deficiência auditiva dos personagens gera momentos de transição entre o som do cotidiano urbano e o silêncio absoluto dos protagonistas, uma transição que vem carregada de emoção.

Ben mora em Minnesota e começa a investigar o paradeiro de seu pai, mas a única pista é um marcador de livro de uma pequena livraria de Nova Iorque. A perda da audição ocorre após uma noite trágica, enquanto em 1927 Rose faz sua própria expedição, fugindo de casa também rumo a Nova Iorque, em busca de liberdade e afeto familiar.

Além do som, Haynes consegue conectar as duas histórias como uma sinfonia visual através da montagem, da conexão em sequência dos planos, orquestrando uma história que mesmo sem surpreender consegue ainda assim impactar.

O gênero infantojuvenil é geralmente associado a animações e filmes com estrelas mirins, então assistir a um longa como "Sem fôlego", que repassa com delicadeza um momento significativo - a transição entre o fim da infância e o entendimento mais complexo e firme da vida - é uma oportunidade fascinante de descobrir uma proposta dissonante e especial de cinema.

Cotação: bom

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