[Fotos] Primeiro Oscar após acusações de assédio é marcado por discursos pró-representatividade

Tendo o filme “A Forma da Água” como o grande vencedor na noite, momento mais emblemático da cerimônia teve as três atrizes assediadas por Harvey Weinstein apresentando um vídeo

O mexicano Guillermo del Toro com os seus prêmios de melhor diretor e melhor filmeO mexicano Guillermo del Toro com os seus prêmios de melhor diretor e melhor filme - Foto: Angela Weiss/AFP

Tendo o filme “A Forma da Água” como o grande vencedor na noite, a primeira edição do Oscar após a onda das acusações de assédio em Hollywood teve poucas surpresas em suas premiações e foi marcada por acenos às campanhas "MeToo" e "Time's Up", contra abusos sexuais e pró-representatividade. 

Num dos momentos mais emblemáticos, as atrizes Ashley Judd, Salma Hayek e Annabella Sciorra, as três assediadas pelo produtor Harvey Weinstein, subiram ao palco para apresentar um vídeo em que pessoas de várias minorias falaram sobre representatividade nos filmes. "Saudamos os espíritos que não permitiram que seu gênero, raça ou etnia os impedisse de contar suas histórias", disse Hayek. Vários dos apresentadores das categorias eram membros de alguma minoria: mulheres, negros, indígenas, transexuais...

Mesmo o apresentador Jimmy Kimmel foi contido ao fazer as piadas. Mas alfinetou Weinstein logo em seu monólogo inicial, mencionando a expulsão dele da Academia. "Merecia mais", afirmou.

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Ainda sobre assédios sexuais, Kimmel disse que a estatueta do Oscar era o "homem mais respeitado em Hollywood, pois tem as mãos onde se pode ver e não possui pênis". O apresentador também alfinetou Donald Trump, ao dizer que o presidente aprovaria três quartos do filme de temática racial "Corra!", ou seja, tudo exceto a parte da morte dos personagens brancos.

Kimmel também brincou com a gafe do ano passado e chamou Warren Beatty e Faye Dunaway para apresentar o prêmio principal novamente.

Vencedores

A trama sobre uma faxineira muda que se afeiçoa a um monstro aquático levou quatro prêmios: melhor filme, direção, trilha sonora e direção de arte. Ao subir no palco, o diretor mexicano Guillermo del Toro lembrou que é um imigrante no país e citou a trupe de personagens fora do padrão de seu filme.

Nas categorias de atuação, os mais cotados levaram as estatuetas. Gary Oldman venceu seu primeiro Oscar por sua performance, sob pesada maquiagem, de Churchill em "O Destino de uma Nação". Frances McDormand faturou seu segundo Oscar por viver a mãe enlutada e vingativa de "Três Anúncios para um Crime". O filme também rendeu a Sam Rockwell o prêmio de ator coadjuvante por seu policial racista que se redime. McDormand aproveitou o palco para pedir que todas as mulheres indicadas ficassem de pé: "Vamos lutar para sermos roteiristas da inclusão."

Como atriz coadjuvante também venceu a favorita, Allison Janney, que faz a mãe megera da patinadora Tonya em "Eu, Tonya". "Me Chame pelo Seu Nome", coproduzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira, levou a estatueta de roteiro adaptado, fazendo o roteirista James Ivory, 89, se tornar o vencedor do Oscar mais velho da história. Já "Corra!" ficou com melhor roteiro original.

Também não foram surpreendentes as categorias técnicas. A Forma da Água, que recria o início dos anos 1960, ganhou em direção de arte. "O Destino de uma Nação" levou em maquiagem. Já "Trama Fantasma", ambientado no universo da alta-costura, foi reconhecido por figurino.

Produção da gigante Pixar, "Viva: A Vida É Uma Festa" levou como melhor animação, tirando a estatueta do brasileiro Carlos Saldanha e seu "O Touro Ferdinando". Em seu discurso, o diretor Lee Unkrich fez uma ode ao México, onde a trama se passa, e afirmou que dedicava ao prêmio às crianças falantes de todos idiomas que enfim podiam se ver representadas. "Viva" também ganhou o prêmio de melhor canção.

O Chile levou o Oscar de filme estrangeiro com "Uma Mulher Fantástica", de Sebastián Lelio, história sobre uma transexual (Daniela Vega) que se bate com a família do namorado morto. Na categoria de documentário, "Ícaro", de Bryan Fogel, desbancou Agnès Varda, 89, e "Visages Villages". O vencedor escava bastidores do doping no mundo esportivo.

O filme de guerra Dunkirk faturou três estatuetas: edição de som, mixagem de som e montagem, coroando o empenho do diretor Christopher Nolan em criar experiência que ele quis ver vivida no cinema, e não no streaming. Já a ficção "Blade Runner: 2049" levou dois prêmios: direção de fotografia e efeitos visuais, por sua recriação de uma Los Angeles futurista.

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