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Filmes sobre gênero e sexualidade são os mais aclamados em Berlim

"Berlinale" segue até o próximo dia 19, entre mostras e competições de curtas e longa-metragens

Cena do filme "Call Me By Your Name"Cena do filme "Call Me By Your Name" - Foto: Divulgação

Dois filmes que tratam de gênero e sexualidade já são os mais aclamados da atual edição do Festival de Berlim, o mais afinado às questões LGBT entre as grandes mostras internacionais de cinema.

O drama sobre o amadurecimento amoroso de um adolescente italiano "Call Me By Your Name", de Luca Guadagnino, é o que tem rendido mais falatório e filas, ainda que não esteja disputando a mostra principal.

Já na competição pelo Urso de Ouro, o chileno "Una Mujer Fantástica" traz a intérprete transexual Daniela Vega em um papel que, já se comenta pelos corredores, pode render a ela o prêmio de melhor atriz do festival.

O drama de Guadagnino fecha o que o diretor italiano descreve como uma "trilogia sobre o desejo", composta por "Um Sonho de Amor" (2009) e "A Piscina" (2015).

O novo longa traz, como os outros, a mesma tensão erótica entre os personagens; no caso, entre o adolescente europeu Elio (Timothée Chalamet) e o pesquisador americano Oliver (Armie Hammer), homem um pouco mais velho que se hospeda na casa dos pais do garoto por seis semanas em 1983.

O relacionamento entre o os dois vai se construindo aos poucos, banhado pelo sol do verão italiano, e descamba para cenas de alta carga sensual entre os dois atores americanos. Uma delas, a mais emblemática, traz um pêssego envolvido, que deve render burburinho quando o filme estrear.

A revista "The Hollywood Reporter" elogiou a "adaptação sensual e sensível" do romance homônimo, escrito pelo egípcio-americano Andre Aciman. A "Variety" o comparou ao oscarizável "Moonlight": "transcende a dinâmica do envolvimento homoafetivo".

Já "Una Mujer Fantástica" é a segunda incursão de Sebastián Lelio na principal mostra da Berlinale, dois anos após "Gloria" ter ganhado o prêmio do júri, e corrobora a boa fase do cinema chileno. O cineasta Pablo Larraín ("O Clube", "Jackie") é produtor do longa.

Na trama, Daniela Vega faz o papel de uma cantora transexual que perde o companheiro, vitimado por um aneurisma, e tem de enfrentar o preconceito da família do ex-amante e a desconfiança da polícia. A via crucis de sua humilhação passa por um vexatório exame de corpo de delito.

"Ela sente que sua dignidade está acima de qualquer coisa", disse a atriz chilena na coletiva de imprensa. Caso ela leve o Urso de Prata por sua interpretação, esta será a primeira vez que o festival premiará uma transexual -uma escolha política que não seria de se estranhar numa mostra tão politizada.

Também disputando o Urso de Ouro, o drama britânico "The Party", de Sally Potter, rendeu calorosos aplausos à diretora. A história tragicômica gira em torno de uma festa em que os convidados são levados a celebrar o êxito político da anfitriã, até que as coisas saem do controle.

Centrado num único ambiente e carregado de temas políticos, é bem semelhante a outro título da competição, "The Dinner". A diretora diz que rodou o filme enquanto os britânicos votavam pelo Brexit. "No dia em que aconteceu, metade da equipe de filmagens chorou", disse.

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