Flaira Ferro faz shows e afirma estar aberta para uma nova fase na carreira

Após um período de autoconhecimento e crescimento espiritual um novo momento artístico pede espaço na vida da cantora, que faz temporada de despedida de ‘Cordões Umbilicais’ na Caixa Cultural

Flaira traz, em suas performances, a força da expressão corporalFlaira traz, em suas performances, a força da expressão corporal - Foto: Brenda Alcântara/Folha de Pernambuco

Absorvendo todo o universo cultural pernambucano desde a infância como dançarina de frevo, Flaira Ferro se deparou com a identificação com o canto. Isto anos depois de estar morando em São Paulo e se envolvendo com os projetos do Instituto Brincante dos artistas conterrâneos, Antônio Nóbrega e Rosane Almeida. “Durante os espetáculos de dança que a gente fazia tinha aula de canto, de teatro, de circo, então isso tudo foi me dando um despertar para o que eu gostaria de fazer sozinha, individualmente”, relembra.

Com firmes expressões corporais e uma presença de palco singular nas suas apresentações, Flaira tem no frevo, ritmo genuinamente pernambucano, umas de suas maiores referências de vida. Ela estudou na Escola Municipal do Frevo, com nada mais, nada menos, do que o mestre Nascimento do Passo, falecido em 2009.

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Flaira contou à Folha de Pernambuco o significado e a força do ritmo. “Pra mim o frevo é a vida crua, clara e potente. Porque é uma manifestação que nasce na rua, pelo povo marginalizado, pobre, negro, oprimido e é resistência.”

Durante esse processo de ressignificação do que era ser artista, Flaira começou a trabalhar o primeiro disco da carreira de forma independente, o “Cordões Umbilicais”, de 2015. “Minha vida começou a fazer mais sentido e paralelo a isso [passei por] um processo de autoconhecimento profundo, distante da família, das minhas origens, tive um desejo muito grande de investigar o que era ser artista de fato”.

E, neste mês de maio, um importante ciclo se completa na carreira dessa multiartista promissora. De 3 a 12 de maio, de quinta-feira a sábado, Flaira se despede do disco com a temporada "Flaira Ferro em Cordões Umbilicais" na Caixa Cultural, no Bairro do Recife.

Após um período de autoconhecimento e crescimento espiritual na vida, um novo momento artístico pede espaço, o de tentar ser porta-voz de outras emoções que não são as pessoais. “É o encerramento do ciclo daquela Flaira de 2013 que estava vislumbrando um mergulho nela para poder falar de outras coisas. Tenho me interessado agora, depois que vivi o processo do autoconhecimento, mais pela escuta, o contexto social, político. Sou eu saindo um pouco de mim, das minhas questões, para tentar ser porta-voz de outras emoções que não são as minhas”, explica.



Segundo a artista, o convite para as participações especiais na temporada da Caixa Cultural representa um contexto de unidade e horizontalidade no fazer artístico da nova safra de músicos pernambucanos. Juliano Holanda (guitarra), Hugo Linns (baixo) e Gilú Amaral (percussão) estarão participando dos shows todos os dias.

O critério da admiração e do respeito que carrega pelo trabalho de cada um dos músicos e a ressonância de acompanhá-los e de acreditar no que eles produzem foi fundamental. “Existe uma compreensão de que é preciso andar juntos, caminhar juntos, fazendo arte de forma coletiva, desconstruindo essa ideia que concentra e enlouquece o artista. Sinto que o Recife tem vivido de vários lugares, de vários contextos, um despertar sobre a necessidade de fazer coisas coletivamente, micropolíticas”, comenta.

   Datas das apresentações

Na próxima quinta-feira (3), o músico e companheiro de vida Igor de Carvalho compartilha o palco com Flaira. Já na sexta-feira (4) Ágda Moura é a convidada especial. No sábado (5), a cantora e compositora Mayara Pêra é a convidada da vez.

Abrindo a segunda semana, uma aula-espetáculo para escolas públicas do Recife envolvendo a dança, o teatro e a música, está programada na quarta-feira (9) com a participação de Aline Gomes. O dançarino e ator Orum Santana e o poeta Gleison Nascimento são os convidados na quinta-feira (10).

O também poeta do Sertão do Pajeú, Antônio Marinho se apresenta ao lado de Flaira na sexta-feira (11). Fechando a temporada, no sábado (12), o Projeto Arrete, formado pelas Mcs Ya Juste, Nina Rodrigues e Weedja Lins, representatividade feminina na música rapper.

Serviço
De 3 a 12 de maio, quinta-feira a sábado, às 20h, na Caixa Cultural Recife (Av. Alfredo Lisboa, 505, bairro do Recife).
R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)
Informações: (81) 3425-1915

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