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Flip sinaliza que pode rever homenagem a Elizabeth Bishop

Em nota postada nas redes sociais e no site da festa literária, na terça-feira (3), a organização revela que está "ouvindo as manifestações de todos"

Elizabeth Bishop Elizabeth Bishop  - Foto: Divulgação

Desde que revelou ao público a homenageada da sua 18ª edição, a poeta Elizabeth Bishop (1911-1979), a organização da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) ainda não havia manifestado a possibilidade de uma mudança. Isso ganhou outra forma na terça-feira (3), quando foi divulgada nota oficial nas redes sociais e no site do evento sobre uma inclinação para um caminho diferente. "Sabemos que a escolha da autora ou do autor a merecer a homenagem em cada edição nunca é uma unanimidade, pois a lista de merecedores é vasta. A boa polêmica faz parte do espírito da festa. No entanto, a campanha lançada contra a poeta nas redes sociais logo após o anúncio foi bastante expressiva e chamou nossa atenção e escuta. Estamos ouvindo as manifestações de todos e pensando em seu significado com a serenidade que essa questão merece", diz o comunicado.

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Elizabeth Bishop é a 1ª estrangeira a ser autora homenageada pela Flip

A escolha da americana para a reverência desagradou o público por vários motivos, entre eles o fato dela ser estrangeira (embora tenha vivido no Brasil por 20 anos, ao lado da esposa, a arquiteta Lota de Macedo). Mas o que mais chateou foram, na verdade, declarações da escritora à época da ditadura militar brasileira. Em cartas ao escritor americano Robert Lowell, a poeta afirmou que havia ocorrido uma "revolução rápida e bonita" no Brasil e que a suspensão de direitos "tinha de ser feito, por mais sinistro que pareça". Outra questão levantada seria de que, mais do que nunca, seria a hora de uma homenagem a uma mulher negra.


Confira a nota na íntegra:

A Flip e a homenagem a Elizabeth Bishop

A Flip – Festa Literária Internacional de Paraty é uma celebração da literatura, mas sua ação se estende a outros campos culturais. A Flip atua junto à cidade que a abriga e lança pontes com a comunidade internacional de escritores. Essa é a sua vocação. Nos últimos anos, a festa tem se transformado em um encontro cada vez mais agregador, com programação diversificada e inclusiva, abrindo-se a múltiplos pontos de vista. Isso ocorreu pelo aprofundamento da comunicação e da escuta com seu público e em função de uma demanda nacional crescente.

Em 25 de novembro, a Flip anunciou a autora homenageada de 2020, a escritora Elizabeth Bishop (1911-1979), segura de sua missão – tornar a arte brasileira melhor conhecida em suas fronteiras e no resto do mundo. Reconhecida como uma das maiores poetas do século 20, Bishop – que viveu por quase 20 anos no nosso país – foi uma das grandes responsáveis pela divulgação da literatura brasileira em terras estrangeiras. Sua relevância para o Brasil e para a literatura foram, portanto, as razões essenciais para sua escolha. No mais, entendemos que ambiguidades e contradições são constitutivas de todo artista, fazem parte da condição humana e devem ser debatidas e criticadas na medida de sua relevância para a compreensão das obras de arte.

Sabemos que a escolha da autora ou do autor a merecer a homenagem em cada edição nunca é uma unanimidade, pois a lista de merecedores é vasta. A boa polêmica faz parte do espírito da festa. No entanto, a campanha lançada contra a poeta nas redes sociais logo após o anúncio foi bastante expressiva e chamou nossa atenção e escuta. Estamos ouvindo as manifestações de todos e pensando em seu significado com a serenidade que essa questão merece. 

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