Francisco Brennand: suas influências e seu legado

Brennand começou sua trajetória em 1942, quando conheceu o artista plástico Abelardo da Hora

Francisco BrennandFrancisco Brennand - Foto: Leo Motta/Folha de Pernambuco

Quando abriu a Oficina Brennand, em 1971, o artista Francisco Brennand, cuja família é de origem britânica, já se dedicava à produção artística havia mais de 20 anos. Ele começou sua trajetória em 1942, quando conheceu o artista plástico pernambucano Abelardo da Hora, também eclético em relação aos suportes que utilizava, com temas que revelam a influência direta de Cândido Portinari.

Brennand foi contemporâneo de Ariano Suassuna, com quem produzia um jornal literário. Ele se incomodava, porém, com a classificação de seu trabalho como "armorial", movimento capitaneado por Suassuna que buscava criar uma arte erudita a partir de elementos da cultura popular nordestina. "Eu reajo de imediato e digo: armorial não, eu sou sexual", disse numa longa entrevista ao jornal Folha de S.Paulo de 2013.

As viagens nos anos 1940 e 1950 para a Europa ainda alimentaram sua bagagem de influências, principalmente entre modernistas, e especialmente da obra do arquiteto catalão Antoni Gaudí.

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Suas esculturas e pinturas estão espalhadas por espaços públicos e privados de diversas cidades.

No Recife, há o mural sobre a Batalha dos Guararapes, que opôs portugueses e holandeses, além de um parque com cerca de 90 esculturas que pode ser visto do Marco Zero -a principal delas é uma torre em argila e bronze de 32 metros, a "Coluna de Cristal".

Em Miami, produziu um mural para a sede da empresa de bebidas Bacardi. Em São Paulo, é possível ver esculturas de Brennand na estação metrô Trianon-Masp e em um jardim em frente ao prédio do Sesc Pinheiros.

A notícia da morte de Brennand repercutiu sobretudo entre os políticos. Tanto o Governo do Estado de Pernambuco quanto a Prefeitura de Recife declararam luto oficial de três dias em homenagem ao artista. A Assembleia Legislativa de Pernambuco, Alepe, também pediu um minuto de silêncio em respeito à sua morte. Cristovam Buarque, ex-senador pelo PPS-DF, comparou a importância do artista à do educador Paulo Freire no Twitter.

Outras personalidades também prestaram homenagens por meio das redes sociais.
Gerson Camarotti, comentarista da Globo News, afirmou que "alquimia do barro [ele] criou um universo mítico". Marcelo Falcão, do grupo O Rappa, lembrou um clipe filmado na Oficina Brennand e chamou o artista de "mestre do seu tempo e também do nosso". O escritor Marcelino Freire lembrou que dedicou seu último romance, "Bagageiro", ao ceramista.

Há três anos, Brennand publicou seus diários, quatro volumes que cobrem o período de 1949 a 2013. Ele teve quatro mulheres, a última delas Maria Gorette, com quem viveu até o fim da vida. Deixa cinco filhos, dez netos e dez bisnetos.​

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