A-A+

Fotógrafo alemão Arno Fischer ganha mostra no Museu do Estado (MEPE)

Recife recebe exposição que teve mais de 28 mil visitantes no ano passado, em Brasília, mostrando a obra do 'mais conhecido dos fotógrafos desconhecidos'

O fotógrafo alemão Arno Fischer (1927-2011) é pouco conhecido, apesar de sua importânciaO fotógrafo alemão Arno Fischer (1927-2011) é pouco conhecido, apesar de sua importância - Foto: Divulgação

A vida e o trabalho do fotógrafo alemão Arno Fischer estão marcadas pelo paradoxo e por uma luta contínua. Combateu o nazismo e os erros tanto do capitalismo como do comunismo, ao se ver "preso" na porção oriental da Alemanha. Foi fotógrafo de moda, embora de certa forma desprezasse o segmento. 

Seu nome ganhou destaque mundial ao registrar a atriz Marlene Dietrich durante um evento na União Soviética, no auge da Guerra Fria, e chegou a ficar famoso nos Estados Unidos. Mas até hoje tem pouco destaque em sua terra natal, razão pela qual costuma ser descrito como "o mais conhecido dos fotógrafos desconhecidos".

Leia também:
Fotógrafa alemã Antje Schulz traz olhar onírico sobre a natureza para o Recife
Sinagoga abriga exposição sobre sionismo no Festival de Cultura Judaica
Grupo Têmpera expõe na Villa Ritinha, na Soledade

Dono de uma obra consistente e poética, que se faz ainda mais atual e necessária em tempos de renascimento de ideologias fascistas, Arno Fischer terá pela primeira vez uma exposição no Recife. É a segunda vez que a mostra é trazida para o Brasil. Segundo o curador da exposição, o também fotógrafo Andreas Rost, um amigo e discípulo de Fischer, no ano passado as fotografias estiveram no Museu Nacional da República, em Brasília, onde atraíram nada menos que 28 mil visitantes.

A exposição foi planejada pelo Institut für Auslandsbeziehungen (IfA). Aqui, o evento acontece por iniciativa do Consulado Geral da Alemanha no Recife, que contou com o apoio do Centro Cultural Brasil-Alemanha (CCBA) e do Museu do Estado de Pernambuco (MEPE), onde a exposição ficará em cartaz até o dia 18 de fevereiro.

Meninos da Alemanha Ocidental, em imagem da série 'Situation Berlin'

Meninos da Alemanha Ocidental, em imagem da série 'Situation Berlin' - Crédito: Arno Fischer/Divulgação

Última foto da série 'Situation Berlin', realizada no Reveillón de 1989

Última foto da série 'Situation Berlin', realizada no Reveillón de 1989 - Crédito: Arno Fischer/Divulgação

As 104 fotografias que compõem a mostra estão distribuídas em três salões no primeiro andar do MEPE. O primeiro salão traz a emblemática série "Situation Berlin", na qual Fischer registra os quatro setores da cidade no pós-guerra, quando já estava dividida entre a União Soviética e os Aliados ocidentais (Estados Unidos, Inglaterra e França).

Em 1961, o Muro de Berlim foi erguido e Arno passou a morar na parte oriental, sendo impedido por vários anos de sair do país. "Situation Berlin" foi transformada num livro, com texto do dramaturgo e poeta Bertolt Brecht, o qual na sequência foi proibido por 30 anos. Desgostoso, Fischer só voltaria a fotografar Berlim, cidade que amava, após a queda do Muro, em 1989, realizando uma significativa imagem, também em preto e branco, que transmite ao mesmo tempo alegria e temor.

Arno Fischer fotografava pessoas normais, no meio da rua

Arno Fischer fotografava pessoas normais, no meio da rua - Crédito: Arno Fischer/Divulgação

Registro de um pub novaiorquino realizado em 1984

Registro de um pub novaiorquino realizado em 1984 - Crédito: Arno Fischer/Divulgação

No segundo salão, estão a produção de moda realizada para a revista de cultura alemã oriental "Sibylle" (geralmente nas ruas e utilizando gente comum como modelos), os retratos que fez de pessoas de destaque e anônimos, e dois ensaios muito significativos - realizados em Leningrado, na União Soviética, e em Nova Iorque, nos Estados Unidos, num rico contraponto de culturas.

Já o último salão traz imagens mais desconexas, menos figurativas: são experiências realizadas por Fischer em seus últimos anos de vida. Escultor por formação, e depois professor de fotografia na Universidade de Leipzig por muitos anos, Arno foi dispensado logo após a reunificação da Alemanha, se recolhendo em casa e passando a experimentar, fazendo verdadeiras instalações em seu quintal. Utilizando uma câmera polaroid, ele registrou a decrepitude da natureza, os fantasmas internos, a tristeza, a melancolia e também o fim da vida de sua esposa Sibylle Bergemann, fotógrafa como ele. O resultado é inquietante e, como as demais imagens da mostra, repleto de poesia.
Serviço
Exposição "Arno Fischer - Fotografia", com curadoria de Andreas Root
Museu do Estado de Pernambuco (MEPE) - Avenida Rui Barbosa, 960, Graças
Abertura: 23 de janeiro de 2020, às 19h

 

Veja também

Casa da Cultura recebe apresentações carnavalescas

Casa da Cultura recebe apresentações carnavalescas

Governo lança campanha de apoio voltada à atividade circense
Circo

Governo lança campanha de apoio voltada à atividade circense