Cinema

'Fortaleza Hotel': filme cearense celebra a amizade entre mulheres

A atriz Clébia Sousa vive uma das protagonistas do longa-metragem, que estreia nesta quinta-feira (27)

Filme "Fortaleza Hotel"Filme "Fortaleza Hotel" - Foto: Jorge Silvestre/Divulgação

“Fortaleza Hotel”, novo longa-metragem do diretor cearense Armando Praça, que estreia nesta quinta-feira (27), no Cinema da Fundação do Derby, é uma ode à sororidade. Essa palavra tão presente nos discursos feministas é materializada na relação entre duas mulheres de culturas distintas, unidas a partir de seus problemas.



Pelo papel de Pilar, a atriz pernambucana Clébia Sousa foi premiada no Cine Ceará, em dezembro do ano passado. A personagem, camareira de um hotel em Fortaleza, no Ceará, se prepara para imigrar para a Irlanda. Saber falar em inglês a aproxima de Shin (Lee Young-Lan), uma hóspede sul-coreana que vem ao Brasil para buscar o corpo do marido, e precisa de ajuda para cuidar de todos os trâmites. 

Conectadas pelas dores

“Fico muito feliz em fazer um filme que, de fato, mostra mulheres com histórias próprias e construindo uma relação de amizade. Acho que estamos desconstruindo esse lugar de rivais que o cinema costuma reservar às personagens femininas”, comentou Clébia, em entrevista à Folha de Pernambuco

Mesmo diferentes em tudo, Pilar e Shin se conectam de alguma forma. Diante de suas próprias batalhas, elas acabam encontrando maneiras de se ajudar. Enquanto a estrangeira tenta entender o suicído do esposo e conseguir dinheiro suficiente para levar suas cinzas para a Coreia do Sul, a brasileira lida com os desatinos da filha adolescente Jamile (Larissa Góes). “Elas se aproximam através da dor. Uma se coloca no lugar da outra, porque as duas estão no mesmo barco, tentando sobreviver e sair ilesas daquelas situações”, disse.

Linguagem corporal

A dificuldade comunicacional vivenciada pelas personagens também foi sentida por Clébia ao conhecer a atriz sul-coreana Lee Young-Lan, sua parceira de cena. A atriz conta que, nos primeiros encontros, a sensação foi de choque. “A incomunicabilidade era real. Não falo inglês. Então, a gente não conseguia conversar. Então, tentamos trazer isso para o corpo”, afirmou. 

Esse estranhamento inicial, segundo a artista, foi aproveitado pela direção. “O Armando tentou gravar esse filme de uma forma bem cronológica, para acompanhar a evolução do nosso entrosamento. Chegou um momento em que nós duas nos entendíamos apenas pelo olhar. Acabamos criando uma linguagem só nossa”, contou. 

Na trama, o relacionamento entre as protagonistas nem sempre é cordial, especialmente quando Pilar, em um ato de desespero, toma uma atitude que desrespeita seu próprio senso ético. Clébia revela que o processo de construção da personagem partiu de um olhar interno e também de uma postura de não julgamento. “Acho a Pilar uma mulher muito real. Ela quer se descobrir, mas precisa resolver os conflitos da filha, sendo que, por ter engravidado muito nova, ela não se sente mãe. São muitas camadas que este papel traz”, observou. 

“Fortaleza Ceará” trouxe a primeira protagonista da carreira de Clébia Sousa, que já esteve em filmes como “O Som ao Redor” (2012) e “Bacurau” (2019). “São mais de 12 anos só de cinema. Apesar de ter achado que demorou um pouco para acontecer, fico feliz de estar nessa posição, com um papel maior. O prêmio no festival Cine Ceará eu encaro como o reconhecimento de tanto esforço ao longo dos últimos anos”, analisou a atriz.

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